Alessandro destaca matéria sobre importância da prevenção de acidentes

PTB Notícias 15/06/2014, 20:35


O presidente do PTB Trânsito e Transporte do Diretório de São Paulo comentou matéria publicada no DC, a respeito da grande relevância que as ações de Educação no Trânsito têm na redução de acidentes.

Para Alessandro, que profere palestras sobre o tema em todo o país e apoia e promove campanhas, inclusive com um programa semanal (na TVZ), “a entrevista do presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito (Monatran), é muito importante e mostra o quadro de aumento do número de acidentes com motos.

“Confira a matéria:Os números de mortes no trânsito brasileiro superam os 40 mil anualmente.

Além disso, são mais 80 mil pessoas que todos os anos ficam internadas por envolvimento em acidentes, lembra o presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito (Monatran), Roberto Bentes de Sá.

Os dados mostram que a cada nova estatística, o número de acidentes com motos aumenta.

Um um levantamento do Ministério da Saúde, os gastos por internações de motociclistas em Santa Catarina saltaram de R$ 2,4 milhões em 2008 para R$ 4,4 milhões em 2011.

O aumento no número de casos no período subiu de 1,5 mil para 8,6 mil.

— São sequelas irreversíveis.

A gente só fala nos que morrem, mas a maioria dos nossos leitos são ocupados em função de acidentes de trânsito.

O custo do Brasil é muito grande — alertou.

Para Bentes, vivemos num trânsito tumultuado e deseducado:— O trânsito no nosso país infelizmente é uma bomba que explode a todo instante e que tem vários componentes.

Desde a formação, sentimento de impunidade, falta de fiscalização.

Se os recursos das multas destinados à educação no trânsito fossem usados, tenho certeza que mudaria a cultura — argumenta.

Entrevista com Julio Jacobo, autor do Mapa da Violência no Trânsito”A vítima vira culpada da própria morte”Desde o final da década de 1990, Julio Jacobo é o responsável por fazer o Mapa da Violência no Brasil.

Coordenador da área de estudos sobre violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o especialista lançou no ano passado a última edição do levantamento sobre as mortes e acidentes de trânsito.

Em entrevista ao Diário Catarinense, Jacobo aponta o sistema nacional de trânsito como principal responsável pelos números assustadores de mortes no país.

Diário Catarinense – Vender a motocicleta é a solução?Julio Jacobo – Acho que não tem muito a ver com vender.

Nesses casos, mais coisas deveriam ser vendidas, não só a moto.

Com a explosão de motocicletas, em meados da década de 1990, com isenções fiscais, grandes alardes de financiamentos, pensou-se que se solucionavam dois grandes problemas.

O primeiro era o de mobilidade urbana da classe trabalhadora.

Além disso, algumas cidades não comportavam grandes investimentos e a moto surgiu como opção.

Era de fácil acesso e manutenção barata.

Na medida em que cada cidadão tem seu próprio meio de transporte, porém, cria-se um problema de mobilidade.

Além disso, temos outro problema que é pouca qualificação para uso do veículo.

Diário Catarinense – Dentro deste cenário, qual é a perspectiva para o futuro?Jacobo – A tendência é alarmante.

Antigamente, o principal envolvido nas mortes no trânsito era o pedestre.

Na virada desse ciclo, caiu o número de pedestres, houve campanhas educativas, e se reduziu os de acidentes envolvendo carros.

A tendência é que a morte dos motociclistas signifiquem 50% no país.

Vamos ser os campeões internacionais.

Diário Catarinense – E quem deve agir para evitar isso?Jacobo – No Estatuto de Trânsito diz que o responsável pela segurança é o sistema nacional de trânsito.

É o Detran, o Denatran.

Eles têm que se preocupar com isso.

O que se faz é colocar a culpa na vítima.

A vítima vira culpada da própria morte.

Quando acontece um acidente se diz que foi uma fatalidade.

Mas quanto demorou para chegar o socorro? Quantos hospitais precisaram ser percorridos? É uma série de incidentes que marcam a morte anunciada.

Diário Catarinense – E a responsabilidade do condutor?Jacobo – Nenhuma.

Habilitaram ele legalmente.

Até pouco tempo, ter carteira de motociclista era muito fácil.

Se ele soubesse arrancar e andar em um passeio interno, estava habilitado.

Depois aumentaram as exigências.

Temos ainda uma legislação pífia.

Não se fiscaliza motociclista.

Em países da Europa, nos últimos 15 anos caíram 45% o número de mortes.

Eles assumiram as responsabilidade e ninguém poderia morrer.

Foram campanhas educativas, fiscalização, várias coisas que se faz para evitar a morte no trânsito.

Fonte: DC