ARTIGO | Graciela Nienov: Dia de luta pelos direitos das mulheres

Agência Trabalhista de Notícias 8/03/2020, 11:56


Imagem Crédito: Jardel da Silva/Divulgação

Mulheres e homens com direitos iguais, deveres iguais, oportunidades iguais. Divisão de tarefas de cuidado igualitárias. Cargos iguais. Salários iguais. Respeito às diferenças. Essas são algumas palavras de ordem que precisamos falar neste dia 8 de março, em que se comemora no mundo inteiro o Dia Internacional da Mulher. Neste dia, todas nós, mulheres, ficamos verdadeiramente felizes com a oferta de uma flor, com qualquer tipo de gentileza, de manifestação carinhosa. Todas nós agradecemos as homenagens e nos emocionamos com o carinho, mas precisamos sempre lembrar o real sentido da criação desta data, que em verdade se chama Dia Internacional da Luta pelos Direitos da Mulher.

Este dia 8 de março é importante para podermos lembrar que, apesar de inúmero avanços no reconhecimento dos direitos da mulher, ainda há inúmeros e recorrentes casos de discriminação às mulheres em praticamente todos os setores sociais. Não é mistério – estão aí as estatísticas para provar – que trabalhamos mais e somos remuneradas de menos, em dupla ou até tripla jornada. Pesquisas realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que, em média, em todo o mundo, os salários das mulheres são 24% inferiores aos dos homens na mesma função. Por que as mulheres continuam recebendo um salário diferente pelo mesmo tipo de trabalho? O nome disso é discriminação, e essa é uma das lutas que nós mulheres precisamos empreender, por maior justiça tanto na distribuição de funções como na questão da remuneração.

A luta pelos direitos das mulheres também deve se impor na questão da violência que sofremos e que parece aumentar cada vez mais. Dados divulgados nos últimos dias revelam que o Brasil teve um aumento de 7,3% nos casos de feminicídio em 2019 em comparação com 2018. Essa alta acontece na contramão da queda o número de assassinatos no nosso país em 2019, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ou seja, os casos de assassinatos caem, mas o feminicídio sobe.

E tudo isso sem contar com todas as outras formas de violência que a mulher sofre. O assassinato é apenas o triste desfecho de um ciclo crescente de violências, que pode envolver violência psicológica, patrimonial, sexual e física.

Temos visto em todo o país, tanto em relação ao governo federal como nos estaduais e municipais, a efetivação de políticas públicas voltadas à prevenção da violência, bem como à assistência e à garantia dos direitos das mulheres. Mas os números provam que essas políticas públicas ainda são insuficientes. Nós, mulheres, precisamos de assistência e garantias mais amplas e efetivas. O poder público precisa atuar com maior empenho para impedir que tantas mulheres sejam assassinadas ou sofram agressões no seu dia a dia.

Também precisamos falar das dificuldades que as mulheres enfrentam para obterem sucesso na vida política e na conquista de espaços de poder. A força que a mulher tem na política brasileira é grande, capaz de fazer transformações significativas e elas têm feito. O eleitorado feminino é maioria. O engajamento da mulher na vida política do Brasil e do mundo demonstra a capacidade delas no comando de um cargo público. Mesmo com a lei que obriga os partidos a estabelecerem cota mínima de 30% de participação de mulheres candidatas em eleições proporcionais, a participação da mulher na política ainda é tímida. Faltam incentivos para que a mulher esteja realmente engajada no cenário político.

Desde a aprovação do Código Eleitoral de 1932, por estímulo do nosso presidente Getúlio Vargas, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar e de serem votadas em âmbito nacional. A luta de mais de 100 anos obteve êxito no dia 3 de maio de 1933, quando, pela primeira vez, uma mulher votou e recebeu votos na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte. Hoje, o sexo feminino é maioria dentre os eleitores do país, porém, a participação efetiva de mulheres nos rumos da política brasileira ainda é significativamente menor que a de homens.

A mulher precisa de mais espaço na política para que ressalte o potencial que ela tem na sociedade. Só assim, poderemos dizer que temos uma sociedade justa e igualitária. A mulher tem determinação e não deixa se abater com obstáculos que o dia a dia impõe. São mulheres assim, de fibra, coragem, vontade, sonhos, esperanças e capacidade para lutar por uma sociedade onde todos tenham oportunidades iguais e com históricos de perseverança que queremos homenagear neste Dia Internacional da Mulher.

Estamos em um ano eleitoral, onde teremos a escolha de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos mais de cinco mil municípios brasileiros. Mais do que certeza, tenho fé e confiança de que neste ano de 2020 nós, mulheres, seremos as grandes vitoriosas nas urnas de Norte a Sul do país. Este é o ano da nossa afirmação, do nosso empoderamento, da nossa conquista de maior igualdade como gestoras municipais e legisladoras nas câmaras de vereadores. Que 2020 seja o ano do início de uma nova mentalidade de igualdade, porque sermos tratadas como iguais e sem violência é tudo que queremos e sonhamos. Vamos à luta, mulher! Vamos à vitória! Feliz Dia Internacional das Mulheres a todas.

* Graciela Nienov é presidente nacional do PTB Mulher