“Chinaglia pediu que eu não revelasse mensalão”, diz Jefferson ao Estadão

PTB Notícias 19/07/2012, 12:24


Leia abaixo reportagem e entrevista com o Presidente do PTB, Roberto Jefferson, publicada pelo jornal Estado de S.

Paulo nesta quinta-feira (19/07/2012): Às vésperas do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse que o deputado federal Arlindo Chinaglia (SP), então líder do governo, ofereceu uma “saída pela porta dos fundos” para que não seguisse com a denúncia que abalou o governo petista em 2005.

Pela proposta, Jefferson entregaria a presidência do PTB ao então ministro Walfrido dos Mares Guia (hoje no PSB).

Depois, seria escalado um “delegado ferrabrás” para tocar o processo e um relatório pelo não indiciamento do petebista.

“Acharam que eu ia me acovardar.

Me confundiram com o Valdemar Costa Neto.

De joelho eu não vivo, eu caio de pé”, disse Jefferson ao Estado antes da Convenção Nacional do PTB, nessa quarta-feira, 18, em Brasília.

Durante mais de três horas, discursos enalteceram a “coragem” do ex-deputado por denunciar o maior escândalo do governo Lula.

A reunião do PTB foi feita para mostrar ao Supremo que Jefferson não é um “qualquer” e que goza de prestígio em seu partido.

Ideia do advogado do réu petebista, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que sugeriu antecipar o evento, previsto para novembro, e transformá-lo em “convenção-homenagem”.

Estadão – Carlinhos Cachoeira deveria falar tudo o que sabe à CPI?Roberto Jefferson – Ele é um homem de negócios, não é um homem público.

O político tem o patrimônio moral, que é a imagem, para preservar.

Ele é chamado de bicheiro, seus negócios nunca foram, assim, muito dentro da lei.

Será que ele está zangado? Tem mais é que se preservar mesmo.

Estadão – Ao denunciar o mensalão, o sr.

queria preservar sua imagem?Roberto Jefferson – Claro.

Me foi oferecida a troca: eu sairia da presidência do PTB, a daria ao Walfrido.

Seria nomeado um delegado ferrabrás para o processo.

E o relatório seria pela minha absolvição, pelo não indiciamento.

Quer dizer, eu viveria de joelhos, sairia pela porta dos fundos.

Eu falei: “Não vou, não.

Entrei pela porta da frente e vou sair pela porta da frente.

Ou vocês arrumam isso que vocês montaram ou vou explodir isso”.

Não toparam e foi o que eu fiz.

Acharam que ia me acovardar, que eu tinha jeito de Valdemar Costa Neto (presidente do extinto PL, hoje PR, e réu do mensalão), que ia renunciar para depois voltar.

De joelho eu não vivo, caio de pé.

Fiz o que tinha que fazer.

Fui julgado errado pela turma do PT.

Estadão – Quem fez essa proposta?Roberto Jefferson – O líder do governo (Arlindo) Chinaglia foi à minha casa e fez a proposta.

Eu disse: “Não tem a menor chance de dar certo.

Não vai para frente”.

Estadão – Arrependeu-se?Roberto Jefferson – Não.

Não dá para dar uma de galo mutuca e fugir.

Vai olhar o neto no olho como? “Vovô foi acusado, renunciou para não ser cassado.

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” Isso é conversa de vagabundo, tô fora.

Estadão – Como avalia o impacto do julgamento nas eleições municipais? Roberto Jefferson – Prefiro agora do que em 2014.

Está na hora de ser julgado.

O João Paulo Cunha (candidato pelo PT em Osasco) é o único que pode se prejudicar agora.

Estadão – Haverá surpresa?Roberto Jefferson – Para mim, a sentença que virá – absolvendo ou condenando – é que ninguém mais pode abusar.

Quem é processado sofre, todos devem estar sem dormir, como eu.

Digo por mim, o processo em si já é uma punição.

Estadão – De 2005 para cá, houve mudança na postura política brasileira?Roberto Jefferson – Ah, mudou.

Até a própria mudança do Lula para a Dilma.

O Lula era tolerante com esses abusos, a Dilma, não.

O sinal amarelo está aceso para todos.

Agora tem que deixar tudo claro.

Quando chega uma doação, a gente quer saber de onde vem, quem está mandando, o que ele quer.

Antes, se vinha dinheiro, vinha dinheiro.