“Estou deputado…cantor serei sempre”, diz Frank Aguiar em entrevista

PTB Notícias 22/05/2007, 12:01


Entrevista com o deputado Frank Aguiar publicada no jornal Diário do Grande ABC:’Estou deputado.

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cantor serei sempre’ Chegou depois do horário previsto em São Bernardo: atraso no vôo de Brasília.

E a agenda já apontava a tendência de sempre, ou seja, o dia seria atribulado.

“Precisava trocar de roupa”, confessa.

Por alguns minutos, decidiu deixar de lado as perturbações.

“Queria ver meus filhos.

Tomamos banho de banheira juntos e relaxei e tive de assistir a um filme do Lobo Mau.

Disso não abro mão”.

A porta da casa, em formato de teclado musical, dá indícios de quem mora atrás dela.

Há exatos 110 dias como estreante na Câmara Federal, o cantor de forró Frank Aguiar (PTB-São Bernardo) se orgulha em dizer que tem conseguido desmistificar o rótulo de “pára-quedista” da política.

Entusiasmado, fala sobre suas primeiras impressões entre aqueles que legislam em nome de mais de 180 milhões de brasileiros.

Confessa estar adorando a nova função, mas admite: “Estou deputado.

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Cantor, serei sempre.

“DIÁRIO – Embora novato no meio político, o sr.

tem demonstrado empenho nos trabalhos legislativos.

Qual a avaliação sobre isso?FRANK AGUIAR – Muito positiva.

No princípio, as pessoas imaginavam que eu fosse um artista que apenas queria usar da sua arte para se eleger e que não tinha capacidade de representação.

Fiquei caladinho, ouvindo, assistindo de camarote porque sabia que o tempo solucionaria isso.

Graças a Deus, hoje esse conceito já está bem mudado, mas sofri no princípio.

DIÁRIO – Como tem administrado a rotina entre shows e a Câmara?FRANK – De forma bem organizada.

Tenho um aparato de gente que me ajuda.

Em casa, para estar eu, meus filhos, a família, tem meia dúzia de funcionários.

Assessores políticos tenho 25, de cantor tem mais uns 10.

Mas falo com eles todos os dias, deixo todo mundo louco.

A gravadora fica me ligando também.

Estou trabalhando em dobro, mas não deixei de ir a uma sessão, de fazer um show e de conviver com meus filhos.

Estou muito motivado.

Porque é um trabalho que me energiza.

DIÁRIO – Como é a vida como deputado?FRANK – Acordo às 7h para estudar a pauta do dia.

Geralmente já sei o que vamos votar no dia seguinte.

Para não chegar lá sem saber o que vai acontecer.

Estudo até as 9h, todos os dias.

Acompanho, estou curtindo aquela cena toda.

Sei o tamanho da minha responsabilidade.

Não quero chegar lá e apenas apertar o sim ou o não porque sou da base (de sustentação do governo).

Quero ter consciência do meu voto.

DIÁRIO – O palco ainda é a maior prioridade?FRANK – Acho que dá para levar com tranqüilidade as duas coisas.

Estou deputado, mas não sou deputado.

O cantor será eterno.

Serei enquanto tiver esse dom que Deus me deu e que acredito que ele não vai me tomar.

Daqui a quatro anos, a sociedade pode entender que não devo mais ser representante.

E não posso abrir mão da minha carreira como cantor e deixo isso bem claro, jamais deixaria meus fãs órfãos.

Além disso, é um alimento para minha alma, eu adoro.

Acho muito parecida a vida de músico com a de político.

O músico é um político sem cargo, estou encontrando muitas coisas em comum.

Brasília é um mundo muito diferente, de glamour, de poder.

Então, nos finais de semana, você precisa ter esse contato direto com o povo.

DIÁRIO – A falta de experiência política atrapalha?FRANK – Não.

Sou um político novo e quero fazer política de forma diferenciada.

Tem muitos vícios na política de que discordo e não tenho de fazer igual.

Tenho uma relação humana muito boa com todos colegas parlamentares.

Faria qualquer coisa para estar vivendo uma faculdade prática como esta.

Esse é o lado mais compensador, além de poder servir, melhorar a vida das pessoas através da minha representação.

Me identifiquei e estou curtindo muito isso.

DIÁRIO – Alguns novatos já enfrentam problemas, como o deputado Clodovil Hernandes.

Isso desprestigia mais a imagem do Congresso?FRANK – Não tenha dúvida.

Nós temos a responsabilidade de contar para a sociedade a verdadeira história, porém, quando for necessário tenho de contar também o que vejo e não acho correto no comportamento de outros parlamentares.

A princípio, por eu ser uma pessoa conhecida, fizeram muito essa comparação com o Clodovil.

Mas ainda espero que ele venha contribuir e muito.

É uma pessoa inteligente e madura.

Foram momentos infelizes.

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Fica ruim falar de um colega de trabalho.

DIÁRIO – O sr.

compõe a Comissão de Cultura, na qual é 2º vice-presidente.

Como tem sido sua atuação?FRANK – O melhor de tudo é a comissão.

Por ser menor, você tem uma intimidade maior.

As pessoas te escutam mais.

Aquilo é o núcleo, tudo acontece ali para depois ir a plenário.

Fui designado relator de alguns projetos.

Um dos mais importantes é a relatoria do PNC (Plano Nacional de Cultura) que está em andamento.

O objetivo é promover uma reestruturação cultural.

Democratizar a cultura.

DIÁRIO – O sr.

declarou que o salário de parlamentar ficaria em segundo plano.

Tem utilizado ou doado a alguma instituição?FRANK – Não vou doar nada.

Não existe isso.

Estou lá trabalhando, marcando ponto, dando o sangue.

Seria muita hipocrisia.

Existem outras formas de me doar.

O salário é um direito de todo servidor, todo trabalhador.

DIÁRIO – Quais são seus planos políticos? Pretende concorrer às eleições municipais de 2008 em São Bernardo?FRANK – Irei cumprir meu mandato, trabalhar muito e lá na frente não sei se continuo.

Preciso primeiro me perguntar se minha missão está cumprida.

Se descobrir que fiz meu papel, venho cuidar dos meus filhos, da minha carreira, da minha vida.

Se entender que ainda consigo contribuir me coloco a julgamento da sociedade.

Hoje o que falo é isso.

Na política nunca podemos dizer nunca.

Há muitos comentários.

Já fui lançado a várias coisas: prefeito de São Bernardo, vice, senador do Piauí, a vice-governador do Distrito Federal, a vice-presidente da República.

Já ouvi tanta coisa que você não faz idéia.

Vou fazer o quê?DIÁRIO – O que mudou com relação aos fãs? O sr.

permanece sendo abordado apenas como o Cãozinho dos Teclados ou também é cobrado como parlamentar?FRANK – Tenho a vantagem de ser conhecido e levar meu mandato mais próximo do povo.

Porém, tem a desvantagem, porque sou muito mais fiscalizado.

Não tenho o direito de errar.

Se o fizer, é fim de carreira nos dois sentidos.

Ninguém vai me perdoar, nem os fãs, nem os eleitores.