Collor defende que Congresso rejeite PEC que exige diploma de jornalismo

PTB Notícias 1/12/2011, 18:05


O senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, defendeu nesta quarta-feira (30/11/2011), em discurso no plenário, que o Congresso rejeite a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33/2009, de iniciativa do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que exige o diploma de curso de nível superior em jornalismo para exercício da função de jornalista.

Segundo Collor, a medida representa a gênese da tentativa de criar no Brasil o chamado “controle social da imprensa”.

“Contra isso temos de nos insurgir.

Não podemos permitir que essa emenda venha a ser a gênese do controle social dos meios de comunicação que, no nosso entender e de muitos companheiros aqui do Senado, têm de ter a total liberdade para exprimir a sua opinião, exprimir o seu sentimento e refletir nas suas páginas o que ouvem nas ruas, o que escutam nas esquinas”, disse o petebista.

A PEC foi aprovada, nesta quarta, em primeiro turno com 65 votos sim e sete votos não.

Ainda será preciso aprovar o projeto em segundo turno.

A matéria segue na ordem do dia do plenário até que um novo acordo entre lideranças partidárias permita sua votação.

Collor, que é jornalista, disse ainda que os cursos de jornalismo, nos últimos anos, estariam formando “analfabetos funcionais”, que não conhecem a Língua Portuguesa e não cumprem as regras mínimas do jornalismo, como saber apurar a notícia.

“Eles estão aprendendo nessas universidades aquilo que nós outros jornalistas, que não tivemos que passar por esses bancos universitários para exercermos livremente a nossa profissão, aprendemos no dia a dia e na labuta das redações”, afirmou.

Para o senador, exigir o diploma para exercer a função de jornalista “é a mesma coisa” quer querer exigir diploma para que os repórteres-fotográficos que trabalham em jornais e em outros veículos de comunicação também tenham esse diploma.

Segundo ele, a fotografia, como a grafia, é uma arte, dessa forma “não pode ser aprisionada pela exigência de qualquer tipo de diploma, nem de qualquer tipo de curso que venha se impor”.

“Mais importante do que a presença desses analfabetos, muito mais importante é que essa emenda constitui-se no embrião daquilo que será, em algum momento, se nós daqui do Senado não tomarmos conta e cuidado, o controle social dos meios de comunicação, o que é um atentado aos princípios e aos fundamentos democráticos brasileiros”, acrescentou Fernando Collor.

Agência Trabalhista de Notícias, por Felipe MenezesFoto: Felipe Barra/Agência Senado