Divaldo Lara questiona atuação de presidente de associação de Bagé (RS)

PTB Notícias 23/04/2014, 8:07


Assim como esperado, a reunião extraordinária da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) que investiga as contas do Parque do Gaúcho e os convênios com a Associação São Pedro e com a Santa Casa de Bagé foi tensa.

Mais em função das informações prestadas pelo vereador Divaldo Lara (PTB-RS), convidado a depor.

O petebista foi o responsável por reunir mais de 2,5 mil folhas antes mesmo da instauração da comissão.

Ele, aliás, já havia repassado o material aos componentes da CPI.

Mesmo assim, com a meta de agilizar as análises, foi convidado para prestar informações e auxiliar no processo.

Na atividade, um dos principais apontamentos feitos por Lara foi um questionamento.

“O coordenador do Parque, Jorge Luiz Braga Abott (Liquinho), um CC (Cargo em Comissão) da prefeitura, também preside a Associação de Amigos do Parque.

Mas como, ele, pode fiscalizar algo onde atua?”, indaga.

O vereador disse, na oportunidade, que a documentação comprobatória relativa à nomeação de Liquinho à função junto à Associação é inconsistente.

“Acho preocupante.

As informações solicitadas explicando como ele foi eleito, a Ata, não nos foi repassada.

Ou foi negligenciada ou não existe”, destaca.

Apesar do fato nortear boa parte das discussões, outros pontos também foram levantados.

Os custos de manutenção das estruturas e os repasses efetuados pelo Executivo também geraram debates.

Gasto de R$ 6 milhões?O petebista chamou a atenção para os repasses em 2012.

O que, segundo a documentação apresentada, atingiu a cifra de R$ 524.

427,07.

“Foi em um ano eleitoral e bem superior a todos os outros anos”, comentou Lara.

Para exemplificar, lembrou que em 2009, o montante foi de R$ 83.

005,92, em 2010 de R$ 235.

509,85, em 2011 de R$ 186.

712,30 e em 2013 (até setembro) de R$ 360.

578,11.

“Até hoje, foram de R$ 1.

390.

233,31 transferidos pela prefeitura ao Parque, isto apenas para manutenções”, disse.

Divaldo Lara destacou, ainda, que fez um cálculo onde, até hoje, mais de R$ 6 milhões já teriam sido aplicados junto à estrutura do município.

Isto somando repasses municipais e recursos provenientes de emendas.

“É uma análise minha, extraoficial.

Não sou perito, mas não sou leigo”, salienta.

E reforçou: “é este o valor que esta Comissão terá que apurar”.

NotasO depoimento de Lara também frisou sobre outro assunto específico.

Segundo ele, boa parte das notas utilizadas na prestação de contas do Parque necessitam ser averiguadas.

Indicou que as datas de impressão e emissão “não batem”.

“Sugeri que a Comissão contrate uma empresa especializada para conferir isso.

Também que a Comissão vá até os locais onde essas notas foram emitidas para averiguar”, completa.

Esquerda denuncia locação de espaçosNa reunião, o vereador Esquerda Carneiro (PTB), membro da CPI, aproveitou para entregar ao presidente da Comissão, Uílson Morais (PMDB), recibos apontando a locação de espaços no Parque do Gaúcho para pastoreio de animais particulares.

Segundo ele, uma ação ilegal.

“O Parque do Gaúcho, sendo um espaço público, não deveria ser cobrado, e nem mesmo deveria ser liberada a entrada destes animais para pastoreio, quanto mais cobrado, e estes valores não aparecem nas prestações de contas,” argumenta.

AndamentoO evento de ontem foi concluído com os vereadores assistindo a gravação, em vídeo, da audiência realizada com o coordenador do Parque do Gaúcho ano passado, no plenário da Câmara.

O próximo encontro do grupo será na segunda-feira, dia 28, às 17h.

Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações da Folha do Sul Foto: Suélen Delabari/Especial/FS