Clique para ler entrevista do deputado José Geraldo ao Jornal Opção (GO)

PTB Notícias 8/12/2007, 10:35


Leia abaixo entrevista do deputado estadual José Geraldo, presidente do Diretório Estadual do PTB tocantinense, ao Jornal Opção, de Goiânia;ENTREVISTA COM O DEPUTADO JOSÉ GERALDO (PTB-TO)”Vejo que houve um amadurecimento do Parlamento tocantinense no sentido de buscar a independência”Jornal Opção – O PTB está estruturado em todo o Estado, com condições de disputar as eleições municipais com candidaturas próprias em algumas cidades?Hoje, temos estruturadas 100 comissões provisórias e a nossa meta é atingir todos os 139 municípios tocantinenses até o final deste ano.

É um momento novo do PTB no contexto estadual.

O que nós estamos sentindo no contato com as lideranças nessas cidades é que o partido está se oxigenando para as eleições de 2008, com um perfil mais voltado ao jeito novo de fazer política.

Jornal Opção – Que jeito novo é esse? Uma política que olha nos olhos, uma política verdadeira, da honestidade, do princípio ético e da moral, que tanto o povo clama pelo Brasil afora.

Os eleitores querem confiar nos políticos e a situação é muito difícil.

Então, o PTB, no Tocantins, tem esse perfil de confiabilidade.

As pessoas acreditam na proposta que estamos levando, de lutar verdadeiramente pelos interesses do povo, não por interesses de determinados grupos ou de quem esteja no poder em determinado momento.

Jornal Opção – O PTB reúne condições político-eleitorais para lançar candidaturas a prefeito nos principais colégios eleitorais do Estado? Com certeza.

Nós fazemos parte de um processo para o próximo ano, em que o PTB vai buscar candidaturas próprias.

Nós fazemos parte de um grupo maior e, onde o partido não tiver candidatos, estaremos, com certeza, apoiando o candidato desse grupo para ganhar a eleição.

Jornal Opção – O senhor vai tentar, pela terceira vez, a prefeitura de Paraíso, sua principal base eleitoral? Não.

Eu tenho dito reiteradas vezes que nós, políticos, temos que estar à disposição do povo.

O que decide uma eleição é a vontade popular.

Hoje, estou atendendo à solicitação do povo, exercendo um mandato de deputado e defendendo os interesses do povo do Tocantins.

Amanhã, se houver um clamor forte pela minha candidatura, seja lá a que cargo for, com certeza estarei avaliando e atendendo a esse apelo.

Jornal Opção – O senador João Ribeiro, do PR, é hoje o grande comandante das oposições no Estado.

O senhor não acha que ele está se preparando para se lançar candidato a governador em 2010? Olha, sem sombra de dúvidas, o senador João Ribeiro tem um papel preponderante na coordenação dos partidos de oposição, no que diz respeito às eleições de 2008.

Temos grandes nomes no nosso grupo.

E com certeza, aquele que estiver mais conectado com as lideranças é quem vai estar puxando não só o processo de 2008, mas de 2010, 2014 e assim por diante.

O nosso grupo tem todas as condições de ocupar os melhores espaços a partir do próximo ano.

Jornal Opção – A bancada de oposição na Assembléia Legislativa tem encontrado dificuldades para emplacar projetos mais polêmicos, por contar apenas com um terço dos parlamentares na Casa? Em qualquer estado democrático de direito, os governantes têm na oposição um termômetro, um sinalizador para detectar se a sua administração vai bem ou mal.

E aqui no Tocantins parece que desprezam esse termômetro.

Nós fazemos o nosso trabalho de defender a aplicabilidade da lei na sua plenitude, zelar e fiscalizar a boa aplicação dos recursos públicos.

E todas as vezes que a gente percebe que alguma coisa não vai bem, estamos aqui pontuando.

Se a bancada situacionista não toma providências ou ignora o que a oposição está apontando é, muitas vezes, por falta de competência e respeito.

Na verdade, o que nós estamos fazendo é um trabalho sério para que os recursos, que são do povo, sejam aplicados uniformemente em benefício do povo.

E que esses recursos não sirvam para atender interesses espúrios de pequenos grupos que se estabelecem em determinados momentos, de tempos em tempos, nos governos.

