DCI publica entrevista exclusiva com Campos Machado, presidente do PTB pau

PTB Notícias 16/04/2007, 11:43


O Diário Comércio, Indústria e Serviços publicou, nesta segunda-feira, entrevista exclusiva com o presidente do PTB paulista, o deputado estadual Campos Machado.

Confira a matéria, na íntegra:A trajetória do PTB e a carreira do deputado Campos Machado se confundem.

Uma raridade na política brasileira, ele nunca mudou de partido.

Desde 1990 é líder da legenda na Assembléia Legislativa de São Paulo e hoje, além de presidente estadual do PTB, é secretário-geral do partido.

E com a responsabilidade de segundo homem na hierarquia da sigla, já começa traçar planos para “abrir o partido para a sociedade”.

“Vamos popularizar o PTB”, diz.

Machado concedeu entrevista exclusiva ao DCI, na qual fala sobre a aliança com o PSDB, os projetos para 2008 e analisa o cenário político estadual.

O petebista, que se diz um “amigo e irmão” do tucano Geraldo Alckmin, também lembra seu papel de fiel escudeiro do ex-governador: “desde o inicio do governo está cabendo a mim, inclusive com muita honra, a defesa intransigente de Alckmin”, afirma.

Confira a primeira de uma série de entrevistas que o DCI fará com presidentes dos partidos de São Paulo.

DCI:Quais os planos do PTB para as eleições de 2008 em São Paulo?Campos Machado: Seguramente em São Paulo nós teremos candidato próprio.

Defendo a tese simples de que time que não joga, perde a torcida.

Estamos trabalhando para compor uma chapa de vereadores que possa representar a comunidade como um todo.

O Neto, comentarista de futebol pode ser candidato e o Müller e o Marcelinho Carioca, que são filiados, vão apoiar o Neto.

Vamos lançar Marly Marlei [jurada do “Programa Raul Gil”].

Estou convidando o Eli Correa [locutor da rádio Capital] para ser candidato.

Queremos trazer empresários, evangélicos.

No interior estamos trabalhando para que o partido dispute em 300 cidades.

DCI:O Ibope revelou que o PTB é, hoje, o partido que mais cresce no País, com índices de aprovação da ordem de 13% e a menor taxa de rejeição, de apenas 1%.

Como está o partido em São Paulo?CM: É provável que até o final de junho o antigo sonho do PTB, que é a vinda do senador Romeu Tuma para o partido, se concretize.

Estávamos com praticamente tudo definido, mas então veio a interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a mudança de legenda.

Agora estamos aguardando como vai ser.

Nos iríamos trazer pelo menos quatro ou cinco deputados estaduais para o partido e outros quatro federais de São Paulo estavam em negociação .

Nacionalmente, estava praticamente definido que chegaríamos a 32 ou 35 deputados federais até o final de maio.

Mas até meados de maio teremos um projeto ou emenda constitucional apresentada no Congresso para definir esta questão.

O mais provável é que a fidelidade partidária seja muito bem definida, por uma medida dura, mas para valer a partir de 2008.

DCI:O senhor acredita que há um racha dentro do PSDB entre o grupo do Serra e do Alckmin?CM: Não posso dizer se há dentro do PSDB um racha entre Geraldo Alckmin e José Serra.

Mas o que puder fazer para impedir essas CPIs que apenas buscam atingir o Alckmin, sem nenhum conteúdo, vou fazer.

CPIs como a da Nossa Caixa e da Eletropaulo só têm um objetivo: tentar inviabilizar, não o Geraldo Alckmin na prefeitura, mas inviabilizá-lo para 2008 e 2010.

Falo pelo PTB e o meu partido vai defender Alckmin de maneira total.

Às vezes me sinto sozinho na Assembléia, mas em paz comigo mesmo.

Não há hipótese de deixarmos Alckmin isolado.

DCI:Como é a aliança que o PTB tem com os tucanos no estado?CM: Primeiro, é preciso deixar claro que somos aliados, mas não somos alienados.

Fomos aliados do PSDB desde o Mário Covas, com quem tive uma relação forte.

Depois fui candidato a vice-prefeito do Alckmin em 2000, ele que é mais meu irmão do que meu amigo.

Todo mundo sabe da minha ligação com ele.

Desde o inicio do governo está cabendo a mim, inclusive com muita honra, a defesa intransigente que faço dele.

Ao mesmo tempo, tenho compromisso com o governador José Serra, somos aliados de primeira hora.

Ele foi extremamente leal comigo.

Cumpriu os compromissos assumidos.

Na primeira conversa, falamos sobre a vice-governança, que ele via com simpatia, mas tinha o PFL pleiteando também.

Então falei: “senhor ministro, quero dizer textualmente o seguinte: para mim, acordo é para ser cumprido.

