Arnon Bezerra teme efeitos do aquecimento global na agricultura brasileira

PTB Notícias 6/12/2008, 10:55


O Deputado Arnon Bezerra (PTB-CE) demonstrou, no plenário, sua preocupação com a produção de alimentos no Brasil, no contexto da temática do aquecimento global.

Segundo ele, os anos de fartura de grãos brasileiros serão seriamente comprometidos pelo aquecimento global num futuro não muito distante.

O Deputado do PTB ressaltou a importância de se aumentar os investimentos em pesquisas para minimizar os efeitos sobre a agricultura: “Estimativas indicam que as perdas na produção de alimentos, por exemplo, deverão beirar R$7,4 bilhões em 2020, subindo para R$10,7 bilhões em 2050 e atingindo R$14 bilhões em 2070.

No cenário mais pessimista, esses prejuízos chegarão a R$10,2 bilhões.

A soja, que colocou o País em 2º lugar no ranking mundial, perdendo apenas para os EUA, deverá ser a primeira da lista entre as culturas mais afetadas.

No pior cenário, as perdas poderão atingir 40% dentro de 62 anos, contabilizando prejuízos de até R$7,6 bilhões.

Os dados constam do estudo intitulado Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira, realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, em parceria com a Universidade de Campinas – UNICAMP”.

Arnon Bezerra afirmou que estas previsões são de longo prazo e que os especialistas disseram que esse é o pior cenário.

“O que de fato acontecerá depende de uma série de fatores climáticos e do sucesso das pesquisas.

A própria EMBRAPA está iniciando dois grandes projetos em rede que contemplam o impacto das mudanças climáticas, um deles estuda as doenças e plantas daninhas; o outro traça modelos futuros para o comportamento das plantações e melhoria das espécies.

A intenção é subsidiar políticas públicas que possam reduzir o impacto do clima sobre o agronegócio brasileiro, que tem sido o principal alavancador de nossas exportações”.

O Parlamentar afirmou que o feijão e o arroz, alimentos básicos do brasileiro, contabilizariam prejuízos acentuados: “O primeiro, cujo cultivo é voltado principalmente para o abastecimento interno – 67% da produção vem da agricultura familiar -, teria uma perda calculada da ordem de R$155 milhões em 2020, podendo alcançar R$473 milhões no ano de 2070.

O feijão é produzido em quase todo o Brasil, sendo Paraná, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Goiás e Santa Catarina os principais Estados produtores.

Já o arroz, considerado uma cultura de alto risco, devido à extrema sensibilidade às variações climáticas, em 2020, totalizaria perdas de R$417 milhões e uma redução em sua área apta para o plantio de quase 10% nas áreas produtoras.

Em 2070, as perdas atingiriam R$610 milhões.

Hoje a maior lavoura do arroz encontra-se em regiões com níveis de chuva mais propícios, em especial no centro-norte do Mato Grosso.

Embora não seja possível quantificá-los com precisão, os danos que o aquecimento global causarão na agricultura não serão pequenos.

Esses estudos mostram os riscos que todos nós corremos a partir de agora e no médio prazo”.

“As pesquisas voltadas para o setor permitiram que nas últimas décadas o País aumentasse significativamente a produtividade agrícola, colocando o Brasil em uma posição de liderança mundial.

A continuação dessas pesquisas também pode evitar esse futuro negro.

Esperamos que a situação de crise internacional não venha afetar esse setor tão pujante da economia brasileira, que tem sabido se livrar de sucessivas e graves vicissitudes.

O Brasil tem tudo para ser o celeiro do mundo.

Temos de aproveitar mesmo essa conjuntura internacional desfavorável e usar a nosso favor o momento que nos parece tão adverso”, concluiu o Parlamentar do PTB.

Agência Trabalhista de Notícias