Em entrevista, Cristiano Araújo faz balanço de sua atuação no ano de 2015

PTB Notícias 7/01/2016, 8:49


Em entrevista ao Jornal Alô Brasília, o deputado Cristiano Araújo (PTB-DF) faz um balanço de sua atuação no ano de 2015, das relações com o governo e do futuro de Brasília.

Confira a entrevista abaixo na íntegra: Christianno Nogueira Araújo, ou simplesmente, Cristiano Araújo, nasceu em Brasília no dia 11 de maio de 1983.

Formado em Administração, Cristiano iniciou a carreira de empresário trabalhando nas empresas de sua família.

Apesar de ser um político da nova geração, já pode ser considerar bastante experiente, pois iniciou em 2015 o seu terceiro mandato como Deputado Distrital pelo Distrito Federal.

Já no primeiro mandato, assumiu a presidência da da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF).

Atualmente, está na a presidência da Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo.

No plenário da Câmara, defende também as bandeiras que busquem valorizar as famílias, o combate às drogas, o meio ambiente, e o incentivo à educação e a socialização das pessoas.

Em entrevista para o Alô Brasília, o parlamentar faz um balanço de 2015 e fala sobre suas principais ações na Câmara Legislativa.

Qual o balanço que o senhor faz desse primeiro ano do seu mandato?Eu considero que foi um ano muito difícil, a partir de outubro do ano passado, quando acabou o 1º turno das eleições, em que deputados distritais e federais foram eleitos, começou o processo de 2º turno com o governador do DF à época (Agnelo Queiroz) fora da disputa.

Então desencadeou em Brasília uma crise imensa que ninguém tinha noção da proporção.

O setor produtivo ficou muito prejudicado naqueles três últimos meses, houve um descompasso no orçamento, algo em torno de 5 bilhões, e entramos o ano com o pagamento de servidores atrasados.

O clima da cidade mesmo era de terror.

A primeira obrigação do governo era manter o salário dos servidores em dia, e já tinha aquele problema, e nós votamos naquela época a liberação dos fundos distritais para conseguir organizar a folha de pagamento dos servidores da educação, e isso é um tema muito polêmico, porque a luta para a constituição desses fundos é histórica dos movimentos, das categorias, e você tirar isso para pagar salários, conseguir convencer os seguimentos que fazem parte desse fundo é uma negociação difícil, até porque o deputado distrital trabalha segmentado com cada categoria, com cada base.

E aí vieram vários aumentos de impostos do governo e tivemos que tentar criar um ponto de equilíbrio no que diz respeito a como tirar Brasília da crise sem prejudicar mais ainda uma população que já estava sofrendo com inflação alta, com o dinheiro rendendo cada vez menos.

Como você vai dar mais uma “cipoada” na população? E nós tentamos criar esse equilíbrio.

Devolvemos alguns projetos, por exemplo, a Taxa de Limpeza Urbana, nós não deixamos aumentar.

Foi um ano muito complicado, nós todos aqui não medimos esforços para ver se ajudávamos Brasília à recuperar sua capacidade de investir.

Por outro lado foi um ano muito positivo para mim, no que se diz respeito a projetos, nós conseguimos aprovar 7 leis que eu considero importantes para o DF no ponto de vista da moralização.

Nós procuramos dar transparência, focar em leis com essa abordagem, que trazem transparência aos atos do Poder Executivo e do Poder Legislativo.

Também trabalhei muito na questão do meio ambiente, água, energia limpa, e acho que isso foi positivo, conseguimos aprovar alguns projetos que começam a zelar, a controlar e fiscalizar o maior bem que nós temos, que é a água.

Como o senhor vê o atual momento econômico do Distrito Federal? Quais medidas poderiam ser tomadas parar que a economia possa melhorar? A economia, a curto prazo, é o que o governo tem feito, tentando cortar despesas com viagens, passagens aéreas, com alugueis de veículos, manutenção com empresas terceirizadas.

Isso pode ser enxugado, porque é uma conta pesada para o governo.

Essas são as medidas a curto prazo e estão sendo feitas, cortar o supérfluo, cortar as mordomias.

Hoje, na situação econômica que a cidade se encontra, não cabe ter gestores com regalias e isso eu acho que o governo tem feito e nós da Câmara temos dado muito apoio a essa questão.

Várias licitações que iam ser feitas de milhões até licitações pequenas, por exemplo, os Bombeiros iam comprar R$ 300 mil em brindes e nós fiscalizamos isso no Diário Oficial e mandamos para o comandante, quando víamos que não iam parar a ação mandávamos para a imprensa também.

Nós fizemos nosso papel de fiscalização, no que diz respeito a fazer uma ajuda construtiva ao governo.

