Collor diz que ‘não há mais como esconder problemas de infraestrutura’

PTB Notícias 27/03/2014, 19:17


O senador Fernando Collor (PTB-AL) abriu, nesta quinta-feira (27/3/2014), o 1º Fórum Nacional de Infraestrutura chamando atenção para a necessidade de o país desatar seus entraves logísticos se quiser de fato crescer economicamente.

Segundo ele, após o período recente de desenvolvimentos de diversos setores, como agropecuário, industrial e social, os problemas ficaram ainda mais evidentes.

“Se antes as precárias condições de nossa infraestrutura eram de certa forma amainadas pela baixa demanda de serviços em setores como transportes e energia, hoje não há mais como escondê-las.

A ascensão de significativa parcela da população à classe média descortinou, por exemplo, a necessidade de uma nova estrutura aeroportuária, assim como os sucessivos recordes da safra agrícola clamam por um sistema completo de armazenagem e escoamento.

Sem estrada e transporte, a economia não anda; sem energia, ela se apaga; sem sistema de comunicação eficiente, ela se cala; sem saneamento, ela adoece”, afirmou.

Ao lembrar que o saneamento é outro problema grave de infraestrutura e que passa despercebido dos governos por ser considerado um “filho rejeitado das políticas públicas”, Collor sugeriu a criação do Mais Engenheiros, nos moldes do programa Mais Médicos, lançado recentemente pelo governo federal.

“Sabemos que um dos principais déficits desse setor está relacionada à precariedade de projetos, especialmente no âmbito dos municípios, que não têm engenheiros.

Talvez tenhamos que instituir o Mais Engenheiros para suprir as carências de projetos nos mais longínquos rincões do país, onde o problema é ainda mais latente”, opinou.

Ele lamentou o fato de o Brasil conseguir universalizar serviços muito mais complexos, como energia e comunicações e não solucionar a falta de saneamento.

“Cerca de 90% da população do Norte do país continua desassistida e sem rede de esgoto sanitário”, afirmou.

FiscalizaçãoO parlamentar do PTB reconheceu que o governo tem tomado providências para solucionar muitos dos problemas, mas alertou que a situação é muito mais complexa.

Como exemplo, citou os 300 dias necessários para que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) conclua um processo licitatório na modalidade de concorrência pública.

O senador não poupou críticas à burocracia e à tecnocracia enraizadas na cultura e história do país, as quais, segundo ele, fizeram a administração pública perder o rumo da eficácia.

Collor também criticou os sistemas de fiscalização, auditoria e controle adotados hoje no país, que sofrem com a falta de critério e bom senso.

Ele citou a paralisação de obras de grande importância por pequenas questões burocráticas, resultando em atrasos, prejuízos e interrupções muito mais danosas à população.

“O Brasil carece acima de tudo de bom senso e de realismo na administração pública, a começar pelos setores de licenciamento, auditoria e fiscalização.

Hoje viramos reféns da auditocracia, da controlocracia e da licenciocracia.

Todas adeptas da letra fria da lei e com peculiaridades, como a estreiteza de horizontes e a insensibilidade perante as reais necessidades do país”, disse.

ComissãoO senador aproveitou para falar sobre as atividades da Comissão de Infraestrutura, que tem realizado uma média de 30 audiências públicas por ano, além de simpósios, ciclos de debates e painéis, com a participação de autoridades, especialistas e também do público em geral, por meio dos meios de comunicação do Senado.

Na opinião dele, a comissão vem cumprindo o papel do Parlamento: debater tecnicamente e mostrar politicamente os rumos para a melhoria do país.

Para Collor, no entanto, o momento de diagnóstico já passou e é hora de partir para a prática, daí a importância deste seminário, que deve resultar em propostas claras e pragmáticas.

O 1º Fórum Nacional de Infraestrutura prossegue à tarde, com mesas redondas sobre grandes temas relacionados ao setor, como energia elétrica e transporte de passageiros.

Os trabalhos vão ocupar os plenários das comissões do Senado até a tarde de sexta.

Os internautas poderão participar dos debates por meio de links na (http://www.

senado.

gov.

br/senado/hotsites/forum_infraestrutura/default.

htm” target=”_blank) página do fórum.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações da Agência SenadoFoto: José Cruz/Agência Senado