Nós vamos cumprir firmemente o acordo com o senhor, porque lealdade é a cicatriz do político.

Não vai ter nenhuma divergência do meu partido com sua campanha, quem divergir está fora do partido.

Estamos pleiteando, se vencermos juntos, vamos governar juntos”.

Passadas as eleições, o governador cumpriu o acordo.

Por isso, tenho o compromisso e obrigação de afirmar que o Serra é um homem leal.

DCI:Como o senhor analisa o impasse da instauração das CPIs?CM: Por princípio, sou contra as CPIs que queiram tratar de assuntos que já estão sendo investigados pelo Ministério Público.

Ora, qual é o destino do resultado de uma CPI, da apuração de fatos que envolvam delitos? Seguramente é desaguar no ministério público e se o MP já está apurando não tem necessidade, a não ser política.

O deputado Luiz Sérgio, líder do PT na Câmara Federal, disse que CPI é só ação política não via necessidade da CPI do Apagão Aéreo porque já está sendo investigado do mesmo jeito que acontece em São Paulo.

Eu pergunto: que PT está certo, o de Brasília ou o de São Paulo? Se tem uma coisa que me deixa tranqüilo é ver a ira petista.

A ira petista me incentiva, me estimula.

Se tem uma coisa que eu fico contente é quando eu vejo o PT nervoso.

DCI:O PTB tem entre os seus lideres duas figuras polêmicas da política brasileira: Roberto Jefferson e Fernando Collor.

Como a legenda administra essa questão?CM: Embora existam algumas pessoas que sonhem em ver o Roberto fora da presidência do partido, esta é uma possibilidade que não existe.

Tenho um projeto pronto, elaborado que trata da anistia do Jefferson.

Eu já tinha montado a estratégia em São Paulo, inicialmente.

Pensei: vou fazer uma campanha de filiação em todo o estado, as pessoas se filiam e automaticamente assinariam a lista.

Muita gente não iria se filiar, mas assinariam a lista.

Então, ele me disse: “meu irmão, eu quero entrar pela porta da frente” e pediu que aguardasse um pouco para ver os desdobramentos.

Se amanhã o Roberto, que é o interessado, der o sinal verde conseguimos esse 1,5 milhão de assinatura numa previsão de 4 ou 5 meses.

DCI:E o Collor?CM: Quando falam em Collor, as pessoas me questionam e digo que o povo de Alagoas perdoou o Collor, o elegeu senador.

Então, com muita honra, nós trouxemos o Collor para o PTB.

O Collor foi a primeira pessoa a encampar a questão do meio ambiente de maneira efetiva no País .

DCI:Como o senhor pretende modernizar o PTB?CM: Eu sempre entendi que partido é um pouco família e resolvemos criar um partido diferente e moderno.

Então resolvemos criar o PTB ambiental.

No dia 5 de junho, no dia Mundial do Meio Ambiente, vou lançar em São Paulo, o primeiro PTB ambiental do País.

O tema é atual, aquecimento do planeta as preocupações com o meio ambiente.

Vai assumir a presidência do PTB ambiental um dos maiores especialistas de meio ambiente no País, professor Pinheiro Pedro, que foi candidato a governador em 2002 pelo Partido Verde.

Ele está elaborando as diretrizes que vão nortear as ações do partido em São Paulo.

Depois, como secretário-geral do partido, vou levar esse plano para os estados.

Vamos criar depois o PTB dos aposentados.

Depois vamos criar o PTB do Afrodescendente.

Estou em contato com o reitor da Uni Palmares.

Ele disse em entrevista que o negro tem que ter participação na política e estou pedindo a ele que indique um afrodescendente.

Vamos criar o PTB dos deficientes físicos — 16% a 18% dos brasileiros sofrem algum tipo de deficiência física.

DCI:O que é o PTB móvel?CM: Todos os diretórios no estado têm dificuldades, vereadores, prefeitos, problemas judiciais e fiscais.

Então, o PTB móvel é um carro com dois advogados para qualquer problema que os diretórios ou políticos do PTB que tenham mandato em qualquer dos 600 municípios do estado.

Ele vai para dar toda a assistência.

É uma maneira que tenho para que haja integração entre os diretórios zonais e municipais.

Por que hoje que ligação existe, por exemplo, do diretório de Rosana, seja de qualquer partido, com o diretório de São Paulo?DCI:O PTB terá uma loja virtual, como a do PT?CM: Contratei um designer que fez uns layouts e vamos criar — contra a minha vontade, vamos copiar o PT —, vamos vender camisetas, bonés.

Até o final de maio, teremos isto pronto.

Vamos ter uma lojinha do PTB.

E, ao mesmo tempo, no final de maio lançaremos a campanha da filiação partidária.