E outras licitações grandes que iriam acontecer, como criar novos postos de brigada, uma licitação que iria acontecer na Secretaria de Planejamento, de mais de R$ 30 milhões.

O Governo, que não está conseguindo pagar os serviços que estão aí, ia fazer uma licitação desse tamanho? Parece que não estão se comunicando.

E nós de certo modo ajudamos vendo com essa visão de fora.

Outro aspecto que nós tentamos implementar no governo, o BRB está contratando serviços de xérox e a Secretaria de Planejamento está fazendo o mesmo serviço.

Por que não junta tudo isso? Quando se compra em maior escala se paga um preço menor.

Sem dúvida nenhuma fizemos nosso papel, acho que minhas críticas foram construtivas e nunca críticas que não levam a nada e sem dúvidas deixamos nossa marca.

Agora, a longo prazo.

.

.

No final do ano nós aprovamos uma autorização de venda de 22 terrenos e o governo vai colocar isso como carteira de ativo para poder colocá-los a disposição do setor produtivo e agora eles tem que criar uma sinergia para que a iniciativa privada se sinta encorajada a investir nisso.

E como ela vai se sentir encorajada? Quando verem que esses terrenos vão ter alvará, habite-se, as licenças.

O Estado tem que trabalhar para impulsionar esses investimentos.

Hoje você investe e o Estado, ao invés de te ajudar, ele cria uma série de legislações.

O que já foi feito esse ano, vários leis que desburocratizaram isso e agora o governo tem que regulamentar essas leis e fazer com que isso tenha validade para que o setor produtivo volte a poder investir, porque com o crescimento dele, crescem os empregos, a economia volta a crescer.

Algumas questões da CEB, para poder fazer reinvestimento na rede de energia, e nós autorizamos a venda de todas as subsidiárias, que foram investimentos feitos lá atrás.

A CEB tem uma divida de mais de R$ 400 milhões e isso gera algo em torno de R$ 150 milhões de prestações de banco e ela perde a capacidade de investimento por estar endividada.

Nós autorizamos a venda, que dá em torno de 8% do capital total da empresa, e gera algo em torno de R$ 600 milhões.

Eles se empenhando nos próximos 6 meses, 1 ano, conseguindo vender podemos resgatar a nossa CEB, melhorar demais a qualidade de energia da população e pode se pensar em tarifas mais justas.

O Distrito Federal tende a melhorar, tende a sair da crise, agora, precisasse ficar vigilante, ter pulso na gestão para que as coisas comecem a acontecer.

Como é a sua relação com o Governo de Brasília?A minha relação com o governador é extremamente positiva, é uma relação republicana, respeitosa, onde nós discutimos Brasília.

O governador foi eleito com um papel, a população quer que ele acerte nas políticas públicas, na gestão, para poder devolver saúde, educação, segurança, mobilidade.

.

.

é isso que a população que votou nele quer, e quem me elegeu quer a mesma coisa.

O nosso interesse, a minha defesa pela cidade é igual a dele.

Os interesses são convergentes.

Nós temos procurado, ao longo desse ano, amadurecer a nossa relação, a partir de um momento em que ele foi eleito com uma expectativa, eu também fui eleito com uma.

Os dois mandatos são legítimos, então a gente procura convergir isso pelo bem da sociedade.

O senhor fez parte da Comissão Especial de Impeachment do Governador Arruda em 2010.

Como vê o processo do impeachment da Presidente Dilma?A pedalada fiscal não é motivo para o impeachment.

O motivo do impeachment são as condições políticas que ela não está conseguindo encontrar dentro do Congresso Nacional.

A pedalada é o argumento que estão encontrando.

As instituições estão funcionando, o Ministério Público está funcionando, o Judiciário, o Poder Executivo.

Tem a crise econômica que ela fala, e eu não vou entrar no mérito se é uma política correta ou errada do Joaquim Levy (ex-Ministro da Fazenda), de cortar gastos e aumentar imposto, falando a grosso modo e de uma maneira rasa.

Mas são processos diferentes, ela mentiu na eleição dela, dizendo que não teria que fazer cortes, traiu a população dizendo que o país estava a mil maravilhas e não é isso.

Essa traição dela, mentindo, a desestabilizou politicamente, esse é o problema.

E ela tem um outro problema grande com o presidente da Casa, Eduardo Cunha.

Aqui em Brasília, na Caixa de Pandora, foi diferente, porque tínhamos 12 deputados aqui que estavam envolvidos no esquema, eu fui um dos únicos, fora a oposição, que estavam aptos a assumir o processo.

Eu fui o presidente e o deputado Chico Leite o relator.

E nós nem tivemos que julgar aquele caso, a própria imprensa já tinha julgado e condenado, então o TRE acabou afastando e muitas das coisas que ele foi acusado naquele momento a Justiça diz hoje que não era culpa do governador, muitos processos o Arruda já ganhou.

