Busato critica qualidade de ensino e pede mais investimento em educação

PTB Notícias 16/10/2007, 7:07


O deputado federal Luiz Carlos Busato, do PTB do Rio Grande do Sul, aproveitou a passagem do Dia do Professor, neste 15 de outubro, para homenagear os que trabalham com educação.

Segundo o parlamentar petebista, “a verdadeira revolução, não se faz por armas; não se faz por golpes; não se faz de outra maneira senão pela educação”.

Busato observou que todos os países que atingiram estágios avançados de bem-estar social e de justiça conseguiram isso porque investiram na educação, nos professores, nos alunos e na sua rede escolar.

“Em países como o Japão, os professores possuem excelente salário.

Na França, os mestres querem continuar na ativa porque ganham mais do que quando se aposentam”, exemplificou.

No entanto, na avaliação de Busato, a educação brasileira ainda é ruim e o Brasil “está perdendo o bonde da história”, pois enfrenta problemas como a alocação de recursos e precisa implantar métodos certos para os lugares certos.

O parlamentar do PTB gaúcho salientou que os países desenvolvidos estão massificando o ensino universitário, enquanto o Brasil continua tendo uma universidade voltada para a elite.

“Os países desenvolvidos já estão há décadas com 100% de matrícula no ensino primário e no ensino secundário”, alertou.

Para ele, abriu-se um abismo, não só entre o Brasil e os países desenvolvidos, mas também entre os países em desenvolvimento, como a China e o Chile, que estão avançando na área educacional.

Luiz Carlos Busato criticou o que considera falta de qualidade, principalmente nos primeiros anos da educação fundamental.

De acordo com dados citados pelo deputado, no Brasil cerca de 24% dos alunos do ensino fundamental são obrigados a repetir de série, pelo menos um ano, o que representa a maior proporção de toda a América Latina.

É uma taxa mais alta que a do Paraguai, que tem 14% de repetência, ou da Indonésia, com 11%.

Já nos países desenvolvidos, esse percentual é de 3%.

“Isso significa que na primeira série do ensino fundamental está se condenando um quarto da população brasileira ao atraso, à repetência e aos problemas de baixa auto-estima”, afirmou.

Além disso, segundo Busato, os métodos de alfabetização no Brasil “andam na contramão”.

A taxa de evasão escolar, disse, era de 5,2% em 1997, e aumentou para 8,3% em 2001.

Nos cursos noturnos, essa proporção chega a 35%.

Somente 27,6% dos alunos da rede privada que fizeram as provas de matemática e de língua portuguesa tiveram desempenho considerado adequado pelo Ministério da Educação.

Apenas 3,7% dos alunos das escolas públicas foram bem no teste de português e 2,1%, em matemática.

Apesar das críticas, o deputado citou alguns avanços na área, como a arrecadação para repasses da União a estados e municípios relativos ao salário-educação, que saltou de R$ 3,7 bilhões, em 2002, para R$ 5,9 bilhões, em 2005.

Já as transferências voluntárias da União, que em 2002 atendiam 497 municípios, passaram a atender 1625, o que, segundo Busato, permitiu ampliar o acesso a projetos federais voltados para a formação de professores, reforma e construção de escolas, equipamentos e materiais pedagógicos.

fonte: Jornal da Câmara