Jornal Opção – O senhor acha que a bancada governista tem trabalhado sob o comando do Executivo, em rédeas curtas? A própria imprensa noticiou diversas vezes essa ligação que faz com que as pessoas não tenham a visão própria, não façam valer a sua vontade e o seu mandato outorgado pelo povo.

Contudo, cada parlamentar tem o direito de agir conforme acha mais conveniente no exercício do seu mandato.

O que nós avaliamos é que a bancada governista é contra até votos de aplauso.

A gente chega a uma conclusão de que não se está analisando matéria por matéria.

Existe um pensamento único que só vota aquilo que o governo autoriza, o que acaba prejudicando o parlamento e o desenvolvimento da atividade parlamentar.

Jornal Opção – Isso pode colocar em xeque, em descrédito, o trabalho do Legislativo? Há muito tempo, a imprensa noticia, dia após dia, a falta de crédito nos parlamentos do país.

Há muito desinteresse, o povo reclama, há ondas e mais ondas de corrupção e falcatruas, a exemplo do mensalão e de outros escândalos que passaram nos telejornais nos últimos meses.

É o momento de fazer uma reflexão, de repensar a maneira de se fazer política, sobretudo no que concerne aos parlamentos.

O parlamento tem o seu valo no estado democrático e de direito.

Precisamos fortalecer a democracia, com a harmonia entre os poderes, mas, sobretudo, com a autonomia necessária aos parlamentos para que eles possam, efetivamente, resguardar o seu espaço.

Não podemos ser uma extensão do Poder Executivo.

Precisamos ter a nossa autonomia, a nossa independência.

Jornal Opção – Quanto às CPIs, elas vão chegar a um final, ou é só um assunto que vai estar na mídia mas não vai dar em nada? A CPI da Saúde — e estou emitindo uma opinião totalmente pessoal — está embasada em fatos concretos que precisam ser apurados, precisam ser aprofundadas as investigações, haja vista que os próprios técnicos do Tribunal de Contas do Estado disseram, em seu relatório, que ficou uma parte grande das contas sem analisar.

Então, é uma CPI necessária, que efetivamente precisa dar uma resposta à sociedade sobre a razão de estar acontecendo tanta coisa ruim na saúde.

Temos pessoas sem atendimento, pessoas que estão morrendo porque aguardam tempo demais uma cirurgia eletiva, pessoas que ficam dentro de ambulâncias ou em macas aguardando infinitamente um atendimento que não chega.

Temos visto denúncias de diversos médicos sobre essa situação.

Dias atrás, o presidente do Sindicato dos Médicos veio a publico externar sua preocupação com a falta de condição de trabalho dos médicos.

Recebemos denúncias dos hospitais regionais, dizendo que faltavam bisturi e escalpe para colocar soro nos pacientes.

Faltando sonar para ouvir o coração da criança na barriga da mãe, faltando antibiótico, faltando até remédios.

Onde foram parar os recursos que vieram para atender a comunidade, sobretudo a mais carente? Então, vem o relatório do Tribunal de Contas e mostra gravíssimos indícios de desvios de recursos e isso precisa ser apurado em plenitude.

Um esclarecimento precisa ser dado ao povo do Tocantins.

Quanto à outra CPI (do TCE), a avaliação que eu faço é que ela foi solicitada porque poderia existir uma segunda CPI, a pedido da oposição, na área das licitações.

Como o Regimento Interno da Casa não permite mais que duas CPI em funcionamento ao mesmo tempo, a bancada governista se antecipou para evitar que nós da oposição entrássemos com outra.

Como já pronunciei em outras ocasiões, da tribuna dessa Casa, existe a farra da dispensa de licitação no governo do Estado.

Aqui, tudo é passível de se dispensar licitação, até compra de pneus para veículos, de medicamentos e cadeiras.

Enfim, tudo aquilo que não é permitido, inclusive no setor de comunicação, em que são contratadas agências de publicidade sem lititação.

Jornal Opção – A oposição vai se utilizar dessas denúncias nos palanques, durante a campanha eleitoral do ano que vem? Acredito que não.

