Cristiane Brasil quer que Lava Jato chegue ao ex-presidente Lula

PTB Notícias 27/07/2015, 15:12


Em entrevista ao jornal O Dia nesta segunda-feira (27/7/2015), a presidente nacional do PTB, deputada Cristiane Brasil (RJ), afirmou que irá pedir até o fim deste ano o indulto para seu pai, Roberto Jefferson, que denunciou o escândalo do mensalão no governo Lula e hoje cumpre prisão domiciliar, no Rio.

O ex-deputado e presidente de honra do PTB poderia, se a presidente Dilma Rousseff (PT) autorizar, candidatar-se e dividir o plenário com Cristiane.

Ainda na entrevista, Cristiane Brasil fala do convite do PTB à deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), declarou que espera ver a Operação Lava Jato chegar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O Dia: A senhora convidou a Clarissa Garotinho para entrar no PTB?Cristiane Brasil: Ela é uma das meninas mais preparadas que há em Brasília.

Está com boa atuação e busca uma luz própria, longe do ex-governador Garotinho.

Ela recebeu um ultimato do partido dela, o PR, por estar conversando com o PSDB.

Conversei com alguns tucanos que me revelaram uma resistência ao nome dela por causa do pai.

Se eles não quiserem, eu quero.

Ela tem um CPF, o pai tem outro, e o convite já está feito.

O Dia: A ida dela está condicionada a uma candidatura para prefeitura em 2016?Cristiane: Não necessariamente.

Aqui no Rio, vivemos uma situação peculiar, porque fui secretária do prefeito Eduardo Paes (na pasta de Envelhecimento Saudável) e isso me permitiu ter a imagem de gestora.

Nossa relação é boa, mas a conversa sobre apoio ainda não aconteceu.

Precisa ver também se Clarissa quer ser candidata.

O Dia: Como comandar um partido em que parte é aliada do governo e parte é oposição?Cristiane: Fui eu quem costurou a aliança com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa com Dilma ano passado.

Depois que me tornei presidente, conversei com a bancada, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro (PTB-PE), e deixei claro que vou respeitar os acordos individuais.

Mas eu sou de oposição, minha voz é de oposição.

Vou respeitar quem da minha base quer votar junto com o PT na Câmara.

Mas não falem em nome do partido.

Não quero nada desse governo.

O Dia: Diante dessa divisão, como a bancada se comportaria se for aberto um processo de impeachment contra a presidente? Eduardo Cunha pediu para os pedidos serem desengavetados recentemente.

Cristiane: Para você abrir um processo de impeachment, é necessário ter crime de responsabilidade.

De fato, houve uma maquiagem nas contas de 2014 para que a economia do Brasil parecesse melhor do que realmente era.

O que eles fizeram com a economia é criminoso.

Se isso for apurado e chegar nela, o PTB irá fazer o seu papel e votar pelo impeachment.

O Dia: Não só sobre a presidente, mas também há suspeitas sobre Eduardo Cunha, investigado pela Operação Lava Jato.

Ele é suspeito de ter pedido propina de U$ 5 milhões.

A senhora defende a saída dele da presidência da Câmara?Cristiane: Ser deputada federal com Eduardo Cunha na presidência foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Ele deu dignidade ao Parlamento.

Foi completamente diferente das outras legislaturas.

Os deputados se sentem valorizados, se sentem importantes.

A fase em que se encontra o processo dele é muito inicial.

Pelo que eu li e vi, existe apenas a prova testemunhal da delação do Júlio Camargo, ex-consultor da Toyo Setal.

E ele não diz que entregou a propina ao Eduardo, só que ele pediu.

Na realidade, isso é uma estratégia do governo para tirar o foco e colocar a Câmara na berlinda.

O Dia: Muito se fala que, com Cunha na presidência, a Câmara tem vivido dias mais conservadores.

Exemplo é a pauta da redução da maioridade penal e todo o debate feito em torno da proposta.

O Parlamento é, hoje, mais conservador?Cristiane: Até hoje, tenho visto que Eduardo atua de forma neutra na Câmara.

O que ele fez na idade penal, apontado como manobra, nada mais é do que um expediente absolutamente normal e previsto no regimento.

Não teve pedalada.

Vejo, neste sentido, que há uma vontade conservadora crescendo na sociedade.

O Dia: Qual o futuro político da Operação Lava Jato?Cristiane: É cedo ainda para fazer análise, mas no caso do Collor, por exemplo, existem maiores indícios de que ele está envolvido.

O partido só irá tomar decisão depois que o processo passar pela Justiça.

Confio muito no juiz Sérgio Moro, e quero que tudo seja apurado da melhor forma possível.

Torço para que a Lava Jato chegue logo ao Lula.

Basta de PT no governo.

O Dia: Seu pai foi o delator do escândalo do mensalão.

Vocês conversam sobre aquele momento, de dez anos atrás, e o atual?Cristiane: Na nossa opinião, o “petrolão” usa o mesmo mecanismo de corrupção do mensalão.

Não mudou nada.

Ele não vai ficar calado sobre esse assunto para sempre, é melhor que ele fale quando a Justiça permitir.

O Dia: Seu pai volta para política?Cristiane: Foi dado o indulto ao José Genoino (ex-deputado federal condenado pelo STF no julgamento do mensalão.

Dilma concedeu o indulto de Natal a ele em 2014, e o Supremo suspendeu sua pena).

Pedirei indulto para meu pai no fim do ano.

Se a presidente der o decreto, ele tem o perdão pela cassação dos direitos políticos dele.

E assim, se ele decidisse voltar para política, seria para ser deputado federal.

Todo dia eu ligo para ele e falo “pai, o que você acha disso?”.

Seria uma honra, um orgulho imenso, ser deputada ao lado do meu pai.

O Dia: Acossado pela crise política e econômica, o governo ainda tem saída?Cristiane: Não acredito.

O que eles querem é não acabar de uma vez com o país.

A equipe econômica está empenhada em não deixar o Brasil quebrar.

Não sei como a gente sustenta um governo mal das pernas até o fim.

Mas o ideal é que Dilma termine seu mandato, sofrendo as consequências de tudo de errado que o PT fez.

A articulação política não funciona, o Planalto não cumpre o que promete.

O vice-presidente Michel Temer tem mais sucesso, mas quando a demanda sai dele e vai para o governo, tem um entrave chamado Aloizio Mercadante (ministro da Casa Civil).

Não dá mais.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações de O DiaFoto: Bruno de Lima/O Dia