Arlen Santiago contesta Justiça pela liberação da importação de médicos

PTB Notícias 9/02/2012, 8:00


A falta de médicos dispostos a trabalhar em pequenas cidades levou a Justiça do Rio Grande do Sul a liberar a contratação, por algumas prefeituras, de médicos formados e em atividade em outros países da América do Sul.

O argumento dos juízes que liberaram essa contratação, já contestada em instâncias superiores por entidades médicas, é objetivo: ou são os profissionais de outros países ou os municípios ficarão sem assistência médica.

Para o médico e deputado estadual Arlen Santiago (PTB-MG), essa decisão da Justiça gaúcha beira a irresponsabilidade.

Para ele a questão é muito mais complexa do que, a princípio, possa parecer.

“Isto em minha opinião é uma irresponsabilidade.

Autorizar médicos que não têm a formação adequada, e olha que nós já estamos vivendo um caos, com muitas faculdades de medicina formando profissionais que não estão bem preparados.

E agora nós vamos trazer médicos bolivianos, cubanos, uruguaios que a gente não sabe nem mesmo como é a formação deles, para que saiam matando nossa população, além do que já contribui o governo federal, que não destina recursos para o setor”.

O deputado, que comanda uma frente parlamentar em defesa do SUS, garante que o problema da dificuldade de se conseguir médicos não é falta de profissionais: “A questão é, hoje, a falência total do sistema por falta de fontes definidas de financiamento”.

Arlen acusa de má-fé os que dizem existir mais um problema de gestão do que de recursos no SUS e dá um exemplo: “A Santa Casa de Montes Claros tem levantamento mostrando que, a cada R$ 1 mil gastos por um hospital no atendimento, o SUS remunera em R$ 750.

Faltam então R$ 250 e ainda vem falar em má-gestão.

Outra coisa, o médico recebe R$ 10 por consulta.

Para ter um salário bruto de R$ 10 mil, ele precisa fazer mil consultas por mês.

É impossível e a solução, certamente, não virá com a Emenda 29, aquela que mudou os percentuais de financiamento do sistema.

A emenda deixou de fora a União, exatamente quem mais arrecada e que, portanto, deveria contribuir com maior volume de recursos”.

Ao concluir o parlamentar disse que não se pode buscar a solução que parece mais fácil, pois os médicos lidam com vidas e não se pode brincar.

“Imagine um médico numa pequena cidade do interior sem condições técnicas para fazer uma cesariana? Antes era possível fazer esse tipo de parto sem um anestesista, só que hoje é crime e o médico está colocando sua carreira em risco.

Todo médico quer ir para qualquer lugar, desde que ofereça as condições mínimas de trabalho”.

Agência Trabalhista de Notícias (LL) com informações do Portal Gazeta Norte Mineira