Cristiane Brasil diz ter ficado ‘surpresa’ e ‘chocada’ com pesquisa Ipea

PTB Notícias 28/03/2014, 15:51


A presidente nacional do PTB Mulher, Cristiane Brasil, considerou “absurdo”, “espantoso”, “revoltante” e extremamente preocupante o resultado de estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que revela que a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas e mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Para Cristiane Brasil, o fato de 65% dos entrevistados pelo instituto terem concordado com esta afirmação causa espanto e tristeza, principalmente por ser este dado revelador do atraso da população brasileira tanto no combate à violência contra a mulher como na própria percepção do que a mulher representa na sociedade.

“A pesquisa do Ipea mostra que, lamentavelmente, em pleno século 21, e com tantos avanços nas comunicações, o pensamento predominantemente machista da nossa sociedade nos remete a épocas medievais.

E o mais impressionante a se constatar nesta pesquisa é que quase dois terços dos entrevistados pelo instituto eram mulheres.

Algo está muito errado na forma como estamos educando nossos filhos, pois o machismo está entranhado até mesmo no subconsciente das mulheres.

O Estado, o poder público, está falhando nas políticas de combate à violência contra a mulher e na conscientização sobre o mal da violência.

Nós, pais e mães, estamos falhando ao não provocar esta mudança de consciência dentro de nossas casas, com nossos filhos.

Os brasileiros precisam acordar e ver o tamanho da responsabilidade que temos em mudar a cultura machista brasileira que vê com naturalidade a violência contra a mulher, o feminicídio.

Do contrário, continuaremos a ser, todos nós, cúmplices dos milhares de assassinatos, espancamentos e estupros sofridos por mulheres a cada ano neste País”, disse Cristiane.

Batizado de Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), o trabalho do Ipea se baseou na entrevista de 3.

810 pessoas, residentes em 212 municípios brasileiros no período entre maio e junho de 2013.

Além do resultado para a questão “mulheres que usam roupas e mostram o corpo merecem ser atacadas”, outros números se mostraram tão ou mais surpreendentes.

Um deles, por exemplo, revela que 58,5% dos entrevistados concordou com a afirmação de que “se mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros”.

Em outro ponto do estudo, 63% disseram achar que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre membros da família”.

Além disso, 64% dos que foram ouvidos pelo Ipea concordaram com a ideia de que “homens devem ser a cabeça do lar”.

Para a presidente do PTB Mulher, é necessário, mais do que nunca, investir em educação e punir de forma exemplar os agressores, para diminuir a violência contra a mulher.

“A pesquisa mostra que a permissividade em relação à violência contra as mulheres é um fenômeno generalizado, e o fato de continuar a ser praticada com tamanha impunidade é indicador da incapacidade do Estado em cumprir plenamente o seu dever de proteger as mulheres.

Além de o poder público vir fracassando na adoção de medidas tanto de combate à violência como de prestação de amparo às vítimas de agressões, vemos como está arraigado nos cidadãos brasileiro as antigas tradições, os costumes machistas e os estereótipos discriminatórios que perpetuam a tentativa de se subjugar a mulher, expondo-a constantemente ao risco de ser alvo de violência.

Temos que nos unir, homens e mulheres, pais e mães, filhos e filhas, para construirmos um futuro em que haja o máximo respeito à igualdade de gênero e a proteção aos direitos humanos das mulheres”, finalizou Cristiane Brasil.

Agência Trabalhista de Notícias (EM)