Em artigo Roberto Jefferson comenta desafios da primeira mulher presidente

PTB Notícias 29/12/2010, 9:24


Leia abaixo artigo do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico, edição desta quarta-feira (29/12):Dilma não é postePor Roberto JeffersonO Brasil está prestes a ter sua primeira presidente — ou presidenta, como prefiram os leitores e autorizam os gramáticos.

A questão, entretanto, envolve mais do que a frívola quebra de um tabu, como se falássemos de futebol.

Durante a campanha, dizia-se que Lula seria capaz de eleger um poste e que o problema seria apenas o nome do poste, este sim, capaz de unir uma oposição com chances de vitória.

Lançada a candidatura de Dilma e confirmada sua vitória, a imagem passou a ser utilizada como forma de desqualificação da eleita: o poste seria personagem de um teatro de marionetes, manipulado pelo prestidigitador de Garanhuns.

Dilma não é poste e o eleitor não é a plateia infantil de um teatrinho.

Como mostra estudo da pesquisadora Simone R.

Bohn, em 2007 mais de dois terços dos brasileiros votariam numa mulher para presidente da República, mas o grave é que entre a minoria renitente, 10% do total (cerca de 20 milhões, de pessoas) tampouco achavam que a democracia é a melhor forma de governo.

Para agravar o problema, embora o Brasil mantenha, desde 1995, a exigência de cotas de mulheres candidatas, de acordo com levantamento da União Parlamentar Internacional de 30 de novembro último, estamos em 108º lugar no ranking mundial de participação feminina nos legislativos, cercados por países africanos e muçulmanos.

É aí que mora o perigo, um perigo que pode se alastrar como a dengue.

Durante a campanha, dizia-se que Dilma não estava preparada para governar, comparando-se seu currículo com o de José Serra.

Por certo ela não tinha experiência eleitoral, mas preparo — secretária de estado e ministra de pastas importantes durante quase oito anos — tinha e feliz o país que tem a oportunidade de escolher entre candidatos com as qualificações de Serra e Dilma.

Ainda assim, é dela que se cobra a prova de capacidade para governar, quando não de governar melhor que todos os homens que a precederam.

Por quê?Por trás disso está implícita a tese de que uma mulher só tem direito de assumir o cargo se o ocupar melhor que qualquer homem.

Do contrário, como dizia a marchinha, bota o retrato do velho de volta no lugar.

Dilma assumirá o governo num momento favorável.

Não tanto quanto pretende o seu virtual antecessor — de acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas Para a América Latina (Cepal), considerando-se vários indicadores, o desempenho econômico do Brasil ao longo dos últimos anos é inferior ao de nossos parceiros do Mercosul e de outras regiões do continente e há vários indícios de que, num futuro próximo, enfrentaremos difíceis desafios para manter e principalmente intensificar o desenvolvimento com redução de desigualdade obtido no passado recente.

É então que Dilma terá que mostrar o seu valor, que não é a criatura de um homem, que não é a Cristina do Kirchner tupiniquim, como mal comparam alguns.

O futuro ministério, com tantas caras velhas, pode parecer preocupante sob esse aspecto.

Mas precisamente por isso, seu desempenho terá a cara de Dilma.