Confira entrevista de Jovair Arantes ao jornal Tribuna do Planalto

PTB Notícias 26/06/2007, 13:57


Leia abaixo entrevista com o deputado Jovair Arantes, do PTB de Goiás, publicada no jornal Tribuna do Planalto: “Votamos no Alcides, ajudamos a elegê-lo, agora temos de respeitá-lo”O Presidente do Diretório Estadual do PTB de Goiás, Jovair Arantes é um dos mais antigos políticos que militam na chamada base aliada.

Talvez, por isso, se dê a liberdade de criticar abertamente a postura do governo Alcides Rodrigues (PP).

Jovair cobra que o atual governo de Goiás exponha, mesmo que desagrade o senador Marconi Perillo (PSDB), e resolva os problemas.

O petebista, porém, minimiza a situação das dívidas deixadas.

‘Quem casa com a viúva assume os filhos’, avalia.

O petebista entende que os partidos da base do governo deveriam ser convidados a conhecer de perto os problemas do Estado.

Mesmo com a guerra fria aparente entre aliados de Alcides e de Marconi, Jovair Arantes entende que o senador é o grande líder da base governista.

Dessa forma, de acordo com ele, é Marconi ao lado de Alcides quem deve resolver a escolha do candidato à Prefeitura de Goiânia.

E com um detalhe: no máximo, até dezembro.

Se deixar a condução para o ano que vem, ‘esqueça’, avisa o deputado.

Porém, ele critica a administração Iris Rezende (PMDB), na Capital.

Jovair Arantes visitou a Tribuna do Planalto na segunda-feira, 18.

Abaixo, a entrevista:Tribuna do Planalto – A crise administrativa do governo do tem ocupado o centro das discussões políticas.

Como o sr.

avalia esse momento?Jovair Arantes – Dívida é de governo, é do Estado.

E todo governo deve, sem exceção.

Agora, administração da dívida é responsabilidade de quem está governando.

Quem casa com a viúva assume os filhos.

Então, quem assumiu o Estado tem de administrar as dívidas, o passivo e o ativo.

Eu não gosto de discutir por que as dívidas foram todas contraídas com o objetivo de investimento no Estado.

Sempre foi assim.

O que existe hoje é uma Lei de Responsabilidade Fiscal, que não existia antes, e que propiciou que a dívida fosse muito grande.

O que tem de fazer é ir pagando a dívida.

Foi o que o Lula fez com o FMI.

Isso vai dar um encontro de contas positivo lá pelo ano de 2025, 2030, por aí.

Isso para todos os Estados e municípios.

É uma forma de resolver o problema em longo prazo, mas não tinha outra maneira.

Todos os governadores que entrar vão reclamar dessa dívida.

Lembro do Marconi reclamando o tempo todo dessa dívida.

O Alcides está reclamando.

E cada um que entrar.

O governo adotou medidas de contenção em janeiro.

Estamos em junho e o déficit só aumentou.

Não está faltando uma ação mais concreta? Jovair – É muito complicado analisar em cima de dados que você não tem.

Nós não fomos convidados para discutir isso.

Os partidos que compõem a base deviam, ao menos, serem chamados para discutir essa questão abertamente.

Governo encara essa questão é de frente.

Não pode ficar omitindo informações e buscando culpados.

Tem de mostrar os problemas para sociedade: ‘olha, o Estado está assim, a situação é essa e temos de buscar as alternativas possíveis.

‘ Então, está faltando diálogo.

Isso é necessário que seja feito de imediato.

O sr.

entende que expor o problema é uma das alternativas do governador Alcides?Jovair – É uma das alternativas.

Senão quem vai ficar culpado? Se até sete meses antes de terminar o governo Marconi ele administrava o Estado, pagava em dia, pagava os programas sociais, fazia investimento em obras.

O que está no inconsciente da sociedade é isso, que tudo que o Marconi fez, fez com qualidade e entregou o governo em dia.

E o governo que entrou agora precisa explicar qual a razão desse descompasso.

É um governo só, qual é o problema? Não vejo nenhuma dificuldade de se fazer isso.

Mas aí vão dizer: “mas vai ofender o Marconi”.

