Collor ouve reivindicações de médicos e diz que ‘saúde em AL está na UTI’

PTB Notícias 5/03/2013, 13:08


O senador Fernando Collor (PTB-AL) participou, na segunda-feira (4/3/2013), de uma assembleia realizada no Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), onde foi convidado pela categoria para conhecer e ouvir os relatos dos profissionais a respeito da situação da saúde em Alagoas, principalmente no que diz respeito ao Hospital Geral do Estado (HGE).

Na ocasião, Collor afirmou que a saúde em Alagoas está na UTI.

Os médicos decidiram, em votação realizada durante a assembleia, permanecer em greve por tempo indeterminado.

Eles fizeram o convite ao representante de Alagoas no Senado após terem ouvido, na quarta-feira passada, um pronunciamento do senador, fazendo críticas à situação da saúde no estado.

“Foi um pronunciamento importante, pois mostrou a situação que o governo não mostra.

Para quem está de fora, o governador quer mostrar que isso aqui é um paraíso.

Mas, basta conhecer a realidade do HGE para saber que nada disso é verdade”, afirmou Wellington Galvão, presidente do Sinmed.

Galvão mencionou ainda que, nos últimos seis anos, cerca de 1.

200 médicos pediram demissão e que outros estão dispostos a tomar a mesma decisão, caso não haja melhores condições dadas à categoria, que se encontra em greve há mais de 80 dias.

Diante de toda a exposição que foi feita durante a assembleia, o senador se mostrou visivelmente indignado, chegando a afirmar que a “a saúde em Alagoas está na UTI, sem respirador artificial”.

Durante o encontro, Fernando Collor fez um breve histórico de sua vida na política, relembrando a época em que foi prefeito, governador e presidente da República, onde sua prioridade de governo tinha como foco a saúde e a educação.

“O momento por qual passa Alagoas é de uma gravidade extrema.

É o que chamamos de falência absoluta do estado enquanto entidade federativa, que não consegue botar o aparelho estatal para funcionar e dar à população mínimas condições de saúde, educação e segurança pública, que são aspectos básicos de nosso dia a dia”, afirmou.

Ouvido com atenção pelos médicos que compareceram à assembleia, o senador disse que chegou o momento de discutir a calamidade pública que se estabeleceu no estado.

“Estamos falando de pessoas que perdem seus entes queridos, seus amigos.

São médicos que trabalham sob pressão, um HGE onde entramos e nos deparamos com um verdadeiro corredor da morte”, disse Collor, que atribuiu a responsabilidade dessa situação ao governador Té Vilela.

“O que mais me espanta é a covardia dele.

É um sujeito fraco, que não é dado à luta e que teve muita sorte na vida.

Em todas as campanhas que ele caminhou, precisou estar no vácuo de outros.

E como tudo foi muito fácil, ele tem medo de enfrentar uma realidade que não faz parte de seu dia a dia”, emendou.

Consternado com a situação apresentada pelos médicos, Fernando Collor não poupou críticas ao governador.

“Ele deixa essa calamidade acontecer porque o tempo para ele não é tão urgente quanto matar a sede de uma população que está morrendo de sede e fome”, mencionou.

O senador lançou, na ocasião, um desafio ao Teotonio Vilela Filho, a quem classificou de “covarde”, que ele fosse pessoalmente visitar o HGE para constatar, in loco, a situação dos pacientes daquela unidade de saúde.

“Faço isso para que ele se sensibilize com o sofrimento daquelas pessoas que ali estão.

Para que ele veja com os próprios olhos uma Ala Vermelha onde há 60 pessoas amontoadas, num verdadeiro depósito de seres humanos à espera da hora de morrer”.

De posse do relatório entregue pelos médicos, Fernando Collor disse que levará, em mãos, o documento para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para que ele possa discutir a situação da saúde em Alagoas.

“E podem ter certeza de que sairei de lá sabendo que algo será feito.

Não podemos deixar nossos médicos nessa situação”, afirmou o senador, criticando a falta de condições de trabalho dos profissionais.

Ainda sobre a entrega do documento em Brasília, Collor disse que, se for necessário, trará o próprio ministro a Alagoas “para que ele veja o desdém com o qual é tratado o nosso sistema de saúde”.

Collor falou que é necessário que a sociedade em geral se junte para lutar contra essa apatia que ganhou o estado.

“Não quero acreditar que a população alagoana perdeu sua capacidade de indignação e espero que ela vá às ruas para dizer: ‘Seu incompetente, saia daí!'”.

O senador ainda emendou: “Se a sociedade teve a coragem de tirar um presidente da república, ela também pode se indignar e retirar um inoperante do governo do estado”, disse ele, no momento em que voltou a se emocionar.

“Podem contar com minha participação nesta luta”, assegurou.

Presente à assembleia, o deputado estadual pelo PT, Judson Cabral, afirmou que a estratégia adotada pelo governo é vencer a categoria ‘pelo cansaço, sem tomar atitudes, buscando fatos novos’.

“Foi justamente o que ele fez indo para o Sertão.

Ele fez isso para ficar em evidência e mascarar a verdadeira situação da saúde e educação”.

O parlamentar disse, também, que os médicos não podem deixar o movimento arrefecer e que devem buscar a sensibilização dos médicos que ainda não pararam, como também da população.

“Essa situação chegou ao extremo e este não é um movimento apenas em defesa de salários.

Temos que lutar para dar o suporte necessário de que Alagoas precisa”, complementou Cabral.

Ainda durante o encontro, o senador Fernando Collor ouviu o relato de alguns médicos sobre o dia a dia nas unidades de saúde como: HGE, Maternidade Escola Santa Mônica, Hospital Hélvio Auto, dentre outros.

“O povo está morrendo e ninguém toma satisfação.

Se fosse em estado sério, estaríamos todos presos”, afirmou o médico Antonio José Guedes Gerbase.

Ao término da reunião, Collor disse que o relatório por ele recebido terá consequências.

“Podem ter certeza de que o barulho começará a ser feito.

Os tambores irão rufar dando sinal de guerra.

Acorda, governador covarde! Venha se juntar a nós para esta luta”.

“Temos à frente de nosso estado um governador indolente, incompetente, inapetente e covarde.

Ele precisa entender que os problemas não são resolvidos enquanto o diálogo não for aberto.

Não dialoga quem não tem argumento e falta a ele massa encefálica para tratar do assunto”, finalizou.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações do GazetawebFoto: Geraldo Magela/Agência Senado