Em entrevista, Chico Galindo faz análise do quadro político em Mato Grosso

PTB Notícias 29/09/2014, 7:28


Em entrevista ao jornal O Atual, o presidente do PTB de Mato Grosso e ex-prefeito de Cuiabá, Chico Galindo, destrincha os caminhos a uma cadeira na Assembleia Legislativa.

O dirigente se mostra habilidoso na arte de formar as chamadas “frentinhas”, onde são incluídos em um único grupo, vários políticos de médio potencial eleitoral, em busca de uma vaga no Legislativo estadual.

Com histórico de vitórias nas últimas duas eleições à Assembleia, Chico Galindo faz uma análise do atual quadro, aponta seus palpites e explica os motivos que levaram a não participar do pleito eleitoral, indicando seu filho, o candidato Neto Galindo, para estrear na política.

Confirma os principais momentos dessa entrevista:O Atual – Qual a análise o senhor faz da chamada “frentinha” para eleição de deputado estadual e qual a estratégia utilizada para formar esse grupo?Chico Galindo – Trabalhamos como em todas as outras eleições.

Exemplo de 2006, ao qual eu fui candidato, onde fui eleito com 11.

800 votos, menos de 12 mil votos.

Na época tínhamos uma frente com oito partidos.

Em 2010 tínhamos uma frente com cinco partidos e Luiz Marinho foi eleito deputado estadual pelo PTB.

Agora em 2014 fizemos a mesma estratégia.

Então nós temos na chapa o PPS, PSL e PTB.

Nesse grupo temos vereadores atuais, como é o caso de Rondonópolis; temos também vice-prefeitos, como o de Juína; ex-prefeitos de Terra Nova e Peixoto de Azevedo; nesse grupo tem ex-deputados, como é o caso do Júnior Chaveiro; um vereador de Lucas do Rio Verde, o Moto-taxista, candidato que vem despontando nas pesquisas; em Várzea Grande temos o Wender Madureira; citei alguns nomes de um grupo de 43 candidatos.

O Atual – Quais são as chances da “frentinha” nessas eleições?Chico Galindo – Então, eu não tenho dúvida que iremos fazer novamente um deputado estadual.

Nas duas eleições anteriores, 2006 e 2010, batemos na trave para fazer o segundo.

Como os candidatos desse grupo estão tão empolgados e a população carente de mudanças, pedindo mudanças, eu ouso a dizer que essa frente, que muitos, pela terceira vez, diz que não elege nenhum, estou muito confiante de eleger dois da frente PPS, PSL e PTB.

O Atual – A falta de um puxador de votos, pelas suas análises, acaba animando o grupo de candidatos?Chico Galindo – Essa é a estratégia! Existe aquela estratégia de colocar cinco a seis puxadores de votos para fazer seis, sete ou oito deputados e existem as frentes, que são chamadas de “frentinhas” que faz e sempre fez um e está batendo na trave da segunda vaga.

Nesse ano eu acho que iremos fazer dois, justamente porque a população quer mudança.

Na frentinha são políticos, que não são os caciques, são políticos que querem a mudança.

São políticos que com 12 a 13 mil votos vão se eleger.

Então essas são as estratégias, ambas totalmente diferentes, numa do político que conquista 30 mil votos e não se elege e a outra que tem 12 mil votos e se elege.

Tenho certeza que iremos eleger um e com grandes chances de eleger dois.

O Atual – Qual o compromisso dos eleitos com esse grupo, pois estamos falando de um grupo eleger de um a dois deputados, e não de dois deputados puxarem um grupo.

Chico Galindo – Sou campeão nisso aí.

Em termo de rodízio, acho extremamente legal, tanto é que a emenda Lei ao Regimento Interno da Assembleia Legislativa, de minha autoria, legaliza o rodízio no Legislativo.

Antes o deputado só poderia pedir licença por doença, o parlamentar teria que estar doente para um que te ajudou a eleger assumir a vaga.

Fiz uma emenda e nela diz que o deputado pode pedir licença sem remuneração.

Eu, quando deputado, contemplei quatro suplentes que ajudaram a me eleger.

O Júnior Chaveiro, Branquinho de Xavantina, Mário Lúcio de Cuiabá e a Wilma de Rondonópolis, a primeira mulher negra a assumir a cadeira de deputada na história de Mato Grosso.

Agora também todos estão animados, pois no PTB sempre foi feito o rodízio.

Essa é uma linha que eu gosto de adotar.

Por isso eu digo que eles estão empolgadíssimos, pois os que não se elegerem e ficarem nas primeiras suplências, irão assumir a cadeira de deputado, baseada no Regimento Interno da Assembleia Legislativa.

O Atual – O senhor colocou seu nome como candidato nesse grupo, na sequência recuou e o filho do senhor é candidato na frentinha.

Qual a avaliação o senhor fez?Chico Galindo – Primeiro gostaria de esclarecer que soltaram na imprensa que eu não seria candidato por ser ficha suja.