É melhor ofender o Marconi do que ficar com pecha de incompetente.

E o fato de o PMDB ter entrado na discussão, o ex-senador Maguito Vilela culpando o senador Marconi Perillo.

Como o sr.

avalia esse embate?Jovair – Essa discussão na imprensa é que não resolve.

O Maguito é adversário do Tempo Novo.

Ele está no papel dele de criticar e de ser criticado.

Vai ser sempre assim.

Agora, o PP, o PSDB, o PTB e o PR são partidos aliados que têm de sentar e discutir.

Por isso, eu não ouso dizer se o Marconi está certo ou se quem está certo é o Alcides.

O que tem é um problema a ser resolvido.

O que passou, passou.

Nós temos de resolver é agora.

E qual é a forma de resolver? É sentar e discutir.

Talvez esteja faltando isso.

É necessário que haja uma discussão política em cima do tema administrativo.

O governo está com dificuldades para pagar os programas sociais, com dificuldade para pagar a folha, com dificuldade para fazer investimento.

Está tudo parado.

Qual é a alternativa para o governo entrar em ação? Politicamente é parar o governo, mais quanto tempo? Isso é para que a gente possa até ter discurso na base.

Não é um problema só de Goiás.

São Paulo está fazendo ajuste, Brasília está fazendo um ajuste maior ainda.

Então, temos de encarar isso de frente, mostrar para a sociedade o que está ocorrendo.

Falta participação maior dos partidos que ajudaram a eleger o governador Alcides? Os partidos da base estão de fora desse governo?Com relação ao conhecimento dos problemas herdados por esse governo em relação ao governo passado, falta essa discussão.

O Marconi fez isso.

Quando ele foi governo, ele chamou os partidos, pôs a situação, mostrou a herança que pegou.

Agora é necessário fazer isso.

É um inventário da situação.

A conta tem de encaixar no fim.

Se você tem uma conta que entra 10 e gasta 15, vai estourar.

O orçamento do Estado é igualzinho ao orçamento familiar.

Quanto tempo o sr.

acredita que essa marca ‘Tempo Novo’ consegue sobreviver?Jovair – Não.

O Tempo Novo já passou.

Essa marca já passou.

A marca usada hoje pelo governador Alcides é ‘Desenvolvimento com Responsabilidade’.

Essa é a nova marca do governo.

A marca do Tempo Novo foi na administração do governador Marconi.

No ano que vem, o sr.

avalia ser possível que esses partidos da base tentem usar a marca ‘Tempo Novo’ para a Capital? Jovair – Não.

Os partidos que compõem a frente que governa Goiás desde 1999 com o Marconi e até hoje com o Alcides, que são os mesmos – alguns entraram e alguns saíram, mas a base é a mesma –, tem de sentar e decidir a candidatura para a Prefeitura de Goiânia até dezembro deste ano, no máximo e, em fevereiro, no máximo, anunciar esse candidato e a partir daí fazer um planejamento de organização da campanha, de projeção, de discussão junto à sociedade, de busca de um programa que possa despertar o interesse da população goianiense.

Essa questão de repetir temas eu acho que não tem a ver.

Até por que o eleitor de Goiânia é diferente do eleitor do Estado.

Mas é possível falar em base aliada em Goiânia ou só mesmo na eleição estadual?Jovair – É muito relativo.

Em cada cidade você tem uma situação.

Há lugares, por exemplo, em que o PTB coliga com outros partidos e não com o PSDB.

O PSDB é adversário em alguns municípios.

Agora, no conjunto nós sempre fomos aliados.

Aqui em Goiânia a gente espera que possa ser.

Na eleição passada não fomos.

O PTB apoiou o Pedro Wilson.

Então, nós temos de discutir isso até dezembro, é o limite que eu tenho.

Fevereiro acabou, está fora, é cada um por si e salve-se quem puder.

Do ponto de vista eleitoral, essas dificuldades administrativas do Estado atrapalham? Jovair – Qualquer administração emperrada atrapalha um projeto.

Ela pode atrapalhar.

Agora, o projeto de Goiânia é totalmente desvinculado.

Se tivesse qualquer relação o Marconi teria ganhado com a Lúcia Vânia (2000) e com o Sandes Júnior (2004).