São citações extremamente diferentes, momentos diferentes.

O grau de amadurecimento da população daquela época para hoje é totalmente diferente.

Sobre o Plano Distrital de Educação (PDE/DF), qual a importância que ele representa para o futuro da Educação Pública do DF?O Plano Distrital define metas para os próximos 10 anos na educação do Distrito Federal, foram estipuladas metas arrojadas.

Com essa linha de raciocínio que eu determinei os trabalhos do PDE, eu queria metas agressivas, para as pessoas que estiverem na gestão se sintam cobradas e se sintam obrigadas a estar trabalhando dia e noite para melhorar a educação.

Nós pensamos na parte dos conteúdos programáticos de educação, também pensamos nos servidores.

Os servidores que são formados poderão optar em fazer a pós-graduação totalmente gratuita, os que são técnicos podem fazer a faculdade de forma gratuita, pagos pela Secretaria de Educação.

Conseguimos o benefício do plano de saúde.

Se o servidor não estiver satisfeito ele não vai levar qualidade de ensino.

Também colocamos a escola de ensino integral.

São metas que são extremamente difíceis do governo cumprir, mas, enquanto estivermos aqui na Casa, nós vamos estar cobrando dia a dia para que seja dada a atenção necessária a esse plano.

A respeito do Projeto de Lei que regulamenta os usos dos parques.

Como o senhor acha que o Executivo está encarando essa proposta?Essa discussão eu levo por uma abordagem diferente, eu defendo o meio ambiente, a nossa geração quer uma cidade parque, que tenha lugar para se fazer esporte, ir com os filhos fazer um piquenique.

Eu vivo a cidade, eu frequento o Parque da Cidade, vou ao Parque Olhos DӇgua, na Asa Norte, sonho em ver o Burle Marx pronto.

O que nós temos visto aqui na Câmara é uma série de equívocos do governo.

Cria-se parque e larga-se lá.

Não tem um plano de ocupação, de investimentos, de estrutura, de segurança, não tem nada.

São dados concretos, a execução de investimentos de infraestrutura nos parques é zero.

Eles tinham R$ 15 milhões para gastar e não usaram nada.

Não me parece justo, sobretudo em áreas que estão preservadas por uma comunidade, você simplesmente abrir, dizer que é parque e largar.

Atrás da Quadra 8 da Estrutural tem um parque, o governo entregou, mas o parque está acabado.

As cercas, as guaritas estão depredadas, o campo de futebol sintético está acabado.

Não adianta simplesmente o governo entregar um parque e largar, sobretudo nessas cidades mais humildes, em que a população ainda não tem grau de consciência de preservar.

Então o governo que tem que fazer essa preservação até a população se conscientizar.

O que polemizou muito nesse assunto foi a questão da orla do Lago Paranoá e pouco importa o plano disso.

Os verdadeiros donos da cidade somos nós, e não o governador que está eleito.

Não é ele quem define isso, somos nós moradores em audiências públicas e isso não está sendo feito.

Eu tenho visto uma política intransigente.

As audiências públicas tem sido por formas, isso quando são feitas, porque eles tentaram fazer pactos sem cumprir os ritos de Lei Orgânica, e estão sujeitos a crime de responsabilidade por não cumprir essa lei, simplesmente não dando justificativa para a população, isso eu não aceitei.

Meu projeto prevê que a população seja ouvida.

Eu não estou contra a abertura da orla, contra os parques, mas que se faça com responsabilidade, que façam os parques nas cidades e delimite, que chegue com infraestrutura, com segurança.

Como o senhor enxerga as recentes ações da Agefis em Brasília?Eu sou contra invasão, essa questão de terra aqui em Brasília virou uma esculhambação, vem todo mundo pra cá, vão invadindo, acham que está tudo bem e não está tudo bem.

Na Agefis tem que ser uma pessoa equilibrada para estar ali dentro.

Eles estão lidando com vidas, com seres humanos, que muitas vezes pegaram tudo o que tinham para construir.

E quando se coloca uma pessoa que não tem esse jogo de cintura injustiças são feitas e dentro das ações existiram várias coisas que foram injustas, que ainda era passíveis de recursos nos tribunais, de uma negociação que pudesse trocar as pessoas de local e isso não foi feito.

O eixo de crescimento na nossa cidade é para o lado norte, em Taquari 2 vai ter uma grande cidade, e nós descobrimos que estão invadindo no Bougainville, que é uma área que vai valorizar por conta das pontes que serão construídas ali.

E já estão invadindo, porque viram uma perspectiva para avançar.

Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações do Jornal Alô Brasília Foto: Divulgação/Assessoria