Escola de Samba paulista tem Jaguariúna como tema de desfile

PTB Notícias 4/02/2008, 23:34


A Pérola Negra, escola da Vila Madalena, que desfilou no Sambódromo do Anhembi na madrugada de ontem e homenageou a comemoração do 55º aniversário de emancipação de Jaguariúna – cidade administrada pelo petebista Tarcísio Chiavengato (SP), impressionou pelo luxo das alegorias e pelo tamanho dos carros alegóricos — o abre-alas tinha uma onça animada de dez metros de altura e um índio de sete metros.

O samba-enredo, que tratava das riquezas da cidade, e a determinação da escola, que precisou driblar a quebra de um carro, uma briga na concentração e cinco minutos de atraso, animaram o público.

Os problemas não abalaram a empolgação dos integrantes, entre eles a madrinha da bateria, Adriana Alves.

O desfile representou a trajetória de Jaguariúna, apelidada de Estrela da Mogiana desde a época em que a região era habitada somente por índios, passando pela conquista dos bandeirantes, o cultivo da cana-de-açúcar, sua substituição pelo café e a chegada dos imigrantes e da estrada de ferro.

A bateria estava fantasiada com um capacete de jaguar, também em referência à cidade.

À sua frente veio a rainha Camila Barbosa.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira foi formado por André e Gisa.

A execução do samba-enredo teve a presença marcante de um teclado, um tanto incomum nos desfiles.

A Pérola Negra foi a quarta agremiação a passar pela avenida.

O desfile começou às 2h05 (com o cronômetro já marcando cinco minutos de desfile), mas terminou no tempo regulamentar: 64 minutos.

Liderada pelo carnavalesco Delmo de Moraes, a escola cantou o samba-enredo A Onça Vai Beber Água – Jaguariúna: Qualidade de Vida e Desenvolvimento nos Trilhos do Tempo.

O desfile — com cinco carros alegóricos, 25 alas e 3,2 mil componentes — contou com o apoio de empresários da região e custou pelo menos R$ 1 milhão.

O luxo dos adereços e a robustez dos carros alegóricos surpreenderam a platéia, principalmente porque o galpão da Pérola Negra fica em um lugar precário, embaixo de um viaduto.

A riqueza das fantasias pôde ser vista logo no começo do desfile com as roupas do mestra-sala e da porta-bandeira, que representavam o bandeirante em busca da pedra preciosa.

A fantasia de Gisa, a porta-bandeira, foi confeccionada com penas de faisão e veludo alemão e custou R$ 80 mil.

Gisa foi e voltou do sambódromo acompanhada de cinco seguranças.

As fantasias da comissão de frente, avaliadas em R$ 10 mil cada uma, foram confeccionadas com cristais Swarovski.

Além do abre-alas, os demais carros alegóricos também chamaram a atenção pela inovação.

Em um deles, os integrantes tomavam banho dentro de 6 mil litros de água, representando o Rio Jaguari, que margeia a cidade.

O carro que representou o rodeio, um dos mais esperados pelo público, tinha uma arena montada com cerca de 80 pessoas, que participam das festas de rodeio.

À frente do carro, a Miss Rodeio Brasil 2007, Cissa Stolariki, de 26 anos.

O desfile da escola também fez uma homenagem ao peão Virgílio Gonçalves, assassinado em 2007.

Tricampeão de Barretos, ele foi morto no dia 11 de outubro, em Novo Horizonte.

Durante o desfile houve referências ao trabalho escravo e aos barões de café, além de homenagens aos imigrantes italianos e sírio-libaneses.

A ala das baianas representava as baronesas do café e nas fantasias havia foto das baronesas.

Uma outra ala representava os barões de café, cujas fantasias tinham adereços com imagens de dólares.

As 25 alas misturaram desde o transporte do café, milho, soja e bois até a telecomunicação e eletroeletrônica, que mostram os tempos atuais da cidade como pólo de ciência e tecnologia.

Dez maquinistas aposentados desfilaram também.

Problemas Uma parte do segundo carro alegórico “Luxo e riqueza trazido pelos trilhos do progresso” quebrou durante o desfile.

A alegoria era puxada por um trem em uma ferrovia, mas o eixo quebrou.

Para não atrasar a escola, os diretores decidiram retirar a frente do carro, que entrou sem a apresentação da ferrovia e ficou apenas com as mãos negras que seguravam xícaras de café.

A Pérola ainda teve que lidar ainda com um tumulto na concentração causado pela agressão de um integrante a um cinegrafista.

O tumulto, porém, ficou nos bastidores e não atrapalhou o andamento da segunda noite de desfiles de São Paulo.

Além do carro quebrado e a confusão com o cinegrafista, a escola encerrou o seu desfile a um minuto do prazo máximo do regulamento para não perder pontos por atraso.

Para isso os integrantes precisaram apressar o passo na avenida.

A bateria mesmo chegou na dispersão quando o relógio marcada 59 minutos.

Moradores param folia para assistir ao desfile Durante a madrugada de sábado para domingo, muitos jaguariunenses interromperam a folia para acompanhar o desfile da escola Pérola Negra, no Carnaval de São Paulo.

A principal festa de carnaval da cidade, realizada no Centro Cultural, parou por cerca de 15 minutos para ver a entrada da agremiação no sambódromo.

Até a banda deixou de tocar para que todos assistissem à transmissão televisiva reproduzida em telões instalados no local.

A maioria das pessoas se preparava para ver o desfile com um misto de empolgação e curiosidade.

“A cidade viveu um clima de grande expectativa nos últimos dias.

Todo mundo quer ver como vai ser”, disse o mecânico Flávio Henrique Ribeiro, enquanto reunia os amigos na frente de um dos telões momentos antes do início da transmissão.

A educadora Kátia Regina Kwiatkowski tinha a letra do samba-enredo na ponta da língua.

“A minha vontade era estar desfilando na avenida, mas como não é possível dou uma força daqui”, explica.

Moradora de Jaguariúna há 11 anos, ela aprovou o tema da escola Pérola Negra.

“É muito legal ver uma cidade pequena e que pouca gente conhece ser representada no Carnaval de São Paulo.

Fiquei até arrepiada quando vi o enredo”, revela.

O desfile agradou boa parte dos espectadores que estavam no Centro Cultural.

“Está bonito, muito bem montado e criativo.

Parece que este ano tem até mais gente no carnaval da cidade”, acredita a manicure Elisângela Alves.

Agência Trabalhista de Notícias (com informações do Cosmo on Line)