Goiânia tem um time diferente na política goiana.

Não é igual.

Goiânia, primeiro, não gosta de repetir prefeito.

Segundo, vota sempre ao contrário do que os outros acham que vai votar.

Goiânia é diferente.

É diferente de Aparecida, por exemplo, que é encostada aqui.

No interior, nas prefeituras muito vinculadas ao governo do Estado?Jovair – Em algumas prefeituras, sim.

Algumas têm essa característica.

Nós temos os grotões que sempre acompanham governo.

Agora, essas cidades acompanham governos que fazem alguma coisa por elas.

Neste sentido, em que o governo puder ajudar, vai dar uma força.

Onde não puder, vai ficar no salve-se quem puder.

Isso vai acabar dando um equilíbrio muito grande nas próximas eleições.

Alguns integrantes da base aliada consideram o prefeito Iris Rezende imbatível.

O sr.

também o considera?Jovair – Mas ele era imbatível em 1998 contra o Marconi.

A eleição de Goiânia não tem essa característica.

Então, não acho que tenha ninguém imbatível.

Geralmente, o imbatível se perde na arrogância, na prepotência, na soberba.

É assim que o imbatível se perde.

O Império Romano se perdeu por isso.

Os Estados Unidos certamente vai ser assim também um dia, porque é o que está acontecendo.

É um risco dizer também que o Marconi é um candidato imbatível em 2010?Jovair – Claro que Marconi não é imbatível.

O Marconi terá dificuldade na eleição dele.

Poderá ter dificuldade.

Estou colocando isso e serve para todo mundo.

Eu fui candidato quatro vezes.

Aumentei meus votos em cada eleição, mas não significa que possa ser imbatível em qualquer outro pleito que eu disputar amanhã.

Se for amanhã para uma eleição, eu tenho de rever os conceitos, rever as lideranças, rever tudo.

Esta novela envolvendo o prefeito José Gomes vai continuar.

Vai acabar candidato à reeleição pelo PMDB?Jovair – O Zé Gomes é um pop star necessário.

É importante que ele faça esse suspense.

Sempre fez esse suspense, não é agora que ele vai deixar de fazer.

Mas é com certeza um grande aliado do PTB, defensor do PTB, tem ajudado muito o partido.

Participa das reuniões, das decisões do partido.

Mas o sr.

considera a administração Iris em Goiânia como positiva?Jovair – Não.

Considero o seguinte: Goiânia tem tido a felicidade de ter bons prefeitos, desde Joaquim Roriz.

Goiânia ganha sempre com a administração dos prefeitos que aí passam.

Não é porque os prefeitos querem ser bons ou são bons.

É porque a cidade exige e lhes dá condição de fazer isso.

Goiânia tem tido avanços na administração, mas não tem acompanhado o crescimento que a cidade tem tido.

Não posso considerar uma administração que faz mutirão como boa.

Mutirão é uma coisa imediatista.

Você vai a um bairro, limpa e depois abandona e deixa o bairro jogado a própria sorte.

Tem de ter ações que façam implantações perenes na cidade.

Goiânia é uma cidade nova que não pode viver no improviso.

E a gente vê que é administrada na base do improviso.

Você não vê um planejamento.

Não acredito que uma administração pode ser considerada imbatível ou boa só porque faz mutirões e asfalta algumas vilas.

O compromisso do Iris, ele quem fez, não foi a sociedade que pediu, foi de asfaltar toda a cidade.

Então começa daí, primeiro ele tem de resgatar para depois começar a dizer que fez um planejamento e cumpriu.

Acho difícil ele cumprir.

Nós precisamos construir uma cidade mais moderna, uma cidade que possa ter uma marca.

Cada cidade tem uma marca importante, Goiânia não tem.

O Nion começou a implantar uma marca de respeito ao meio ambiente, que de certa forma está meio abandonada.

Ninguém pega isso com muita força.

Alguém tem de pegar e levar para frente.

Goiânia tem a fama hoje de pior trânsito do Brasil, o mais lento e o pior.

Por quê? Porque não tem um processo de educação em trânsito.

