Cientistas políticos avaliam a influência das pesquisas sobre o voto do eleitor

PTB Notícias 21/09/2006, 15:27


Nesta reta final das eleições, os candidatos ficam de olho nos resultados das pesquisas eleitorais.

Por causa das pesquisas, alguns eleitores modificam o seu voto, um fenômeno conhecido como ‘voto útil’, e até doadores definem quais candidatos vão ajudar.

O cientista político da UnB, Ricardo Caldas, explica o ‘voto útil’:”Nenhum eleitor gosta de desperdiçar seu voto.

Então, quando você divulga que um ou dois candidatos estão na frente ou três candidatos estão embolados na frente, a tendência do eleitor é de, caso ele tivesse algum outro candidato que não fosse um daqueles dois ou três, abandonar o seu candidato e ir para os candidatos da maioria”.

José Alves Donizeth, também da UnB, afirma que as pesquisas também influenciam aquele eleitor que está indeciso:”Sobretudo quando nós levamos em conta que uma boa parte do eleitorado define os seus candidatos tardiamente, não as candidaturas majoritárias, mas, por exemplo, as candidaturas para deputado estadual, federal, a definição é tardia.

Ou seja, a maioria dos eleitores só após um longo processo de maturação que acaba por fim definindo as suas preferências.

Muitos desses eleitores que não têm uma convicção clara com relação as suas preferências se deixam influenciar por essas pesquisas”Existem diversos tipos de pesquisas, mas Donizeth destaca a importância das espontâneas.

Ou seja, aquela pesquisa na qual o eleitor declara o seu candidato sem ser apresentado a uma lista como acontece na pesquisa estimulada:”Quando o voto é espontâneo, quanto a pessoa afirma rapidamente, sem nenhum tipo de influência externa qual é a sua preferência dificilmente há erros nos resultados finais porque a pessoa já tem uma posição firmada.

Agora, quando você estimula nem sempre você colhe uma amostragem fiel porque a pessoa, muitas vezes, se deixa influenciar pelo ambiente, pelo meio, pela circunstância”.

E alguns candidatos também se valem de pesquisas próprias para saber o que devem prometer aos eleitores.

Mas, como explica Ricardo Caldas, a estratégia pode ter um efeito ruim:”Em termos de curto prazo isso aí é excelente porque ele vai para uma campanha refletindo a opinião do eleitorado.

Só que ele corre o risco muito grande de ser desmascarado porque ele acaba virando um produto.

Ele trata o eleitor como um produto, ele se coloca como um produto e busca então uma relação comercial entre ele e o eleitorado”Para minimizar a influência das pesquisas, a minirreforma eleitoral pretendia proibir a sua divulgação 15 dias antes das eleições.

Mas o dispositivo foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal porque, segundo o tribunal, fere o direito à informação.

fonte: Rádio Câmara