Crise de abastecimento não é responsabilidade do Brasil, afirma Collor

PTB Notícias 20/06/2008, 8:21


O senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, rebateu nesta semana as criticas feitas pelos países do chamado primeiro mundo à produção de etanol no Brasil.

Para o senador petebista, o plantio da cana-de-açúcar não ameaça a produção de alimentos, uma vez que somente cerca de 5 por cento das terras agricultáveis estão ocupadas pela cana para a produção de etanol, ao contrário do que vem se especulando.

Ele disse que o Brasil vem sendo posto sob intenso ataque internacional, acusado de contribuir para a crise por produzir etanol em lugar de alimentos.

Na avaliação do senador Collor, essa acusação é flagrante inverdade.

Fernando Collor atribui a crise de alimentos ao aumento do número de pessoas com maior poder aquisitivo, gerando novos padrões de consumo, coincidindo com um período de baixos estoques de alimentos, resultados de desastres naturais, de elevação do preço do petróleo (que afeta a agricultura em termos de combustíveis, defensivos e fertilizantes) e, sobretudo, dos subsídios agrícolas dos países industrializados, como para biocombustível de milho nos EUA, e de trigo e beterraba na Europa.

– O Brasil não tem nenhum culpa em relação a essa situação.

Ao contrário, temos, nos últimos anos, aumentado, ao mesmo tempo, a produção de alimentos e de combustíveis alternativos.

E vamos continuar a fazê-lo.

A nossa agricultura ocupa 72 milhões de hectares, dos quais 7 milhões com cana e 3,6 milhões com cana para etanol.

Vê-se com clareza que o etanol não provoca falta de alimentos, não os substitui, e muito menos demanda devastação florestal – argumentou o senador Fernando Collor.

Na avaliação do parlamentar, ao aumentar sua renda, grandes faixas de população, no Leste Europeu, na China, na Índia, no Brasil, passam a demandar padrões de consumo mais altos.

Maior população e maiores exigências, em termos de níveis de vida, aumentam a interferência econômica sobre o meio ambiente e com isso, a natureza vê-se forçada a suportar a produção crescente de alimentos e de bens de consumo.

Collor entende que essa tensão só pode ser resolvida pela criação de nova mentalidade.

“Devemos preservar e economizar recursos naturais cada vez mais escassos e ameaçados, devemos estar conscientes também de que só novo paradigma de pensamento pode levar ao tão ansiado crescimento sustentável”.

Outra preocupação manifestada pelo senador alagoano diz respeito à ausência de saneamento básico.

A Unicef calcula que, por isso, quase 3 bilhões de pessoas no mundo são expostas a doenças que podem levar à morte.

A seriedade do assunto é de tal ordem que a ONU estabeleceu 2008 como o Ano Internacional do Saneamento.

Por isso, Collor destacou a importância de o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – do atual governo, investir num forte direcionamento de recursos para obras no setor, incluindo aí a preservação de mananciais e recuperação de matas ciliares, revitalização de rios e recuperação de córregos.

fonte: Assessoria de Imprensa do Senador Fernando Collor (PTB-AL)