O sr.

aparece entre os cotados para disputar a sucessão 2008 em Goiânia.

Em qual situação o sr.

deixaria a Câmara Federal para vir disputar mandato de prefeito?Jovair – Eu deixaria para ser candidato se tivesse o acordo pelo menos dos quatro ou cinco principais partidos que apóiam o chamado Tempo Novo, que hoje sustenta o governo Alcides – o PSDB, o PP, o PTB, o PR e o PPS.

Pelo menos esses.

Se nós tivermos até dezembro a decisão desses partidos em apoiar uma só candidatura que possa fazer um planejamento para levar para a sociedade discutir, eu topo.

É isso que tenho dito.

O meu partido me lançou candidato em Goiânia.

Agora, para ser candidato só vou nesta condição.

Para ganhar uma eleição como esta de Goiânia tem de ser como foi a de Alcides.

Tem de ter um prazo de trabalho.

O Alcides foi lançado mais de um ano e meio antes da convenção.

Ele teve esse prazo para trabalhar e foi por aí que ganhou.

Se deixar para decidir na hora da convenção, no ano que vem, esqueça.

É cada um para si e Deus para todos.

E como definir isso sem criar divergências dentro da base aliada? Qual o critério?Jovair – O critério de liderança.

Tem de ter liderança para fazer isso.

Com a palavra Alcides e Marconi.

Está nas mãos dos dois? Jovair – Eles têm de decidir isso.

Não vou por aí chamando o PPS, o PSDB e dizer que eu sou o bambambã.

Fazer todo mundo dizer que vai fazer.

Se você quiser enfrentar com qualidade essa próxima eleição, tem de fazer isso.

Vários partidos lançarem candidato no primeiro turno, o sr.

é contra?Jovair – Se eu falasse que sou contra partido lançar candidatura diria que era contra a democracia.

O segundo turno foi criado para isso.

Mas não é isso.

Esse grupamento, se ele quiser manter uma base de sustentação que possa se prolongar um pouco mais, e que possa dar resultados importantes como a eleição em Goiânia, tem de ser por aí.

Senão vai ficar tarde para discutir.

Esse é o problema.

Em resumo, se a base não estiver unida.

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Jovair – Esqueça.

Se tiver três, quatro ou cinco candidatos outra vez é bobagem.

É besteira.

Eu nem sei se o Iris vai ser candidato.

Mas se ele for, ou quem ele lançar, vai polarizar com esse grupo.

Se você esperar que o eleitor polarize é muito longe.

Tem de buscar essa polarização já.

O espaço de cada partido no governo ainda pesa para essa aglutinação em torno de uma candidatura?Jovair – Não, acredito que não.

Vai pesar na outra eleição, na de 2010.

Em 2004, tinha o sr.

, o Sandes Júnior, o Darci Accorsi, o Barbosa Neto e até a Raquel Teixeira e o ex-governador Marconi não conseguiu uma união.

Qual foi o motivo?Jovair – Foi porque ficou tarde.

Quando assumimos o PTB em Goiás, planejamos que nós teríamos, em um primeiro momento, dificuldade para eleger prefeitos e vereadores.

Conseguimos eleger 14 prefeitos e 156 vereadores.

Daquele início de trabalho, nós fizemos um planejamento para eleger dois ou três deputados estaduais e um federal em 2006.

Conseguimos passar para quatro estaduais e dois federais.

Então, planejamento é fundamental.

Deixar PTB, PP, PR decidir em cima da eleição não vai dar em nada.

O máximo que vai dar é um amontoado de problemas em cima de um candidato que saiu na marra, como saíram Sandes Júnior e Lúcia Vânia.

Aí o candidato não tem nem tempo para trabalhar.

Fica tendo de administrar problemas dos partidos, candidato a vereador pegando no pé, cabo eleitoral, tempo de televisão.

Você começa a administrar problemas que não podem ser administrados naquele momento.

Esses problemas precisam ser resolvidos agora.

Quando fizer a convenção tem de resolver o que é mais grave, o eleitor, conversar com ele, levar um projeto.

Se tiver de ficar preocupado com questões internas, está morto.

O sr.

foi um dos fundadores do PSDB e esteve no partido durante muitos anos.

