Armando Monteiro (PE) critica comodismo em relação aos juros no país

PTB Notícias 7/07/2011, 12:54


“Até quando seremos obrigados a conviver com a dura realidade das elevadas taxas de juros do Brasil?”, indagou o senador Armando Monteiro, do PTB do Pernambuco, dirigindo-se ao presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, durante audiência promovida pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira (05/07/2011).

O parlamentar lamentou que haja entre os economistas brasileiros “um certo conformismo intelectual”, que os leva a aceitar, com naturalidade, taxas de juros elevadíssimas, acima da média das taxas no resto do mundo.

Ao falar sobre isso, o petebista citou artigo do economista Otávio de Barros, recentemente publicado pelo jornal Valor Econômico, classificando-o como “brilhante e instigante” por apresentar uma análise precisa da atual capacidade da economia brasileira e do comodismo entre os estudiosos do tema.

O comodismo em relação à inflação no Brasil, destacou Monteiro, “causa perplexidade”.

Em determinado momento da audiência, o senador citou um trecho do artigo de Otávio de Barros, no qual o economista comenta que, numa ocasião, durante reunião com investidores chineses, tentou explicar os juros brasileiros e percebeu que quem falava chinês era ele.

Para o petebista pernambucano, a dificuldade em compreender as razões de não se questionar com veemência as elevadas taxas de juros está associada ao pujante crescimento do Brasil nos últimos anos.

Ou seja, uma situação favorável acaba encobrindo uma prática controversa com a qual os brasileiros convivem há anos, que é a de manter os juros elevados para garantir as metas de inflação.

Armando Monteiro observou que os gastos excessivos com o serviço da dívida pública reduzem a capacidade de investimentos em infraestrutura e podem comprometer o próprio crescimento do país.

“Sobretudo porque a carga tributária do país já bateu no teto e não se tem espaço fiscal para equilibrar os custos”, comentou.

O senador também questionou Alexandre Tombini sobre se “não está na hora de rever o regime de metas da inflação”.

O presidente do Banco Central afirmou que a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 12,25% ao ano, começará a recuar.

“Em algum momento, lá na frente, será possível iniciar o processo de redução dos juros”, disse.

“Já convergimos em várias áreas da macroeconomia e vamos convergir também nessa, no futuro”, resumiu Tombini.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações do site do senador Armando Monteiro (PTB-PE)