Cristiane pede ênfase de Dilma para combater violência contra a mulher

PTB Notícias 17/11/2014, 19:12


A presidente nacional do PTB Mulher, deputada federal eleita Cristiane Brasil (RJ), manifestou repúdio e preocupação, nesta segunda-feira (17/11/2014), em relação aos números da violência contra as mulheres revelados em reportagem especial do jornal “O Globo”.

De acordo com o jornal, somente no Estado do Rio de Janeiro foram registrados 35.

855 casos de lesão corporal dolosa de mulheres no ano de 2013, o que representa 63,6% do total levantado pela Secretaria de Segurança Pública.

São quase 100 casos por dia de agressões às mulheres apenas no Rio de Janeiro.

Ainda segundo as estatísticas divulgadas pelo jornal, foram registrados 5.

885 casos de estupro contra mulheres no ano passado, o que representa 16 estupros por dia.

Cristiane Brasil destacou o fato de que os números da violência sofrida pelas mulheres abarcam apenas os casos denunciados em delegacias e postos de atendimento, a quantidade de agressões diárias a que elas são submetidas são ainda mais gritantes.

“Diariamente, milhares de mulheres são agredidas física e psicologicamente, sofrem violência física, moral, patrimonial, e quando não são assassinadas, acabam, na maior parte das vezes, não denunciando seus algozes ou por vergonha ou, na grande parte das vezes, por medo.

Essa é uma situação de calamidade pública, e que só vai mudar se toda a sociedade, se todas as mulheres e também os homens, denunciarem qualquer tipo de agressão praticada contra elas e tiverem a noção exata de que quem está sofrendo a violência é uma mãe, uma irmã, uma tia, sobrinha, prima, ou até mesmo avó”, disse.

De acordo com a matéria de “O Globo”, os números da violência contra a mulher continuam crescendo ano a ano no Brasil e no Rio de Janeiro (onde há redução pontual de alguns crimes em 2013).

Para especialistas ouvidos pelo jornal, muito do crescimento se deve ao fato de as mulheres estarem denunciando mais depois da Lei Maria da Penha.

Em vigor desde setembro de 2006, a lei aumentou a punição para agressores e fortaleceu a rede de atendimento.

“Entre especialistas, uma certeza: os crimes estão subnotificados, o que torna a realidade pior do que a estatística”, afirma “O Globo”.

“Os números mostrados pelo jornal, que estão no Dossiê Mulher 2014, revelam que vivemos em um triste estado de barbárie no Brasil, com a banalização da violência que acaba por resultar em destruição física e moral, e também em mortes estúpidas.

Por vezes parece que estamos vivendo sob a égide do Estado Islâmico, que escraviza mulheres, estupra, mutila, mata em nome do seu conjunto arcaico de regras.

A presidente Dilma, que no ano passado propôs para a sociedade um pacto em torno da reforma política, precisa entrar de cabeça nessa luta para erradicar a violência contra a mulher e apelar por um pacto contra esta calamidade social.

Ela, uma mulher, uma mãe e avó, precisa ser enfática na condenação dessa brutalidade diária a que as mulheres são submetidas.

Por que a presidente não aparece em rede nacional de TV para exigir um basta à violência contra a mulher?”, questionou Cristiane Brasil.

A presidente do PTB Mulher, além de pedir participação ativa da presidente Dilma nas ações e campanhas para coibir a violência contra as mulheres, propôs que, no próximo mandato, um homem assuma a Secretaria de Políticas para as Mulheres.

“Precisamos contar com o apoio dos homens nesta luta para erradicar a chaga da violência contra a mulher.

Uma figura pública de respeitabilidade, conhecido por posições firmes, um juiz ou advogado com histórico de defesa da mulher, poderia ser um marco nesta luta.

Se não engajarmos os homens, e se não mudarmos a legislação para tornar ainda mais rígidas as punições aos agressores, nós, mulheres, continuaremos vivendo em um país mais violento que nações que enfrentam guerras civis e disputas tribais.

A presidente da República precisa empalmar esta bandeira, com coragem e determinação”, concluiu a deputada federal eleita Cristiane Brasil.

Agência Trabalhista de NotíciasFoto: J.

R Neto/Divulgação