Saiu para assumir o PTB até como missão para levar o partido para a base do governo.

Jovair – Não, saí do PSDB não foi por este motivo.

Foi por desentendimento com a cúpula paulistana do partido.

José Aníbal (deputado federal, PSDB-SP) é o nome.

Era o presidente do partido.

Insensível, incompetente, inoportuno.

Sempre falei e continuo falando.

Mas, de certa forma, o sr.

fez esse trabalho de integrar o partido à base do governo.

Jovair – Juntou o útil ao agradável.

Por que o sr.

tem uma dificuldade, ou teve em 2004, de emplacar uma candidatura majoritária, de aglutinar a base em torno do sr.

?Jovair – Mas o nome não é base.

O nome é Marconi Perillo.

Talvez pela amizade que eu tenho pelo Marconi, é aquela velha história, o de casa vai ficando para depois.

Então, acredito que seja isso.

Só que passou.

Agora não dá mais.

Ou decide ou não decide.

Mas novamente o sr.

joga nas mãos dele?Jovair – Contrariado, chateado, Marconi é a grande liderança.

O Marconi é o grande líder desse grupamento político, inclui-se aí até o governador Alcides Rodrigues.

E o doutor Alcides sabe que mesmo sendo governador o Marconi é o catalisador desse grupo.

Então, cabe a ele caminhar na direção de dar um sentido prático a isso.

O líder vai pecar ou ser ganhador na medida em que ele tiver sabedoria de liderar.

Se não souber liderar vai dar no que deu das últimas vezes.

Tanto é que ele apanhou as duas vezes para prefeito e quando foi nessa para governo eu mesmo falei para ele: ‘companheiro, você já errou duas vezes.

Para governador se você tornar a errar vai ser outra peia’.

E ele acertou.

Mais de um ano antes ele já tinha escolhido o Alcides.

Falou: ‘o meu candidato é o Alcides’.

O Alcides tinha 1% ou 2%, pouco conhecimento no Estado e ele peitou.

Tinha o Leonardo Vilela que tinha mais visibilidade, eu, o Barbosa Neto.

Uma série de outras pessoas que tinham mais visibilidade que ele poderia pegar e seria até mais fácil de trabalhar a eleição.

Mas ele definiu no momento certo e a coisa fluiu.

Por isso que tem de ser ele e o Alcides que devem definir essa situação.

Eu descarto nessa situação a questão de pesquisa.

Tem uma mania de falar em pesquisa.

Pesquisa é conversa para boi dormir.

Nas últimas cinco eleições que eu lembro de governo e prefeitura de Goiânia em todas elas quem estava na frente sobrou.

Mas o problema é das pesquisas que erraram ou do próprio processo?Jovair – É por que o eleitor não quer saber de eleição hoje.

O eleitor brasileiro é o mesmo que torce na Copa do Mundo.

Vê se ele está ligado em Seleção Brasileira hoje? Mas a hora que o time começar a jogar para valer, ele se liga.

Eleição é a mesma coisa: ele não está, não está, quando chega a eleição ele toma partido e vai para a rua.

O sr.

tem falado o tempo todo na discussão dentro da base do governo estadual.

O sr.

admite discutir 2008 em outra base, a de sustentação do governo Lula?Jovair – Não, não dá.

São assuntos diferentes.

Você tem totalmente dissociado o processo municipal do processo federal.

Eleição municipal é de famílias.

Tem lugar aí que a disputa de família é histórica, desde PSB e UDN.

Isso vem com o tempo trocando só os personagens, mas as famílias continuam as mesmas.

Então, é totalmente diferente do processo nacional.

O processo nacional é amplo, onde se discute economia, exportação, produção, etc.

A questão municipal é de quintal.

Claro, as grandes cidades como Goiânia consegue sair um pouco disso, mas não é muito não.

Continua tendo peso o tradicionalismo.

Então, não dá para misturar assunto de Lula aqui.

Por isso quando eles vêem aqui reforçar campanha e não adianta nada.

Do que adianta o cara vir aqui pedir voto? Eu vi na campanha do Pedro Wilson veio aqui o José Dirceu, veio aqui o Antônio Palocci e mais tanta gente e não moveu uma palha, não acrescentou um décimo.

