Collor considera correta posição do Brasil em relação ao conflito na Líbia

PTB Notícias 23/08/2011, 14:02


A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado vêm acompanhando o conflito líbio e em geral a situação no norte da África e no Oriente Médio por meio de audiências públicas.

No semestre passado, os senadores ouviram diplomatas e especialistas no assunto.

Para o presidente da CRE, senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, a dúvida é sobre as reais motivações dos países europeus e dos próprios Estados Unidos para interferir no conflito.

“Achamos que essa ação militar contra a Líbia, por parte da Europa Mediterrânea, com apoio dos Estados Unidos, careceu de uma razão maior que a justificar-se.

Ou seja, houve a invasão e todo mundo esquece-se de perguntar: mas por quê? O que aconteceu? O que fez a Líbia agora recentemente comparando com o que fez há 40 anos e as forças da OTAN e do ocidente não tomaram nenhuma atitude”, disse Collor.

O Brasil e outros quatro países se abstiveram na votação no Conselho de Segurança da ONU, que estabeleceu a zona de exclusão aérea sobre o território líbio.

Para o parlamentar petebista, a posição foi correta.

“Mas também tentar impedir com o seu voto forças terrestres, assistência militar dos países ocidentais que fossem acionados para a questão da Líbia”, acrescentou.

O senador está preocupado com a possibilidade de a Líbia se mantenha em situação de conflito mesmo com a derrubada de Muamar Kadafi.

“Será um novo Afeganistão? Será um novo Vietnã em menor escala, que começou exatamente assim.

Houve uma intervenção e logo depois foi aprovada a ida de assistentes militares e, então, a guerra tomou corpo e resultou num desastre que todos nós acompanhamos”, argumenta Collor.

O ex-presidente da República destacou ainda que a grande pergunta é se a Líbia passará por um processo de transição semelhante ao do Egito, onde foram convocadas eleições democráticas ou terá uma situação diferente devido à sua estrutura tribal.

“Esses líderes dessas 400 tribos dentro da Líbia elas tinham no Kadafi um fator gregário de aglutinação.

Desaparecendo o Kadafi, como é que vai se sentar numa mesa as potências ocidentais que comandaram esse processo e os 400 líderes tribais, para dentre eles inçar um que esteja de acordo com a filosofia do ocidente?”, questiona o senador.

De acordo com Fernando Collor, a Comissão de Relações Exteriores continuará acompanhando com atenção a situação desse país do norte da África.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações da Rádio Senado