Cristiane Brasil reivindica prorrogação dos trabalhos da CPI do BNDES

PTB Notícias 1/12/2015, 20:41


A presidente nacional do PTB, deputada Cristiane Brasil (RJ), cobrou do presidente da CPI do BNDES, Marcos Rotta (PMDB-AM), um posicionamento claro a respeito da possibilidade de prorrogação dos trabalhos do colegiado.

Pelo prazo inicial, os trabalhos da comissão de inquérito deveriam ser encerrados nesta sexta-feira (4/12/2015), entretanto, para Cristiane, muito ainda há a ser apurado pela comissão, principalmente depois de acontecimentos recentes que voltaram a implicar em participação do BNDES em denúncias de tráfico de influência.

Em resposta à deputada trabalhista, o presidente da CPI do BNDES disse acreditar que o prazo para o encerramento dos trabalhos da comissão será prorrogado, decisão que depende de aprovação de requerimento neste sentido pelo plenário da Câmara.

O deputado Marcos Rotta afirmou que enviou ofício ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), há um mês, pedindo a prorrogação dos trabalhos, e teve uma sinalização de que haveria a intenção da Presidência de prorrogar por mais 30 dias, tanto a CPI do BNDES como a dos Fundos de Pensão.

“Fiz este pedido para que fosse solucionada a questão da prorrogação da CPI porque se ela não tiver a extensão de seus trabalhos por mais algum tempo, teremos apenas até a próxima sexta-feira para analisar e votar o relatório final dos trabalhos.

E caso o relator ainda não tiver concluído o seu trabalho, eu, como sub-relatora desta comissão, já estou com meu relatório pronto e, se for possível, o apresentarei como um relatório paralelo”, afirmou Cristiane Brasil.

Depoimento de BumlaiAinda na reunião desta terça-feira da CPI do BNDES, foi realizado o depoimento do pecuarista José Carlos Bumlai, que está preso em Curitiba (PR), acusado de obter propina por intermediar contratos de empresas junto à Petrobras.

Segundo o Ministério Público, o pecuarista obteve vantagens do banco Schahin em troca de um contrato de fornecimento de navio-sonda para a Petrobras por uma das empresas do grupo.

De acordo com a suspeita, o banco teria perdoado uma dívida de R$ 21 milhões de Bumlai depois da operação, dinheiro que teria beneficiado também o PT.

Amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Bumlai se limitou a dizer que não iria responder aos questionamentos dos deputados, atitude duramente criticada pela deputada Cristiane Brasil.

A presidente do PTB disse estranhar que a prisão do empresário tenha se dado justamente no dia em que ele iria comparecer à CPI, e quando ele ainda não tinha obtido permissão do STF para se manter calado.

Desta forma, disse a deputada, o silêncio do depoente tirou da CPI a possibilidade de apurar as suspeitas de que ele teria obtidos empréstimos do BNDES graças à amizade que possui com o ex-presidente Lula.

“Com todo respeito que tenho às instituições deste país, é de se estranhar que a prisão de Bumlai tenha se dado no dia em que ele iria comparecer à CPI, e sem a proteção do silêncio.

Para mim essa situação causa estranheza, principalmente dada a proximidade do empresário com a família e o próprio ex-presidente Lula.

Portanto, essa proteção, teórica, suposta, que lhe foi dada, nos deixou sem condições de obter esclarecimentos sobre o tráfico de influência que o beneficiou no BNDES”, afirmou a deputada trabalhista.

Ao final de sua participação na oitiva do empresário, Cristiane Brasil fez um apelo a José Carlos Bumlai para que ele pensasse melhor e decidisse falar o que sabe à CPI do BNDES: “Senhor Bumlai, seu grande amigo disse que não é tão amigo assim, e andou fazendo críticas à sua atuação, à maneira como o senhor vinha se comportando.

Portanto, que o senhor tome cuidado, senhor Bumlai, pois para se manter no poder, pelo projeto de hegemonia no poder que o seu amigo representa, ele só se importa com ele, não vai se importar com o senhor”.

Agência Trabalhista de Notícias, por ELMFoto: Neto Sousa