Brasil reivindica maior participação das mulheres na discussão de reforma

PTB Notícias 2/09/2013, 17:55


“Não se vê, na discussão da reforma política na Câmara dos Deputados, a presença da representação parlamentar feminina.

” A crítica foi feita pela presidente nacional do PTB Mulher, Cristiane Brasil, após gravar inserções do partido que vão ao ar no próximo dia 12 de setembro.

Cristiane se referiu ao grupo de trabalho da reforma política, que foi instalado na Câmara para formular uma proposta de plebiscito com questões referentes a diversos pontos da legislação eleitoral e política.

O grupo possui 13 homens e apenas uma mulher, a deputada Manuela D´Ávila (PCdoB-RS).

“A ideia original de se realizar um plebiscito partiu de uma presidenta, uma mulher que tem uma história de vida muito interessante e muito importante.

Só que na hora dos partidos montarem essa comissão, não se preocuparam em escalar para a sua composição uma quantidade significativa de mulheres.

Dos 14 membros do grupo, só há uma mulher.

Ou seja, as mulheres praticamente não estão representadas nesta discussão do plebiscito para a reforma política.

Eu acho que é uma oportunidade que não se poderia perder, de perguntar à população como que a gente poderia fazer para colocar a mulher em pé de igualdade neste meio que é tão complicado, tão masculino e tão segregador como a política”, afirmou Cristiane.

A presidente do PTB Mulher lamentou que as mulheres não sejam chamadas a discutir os projetos para a reforma política e de realização de consulta popular sobre o tema.

Cristiane Brasil destacou que para haver maior conscientização da mulher sobre a importância de sua participação na vida política do País, é necessário que ela esteja presente em todos os foros de discussão, todos os grupos e comissões, principalmente os que se destinam a rever e aperfeiçoar leis.

A dirigente petebista lamentou que, na maior parte dos casos, as mulheres tenham que “chutar a porta” para garantir sua participação na política partidária, congressual, em Assembleias Legislativas ou Câmaras Municipais.

“Vejam só o meu caso.

Na minha primeira eleição de vereadora, tive dificuldades de vencer a resistência das lideranças masculinas, mas consegui me eleger.

E na Câmara de Vereadores ninguém me ensinava nada.

Tive que aprender o ofício de parlamentar sozinha, enfrentando todas as dificuldades possíveis.

Só que o que difere a minha atuação de algumas outras lideranças femininas é o fato da postura.

E é o que o PTB Mulher sempre faz, ensinar as mulheres a ter poder, deixando claro que o poder não vem de fora para dentro, mas de dentro para fora”, afirmou.

Para Cristiane Brasil, a bancada de deputados e senadores do PTB precisa estar sintonizada com as necessidades das mulheres na articulação de mudanças na legislação.

As mulheres têm posicionamentos sobre diversos pontos da reforma política, e eles devem ser levados em conta na elaboração da proposta de plebiscito para mudanças tanto na lei eleitoral como na que rege o funcionamento dos partidos.

“As mulheres petebistas têm muito a contribuir com a discussão da reforma.

Por exemplo, financiamento público de campanha.

O PTB Mulher segue a posição do PTB Nacional, então somos contra.

Não se pode tirar dinheiro de saúde, educação para colocar em campanhas políticas.

Em todos os países do mundo, os mais importantes, você vê os processos eleitorais todos financiados pela iniciativa privada.

Financiamento público de campanha só é bom para os grandes partidos, que vão ficar com a maior parte para nunca mais saírem do poder.

Ou seja, financiamento público para garantir a desigualdade, financiar a perpetuação? Está errado.

Também queremos debater a participação equilibrada das mulheres na estrutura dos partidos, porque a gente sabe que as agremiações continuam fazendo nominatas para colocar as mulheres apenas porque são obrigados, só para ter nomes para concorrer, mas sem viabilidade eleitoral muito menos apoio”, salientou.

A presidente do PTB Mulher, por fim, fez um clamor ao Congresso Nacional: que as mulheres tenham participação efetiva na discussão não apenas da reforma, mas de uma ampla reformulação da legislação que permita às representantes do sexo feminino ter uma participação maior na política.

“A reforma política é uma discussão exigida pela sociedade.

E nós, do PTB Mulher, queremos discutir as mudanças na lei isso com a população, com as mães, com as trabalhadoras, com as avós, com as meninas, com as jovens, com as mulheres que são a maioria da população.

Está na hora de nós legislarmos em causa própria, está na hora de parar de aceitar as regras que nos são impostas.

Uma comissão na Câmara com 13 homens e uma mulher é a maior demonstração da questão da posição de desigualdade que nós continuamos vivendo no Brasil”, concluiu Cristiane Brasil.

Agência Trabalhista de Notícias (ELM)