Chuva já apaga a crise do gás

PTB Notícias 3/11/2007, 9:24


As chuvas dos últimos dias não vão apagar definitivamente o fogo cruzado entre Petrobras e distribuidoras, mas acabarão com o incêndio ao menos na próxima semana.

Por causa das chuvas e do aumento do nível dos reservatórios das hidrelétricas, já estão menores os preços da energia no atacado.

Quando sobra água e o preço cai, as térmicas não precisam ser acionadas e sobra gás natural da Petrobras para outros consumidores.

O volume de produção no País somado à importação da Bolívia é insuficiente para abastecer indústrias, automóveis e térmicas ao mesmo tempo.

Os preços da energia no mercado livre ainda não voltaram aos mesmo nível de antes da crise de abastecimento que marcou a vida de taxistas e donos de indústrias na semana passada.

Mas a queda é suficiente para dar preferência do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) à geração hidráulica – e não por térmicas a gás, que custam mais caro.

De acordo com dados da Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE), cada MegaWatt/hora será vendido a R$ 223,29 no mercado livre de energia na próxima semana.

Na semana passada, quando a Petrobras racionou gás para postos de gasolina e indústrias, o preço havia disparado para R$ 237,6.

Na semana anterior ao racionamento, o preço era de R$ 209 cada MWhora médio, tanto na região Sudeste como Norte, Sul e Nordeste.

Segundo uma fonte relacionada ao despacho de térmicas, “as chuvas estão caindo onde têm que cair”.

O nível dos reservatórios está melhorando, sobretudo em Minas Gerais, um dos principais pólos de geração das hidrelétricas.

Diante disso, o ONS, não precisará mover as térmicas a gás, segundo observa essa fonte.

Pelo menos por enquanto.

Tanto que anteontem, segundo o último relatório do ONS disponível no site, o uso das hidrelétricas para gerar energia foi maior que o planejado pelo Operador.

E a redução do nível de energia armazenada continua, mas o ritmo diminuiu bastante: de 1,8% da penúltima semana de outubro para 0,3% no dia 31.

O preço da energia, contudo, ainda está nas alturas.

No começo do mês de outubro, cada MW/hora foi negociado a R$ 168.

A razão foi a disparada do consumo: indústria se preparando para vendas fortes neste Natal e temperatura elevada (que aumenta o consumo residencial).

A geração de energia elétrica cresceu 7,5% em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo o ONS.

O aumento foi mais forte no Sudeste e Centro-Oeste, onde a indústria está concentrada.

Nesta região, houve aumento de 9,3% em relação a outubro de 2006.

Ontem, a imprensa japonesa divulgou que a Petrobras vai adquirir o controle de uma refinaria daquele país, mas a estatal não comenta a notícia.

Fonte: Agência JB.