Temos um projeto de trabalho, independentemente dessa questão de denuncismo.

O que temos que avaliar é que, na atividade parlamentar, a temos prerrogativas e atribuições.

A nossa obrigação é fiscalizar a correta aplicação do dinheiro público.

Hoje, estamos buscando dar transparência a um governo que se diz moderno, democrático e humano.

Estamos simplesmente cobrando o que vem sendo apregoado pelo governo.

Moderno significa ser transparente, colocar todos os gastos na Internet.

Mas recusaram um requerimento nosso solicitando que o governo colocasse na internet a relação de todos os servidores comissionados.

Temos uma infinidade de requerimentos que a oposição apresentou ao longo desse ano que tão-somente solicitavam a transparência das ações do governo.

Mas, infelizmente, até voto de aplauso, de autoria da oposição, é negado nessa Casa.

Jornal Opção – Na sua avaliação, o presidente da Assembléia, Carlos Henrique Gaguim (PMDB), tem conduzido bem os trabalhos ou tem tido uma postura de parcialidade? Ele tem feito, dentro das possibilidades, um trabalho que busca o interesse do povo tocantinense.

Tem procurado a harmonia com os outros poderes.

Dentro desse trabalho, a gente percebeu um momento em que estava realmente caminhando ao encontro da busca da democracia.

Nós imaginamos e gostaríamos que existisse, na prática, essa independência dos poderes.

Contudo, as dificuldades são grandes, principalmente orçamentárias.

Efetivamente, trabalhar com um poder que sempre esteve atrelado ao Executivo é mais difícil.

Mas, eu vejo que houve um amadurecimento do Parlamento tocantinense no sentido de buscar a independência financeira e, a partir daí, com certeza virá a independência ideológica, para se fazer aquilo que o povo outorgou a cada um dos deputados.

Jornal Opção – O Projeto Assembléia Participativa é um caminho para uma maior autonomia do Legislativo? O projeto Assembléia Participativa deveria ter existido desde o princípio porque é um projeto que leva o parlamento até o povo, e dá a condição do povo de participar, mais proximidade junto a seus representantes, trazendo suas reivindicações, solicitando de seus representantes que efetivamente trabalhem no sentindo de fazer não aquilo que o político acha que o povo precisa que seja realizado mas aquilo que realmente o povo necessita precisa e almeja.

Jornal Opção – Existe uma proposta do deputado federal Osvaldo Reis de excluir o Tocantins da Amazônia Legal.

Isso não vai causar prejuízo para o Estado em termos políticos e econômicos? Essa é uma matéria extremamente complexa.

Temos que avaliá-la com muito cuidado, com profundidade, para não incorrermos em erros gravíssimos que possam afetar o futuro das novas gerações.

Jornal Opção – Em relação ao CPMF, o senhor tem batido nessa tecla e se posicionado a favor da sua extinção.

Encaminhei requerimento solicitando votos de aplausos ao presidente da Fiesp pelo trabalho que vem desenvolvendo pelo Brasil afora, na luta pela redução da carga tributária e, nesse momento, batendo em cima da CPMF, que é um tributo que tira principalmente do mais pobre, do trabalhador, uma parcela significativa dos seus ganhos durante o ano.

Recentemente, tivemos notícia veiculada pela mídia nacional de que, dependendo da categoria, trabalha-se sete dias por ano para pagar a CPMF e outras até 12 dias.

Então, essa conversa de que a CPMF atinge ao rico está muito distante disso, ela atinge primeiro é o pobre e é por isso que qualquer pessoa que tenha uma noção clara na área da tributação sabe claramente que qualquer aumento em carga tributária afeta primeiro o mais pobre.

Todo e qualquer tributo, seja ele imposto, contribuição ou taxa, é repassado para a formação de preço de venda e vai para o produto final.

Então, quem compra o remédio, o leite, o pão, a margarina, o café e o arroz, esse está pagando a carga tributária na sua totalidade.

Então, pensar que vai aumentar carga e vai melhorar alguma coisa para o pobre é ledo engano.

Nós que temos essa percepção de economia com mais profundidade, temos a obrigação de lutar contra todo e qualquer aumento de imposto, todo e qualquer tributo, porque o que nós entendemos é que o país já tem uma das maiores cargas tributárias do planeta, senão a maior, e não há como haver crescimento sustentável, não há como haver distribuição de riqueza.

