Bancada do PTB no Senado anuncia decisão de sair do bloco do governo

PTB Notícias 22/11/2007, 12:13


A bancada de senadores do Partido Trabalhista Brasileiro rompeu na manhã desta quinta-feira (22/11) com o bloco da maioria governista.

Foi o que informou o líder do partido no Senado, Epitácio Cafeteira, do PTB do Maranhão, após reunião realizada no gabinete da Liderança do partido.

O líder do PTB no Senado afirmou que a bancada terá independência a partir de agora na Casa Legislativa – sem obedecer às ordens da líder do bloco.

“Vamos ter vida própria, não vamos ter uma pessoa que tira e bota membros das comissões”, afirmou Cafeteira.

O senador Romeu Tuma disse ao final da reunião que, apesar da decisão, os petebistas não estão passando para a oposição e sim adotando uma postura “mais independente”, sem fechar questão nem contra nem a favor da aprovação da emenda que prorroga até 2011 a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

“Agora, com uma situação mais independente, o partido vai comunicar à presidência do Senado o rompimento com o bloco da maioria governista, e os senadores (petebistas) pedirão à Executiva Nacional (do partido) que não feche questão em relação à votação da CPMF”, disse Tuma.

“A decisão de deixar o bloco é irreversível.

Isso significa ter independência da base aliada.

Não queremos ser tratados como partido de segunda categoria.

Além do meu afastamento, já havia outros fatores que se acumulavam”, disse Mozarildo.

A decisão do PTB foi uma espécie de desagravo a Mozarildo, que não escondeu sua irritação com a súbita substituição na CCJ provocada pela sua posição contrária à prorrogação da CPMF.

Apesar do episódio, Mozarildo disse que não guarda mágoas da líder do bloco governista no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC) – responsável pela sua substituição.

“Foi algo descortês e mentiroso porque a senadora não consultou o líder do PTB.

Mas eu sou médico e mágoa só faz mal para quem tem.

” Além do PTB, o bloco governista no Senado é composto pelo PT, PR, PSB, PC do B, PRB e PP.

Todos os partidos integram a base aliada do governo, mas alguns têm independência no Senado, como o PDT –que integra a base, mas não o bloco governista na Casa Legislativa.

CPMF Como a bancada está dividida na votação da CPMF, decidiu liberar a bancada para que cada parlamentar escolha por conta própria se vai apoiar ou não a prorrogação do “imposto do cheque”.

Mozarildo e o senador Romeu Tuma (PTB-SP) já anunciaram voto contrário à matéria, enquanto Cafeteira e o senador Sérgio Zambiazi (PTB-RS) definiram pelo voto favorável à prorrogação da CPMF.

Os demais integrantes do PTB ainda não revelaram como votarão – Gim Argello (DF), João Vicente Claudino (PTB-PI).

O senador Fernando Collor de Mello (AL) está de licença e seu suplente, Euclydes Mello (PRB-AL) é de outro partido.

“O partido é institucionalmente contra o aumento de custos, mas não vai fechar questão.

Cada um vota de acordo com a sua consciência”, disse Cafeteira.

Mozarildo afirmou, porém, que apesar da bancada não ter fechado questão sobre a CPMF a executiva nacional do partido vai formalizar a decisão em reunião marcada para o dia 28.

“Vamos deixar completamente em aberto a votação da CPMF, até porque está em cima da hora da votação, não dá para discutir detalhadamente.

Mas o governo não terá sete votos contra a CPMF porque a bancada está dividida”, explicou Mozarildo.

Desvinculando-se da Liderança da Maioria, comandada pela senadora do PT Ideli Salvatti (SC), a bancada do PTB passará a ter um líder próprio, com direito a voz nas sessões do Senado.

Tuma não mencionou os motivos do rompimento, mas o movimento nessa direção começou recentemente quando Ideli Salvatti substituiu Mozarildo Cavalcanti, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois que este decidiu votar contra a emenda da CPMF.

Leia abaixo a nota divulgada pela Liderança do PTB no Senado: Nota à Imprensa A Bancada do Partido Trabalhista Brasileiro no Senado Federal, em reunião realizada hoje, 22 de novembro de 2007, decidiu, por unanimidade, desligar-se do Bloco de Apoio, permanecendo, contudo, na Base do Governo e reafirmando seu compromisso com a governabilidade.

A decisão da Bancada do PTB no Senado ocorreu de forma serena, tranqüila e democrática por entender que só assim o Partido poderá atuar com maior independência e conforme suas decisões internas.

Na reunião, também, foi ressaltado que institucionalmente o PTB adota e recomenda posicionamento contrário ao aumento de impostos.

Em relação à votação da prorrogação da CPMF no Senado, a Bancada decidiu não fechar questão e aguardar o posicionamento da executiva nacional do Partido, que vai se reunir no próximo dia 28 para discutir a matéria.

Bancada do PTB no Senado Federal Agência Trabalhista de Notícias (com Agência Estado e Folha Online)