Eu posso dizer e agradecer a Deus, por ter sido prefeito de uma capital e não ter sequer um processo.

Tenho zero processo no período que estive na prefeitura de Cuiabá.

Então eu sou ficha limpa e poderia sim ser candidato, não quis, como também não quis a reeleição a prefeitura.

Se tivesse disputado a reeleição daria muito trabalho.

O Poeira Zero estava em pleno vapor, com recurso próprio.

Desafio qualquer prefeito que fez mais do que eu, foram 62 quilômetros de asfalto, sem financiar.

Eu deixei um legado que me deixa muito tranquilo sobre isso.

Essa decisão foi do grupo, na hora que discutimos, entre todos os candidatos dos três partidos, e decidimos registrar para fazer uma análise, aí registrou meu nome, do meu filho, o Neto Galindo, do Fabinho da gráfica Print, do Ricardo Cintra do Gerônimo, registramos, depois sentamos e começamos a analisar.

Se eu entrasse a tendência era de puxar mais votos, mas aí não ficaria homogênea a frente, como todos tendo a possibilidade de se eleger.

Saiu eu, Fabinho e Ricardo e ficou o Neto Galindo, que está no mesmo nível dos candidatos da frentinha, para que se eleja um ou dois, a verdade é essa.

Registramos sim, numa estratégia, pois a política é uma estratégia.

A frentinha trabalha com estratégia e com pesquisa.

Temos pesquisas de todos os municípios onde temos candidatos e eles estão pontuando e pontuando bem, temos candidatos em primeiro lugar em seus municípios, outros em segundo.

Isso nos dá margem para afirmar que temos grandes chances de eleger dois deputados.

O Atual – Nessa caminhada como está o relacionamento da frentinha com a majoritária?Chico Galindo – Como temos um trabalho planejado, a frentinha foi uma das que teve menos trabalho numa campanha.

Todas as campanhas têm discussões e problemas.

Na frentinha teremos início, meio e fim.

Tudo que foi acordado com a frente, dentro da legalidade, com os repasses oficiais, que está na prestação de contas, está sendo cumprido pela majoritária, sendo repassado diretamente para todos os candidatos.

Todos os candidatos estão com as suas estruturas, trabalhando, pedindo voto para o governador Pedro Taques (PDT), para o senador Rogério Salles (PSDB) e claro, para ele candidato.

Lembrando que temos dois candidatos a deputado federal, o Paulo Selva de Várzea Grande, da corporação do Corpo de Bombeiros e o candidato Evandro Carlos lá de Vila Rica.

O Atual – Pela experiência do senhor, qual avaliação do quadro da disputa proporcional e majoritária?Chico Galindo – Já falei do desejo da sociedade cuiabana, mato-grossense e brasileira por mudança.

O povo está desacreditando do político, o que é uma pena.

A população tem que acreditar e escolher bem, pois política é a vida do município, do estado e da nação.

Quando você apresenta um nome da qualidade do Pedro Taques a governador, as pesquisas mostram, a população fica com aquela esperança e vota na honestidade, no serviço prestado.

Eu vejo que estão trabalhando corretamente e acredito que Pedro Taques vence agora no primeiro turno.

Depois vem também o Senado, o Rogério, que tem serviço prestado e seriedade, está crescendo nas pesquisas e pode vencer as eleições.

Na frentinha, sem dúvida alguma, eu aposto hoje no Neto Galindo.

Ele está fazendo um bom trabalho e está com vontade.

Para a segunda vaga, estamos com seis nomes bastante cotados.

Na disputa pela Câmara Federal, acredito que a coligação faça no mínimo quatro deputados.

O Atual – Os políticos da “frentinha” então mostram desapego ao poder?Chico Galindo – O político que tem a coragem de sair em uma frente que sabe que vai fazer um, com a possibilidade de um segundo, é desprendido de vaidade, de desejo de poder, de ambição pelo poder.

São políticos que querem um projeto de mudança, de melhoria.

Então quando falamos em frentinha, na verdade estamos falando de frentona, pois são pessoas de coragem, pé no chão, que pede o voto olhando no olho do eleitor, sem corromper, sem comprar votos.

É um orgulho trabalhar com um time desse.

Aqui temos currículos bons que num futuro estarão ajudando o governador, deputado federal e estadual, terão guarida desse grupo para o fortalecimento político.

Repito, a política é fundamental e importante para a sociedade.

O Atual – Para finalizar.

Qual a dificuldade encontrada para montar esse grupo?Chico Galindo – Difícil.

Não é fácil você montar um grupo de pessoas que pensam diferentes, mas com um único objetivo.

Só consegue porque todos têm um objetivo, o objetivo de um futuro melhor para Mato Grosso.

No final você consegue ter um grupo coerente e de responsabilidade, mas não é não.

Os interesses pessoais pensam de uma forma, mas a estratégia e o objetivo falaram mais alto para esse grupo.

Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações de O Atual Foto:Divulgação/O Atual