As desigualdades sociais e econômicas só vão ser reduzidas se a gente preparar o país para crescer.

O governo brasileiro precisa gastar melhor os recursos de que já dispõe.

Até citei no meu pronunciamento que se tirar a CPMF desse último ano ainda assim a arrecadação cresceu 6% a mais que o ano anterior com a CPMF.

Se o ritmo de crescimento de arrecadação é galopante, por que não fazer o dever de casa, porque não começar a lutar contra essa corrupção maldita que se estabeleceu no país? Por que não lutar contra essa burocracia que atrapalha e desestimula qualquer empreendedor a trabalhar? Nós precisamos é fazer a coisa certa, nós estamos gastando muito mal, os nossos governos gastam muito mal, fazem caridade com o chapéu alheio, o governo tem que parar com isso, o governo tem que ser responsável, tem que ser austero, porque aí, com o dinheiro que já existe, com certeza haveremos de ver noticiários muito melhores.

E essa história de pessoas morrendo por falta de atendimento nos hospitais será simplesmente algo triste da história do nosso passado.

Se fizermos o dever de casa, se trabalharmos com seriedade e aplicar bem o que já existe, fechar os ralos por onde estão saindo esses recursos, sem sombra de dúvidas, o Brasil será uma das grandes nações desse planeta.

Jornal Opção – E o Tocantins está no caminho certo em termos desenvolvimentistas, desse processo de industrialização? O Tocantins é um Estado muito novo e por esse fato é que alcançou uma infra-estrutura numa velocidade recorde, se comparada a outros Estados da federação.

Tínhamos que ter avançado muito mais, porque somos um Estado que tem uma dívida muito pequena, uma vez que começamos agora, podendo usufruir da experiência dos erros dos outros Estados.

Portanto, poderíamos começar sem erros.

Quando assistimos algum tipo de ação que a gente não vê, do ponto de vista de longo prazo, mas de curto prazo para atender esse ou aquele segmento, fica preocupado.

A visão que temos é de construção de alguma coisa para o futuro, mas com ganho no presente.

A responsabilidade que os governantes têm de ter é efetiva: eles precisam pegar o recurso que existe e aplicá-lo bem.

As notícias e rumores de má aplicação de dinheiro público nos assustam muito.

A falta de licitação diminui a concorrência, diminui a perspectiva de se comprar melhor por um preço menor.

Os apostilamentos mostram uma faceta que nos preocupa demais.

Tem muita coisa que precisa melhorar nesse Estado.

A nossa saúde era para ser a melhor do país, porque o Tocantins é um estado pequeno e tem uma população pequena.

Existem problemas que vêm se arrastando há anos, que já poderiam estar resolvidos.

Agora, a segurança pública se apresenta como mais um gargalo que mostra que faltam investimentos há muito tempo.

Também a educação poderia estar muito melhor.

Poderíamos estar pensando em ter computadores em nossas salas de aula, porque as escolas, praticamente todas, foram construídas há pouco tempo.

A população não vem crescendo a ritmo galopante e o que já foi construído dá para atendê-la.

Percebemos que existem estruturas que não estão sendo usadas e, ao mesmo tempo, a gente vê prédios locados.

Então, estamos precisando analisar um pouco melhor a estrutura de nosso Estado, no sentido de aproveitar o que existe, de economizar.

Precisamos fazer o dinheiro render.

Jornal Opção – O senhor acha que a folha de pagamento dos servidores estaduais chegou ao seu limite, a ponto de comprometer as finanças do Estado e os investimentos? Com certeza, a capacidade de investimentos do Estado diminuiu muito.

Do segundo semestre de 2005 para cá, venho assistindo a imprensa noticiar reiteradas vezes que o Tocantins é o Estado que mais tem funcionários comissionados no país.

Aliás, chegaram a fazer uma comparação com os comissionados da União, quando ficou constatado que aqui existem mais servidores em cargos em comissão que no governo federal.

Isso nos preocupa muito.

Precisamos ter a quantidade necessária de servidores para atender às demandas da nossa comunidade.