Que reforma política o sr.

acredita que a gente terá na prática?Jovair – Agora, neste momento, acredito que apenas a fidelidade partidária.

Do jeito que está sendo feito, está tudo errado.

Eles querem fazer uma coisa que é infraconstitucional.

A reforma para ser perene tem de ser com PEC (Projeto de Emenda Constitucional).

O que aconteceu com a cláusula de barreira foi como um projeto infraconstitucional, que nós votamos em 1996.

Mas o Supremo foi provocado e em uma canetada só derrubou porque era infraconstitucional.

Então, não adianta votar uma lista fechada com financiamento público que na primeira ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que tiver, de qualquer partido ou sindicato, irá derrubá-la.

Não tem sustentação legal.

O que a gente está pedindo é que a gente faça um levantamento do que pode ser mais consensual entre as várias PECs que existem e fazer uma votação mais rápida possível.

O sr.

defende que a reforma política entre em vigor na eleição de 2010?Jovair – Nós temos uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do PTB que é coincidência de mandato, fidelidade partidária e mais uma série de coisas.

Nós estamos prevendo que a eleição do ano que vem seja de quatro anos.

Que a eleição de 2010 seja de cinco anos, sem reeleição.

Em 2012 tem eleição de prefeito e vereador só que com três anos de mandato.

Aí em 2015 coincidem todas as eleições de cinco em cinco anos.

O PTB teria dificuldade de romper com o PR em Aparecida de Goiânia e lançar o deputado Marlúcio Pereira à prefeitura? Jovair – Não, nós estamos conversando.

Uma série de cidades que podem estar no contexto dessa discussão.

O PR tem interesse em Senador Canedo, em Aparecida e em Trindade.

Vamos discutir isso.

O PSDB também tem os interesses dele.

Então, é sentar e fazer um mapeamento do Estado.

Por exemplo, o PR tem um candidato em Jataí.

Então, como vamos discutir isso.

O PTB vai apoiá-lo ou vai ficar contra?Em Anápolis o PTB lança o deputado Frei Valdair?Jovair – Frei Valdair é o candidato do PTB.

Aparecida o PR já é governo.

Senador Canedo já é governo, aliás, excelente governo.

Mas em Aparecida a administração tem dificuldade.

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Jovair – Tem, mas qual município não tem? E a situação da ex-prefeita ou prefeita cassada Magda Moffato em Caldas Novas?Jovair – Eu espero que por dois ou três dias.

Mas o sr.

tem trabalhado para ajudá-la?Jovair – Temos feito o que é possível.

Há um exagero.

A prefeita foi eleita pelo voto popular.

É uma boa administradora.

Não tem um senão na administração, não tem um balancete rejeitado, não tem uma denúncia.

Foi uma briga de dois agrupamentos políticos na eleição e que a juíza tomou partido de um lado, fez a cassação dela e isso está perdurando.

Prejudica toda uma administração de uma cidade que está muito bem.

Aliás, são poucos os municípios que são tão bem administrados como Morrinhos, Caldas Novas, Itumbiara, todos prefeitos ligados ao PTB.

Aquela encrenca com o PR pelo comando da Saneago já foi superada?Jovair – Não teve encrenca, desculpe-me, mas vocês só da imprensa que falaram.

Eu, por exemplo, nunca tive encrenca nenhuma.

Mas o Sandro Mabel reclamou publicamente.

Jovair – Mas o Sandro é outro que gosta de pirotecnia.

Você conhece o Sandro.

E está certo, estava defendendo o interesse do partido dele, e ele tem legitimidade para isso.

Da forma que ficou a composição do governo o PTB, ficou satisfeito?Jovair – Não ficou ainda.

Ainda está discutindo.

Até agora foi até a metade do caminho e parou.

Com esse novo pacote que está vindo, deve ter novas discussões, novas mudanças.

E quem faz é o governo.

O Alcides está fazendo, à sua maneira, o possível.

Temos de respeitar essa forma dele de administrar.

Votamos nele, ajudamos a elegê-lo, e agora temos de respeitar e ajudá-lo a administrar.

Não temos outra saída a não ser essa.