Falta de médicos é problema comum a municípios na faixa de fronteira

PTB Notícias 24/08/2011, 14:52


A falta de médicos é um problema comum aos municípios localizados na faixa de fronteira.

O diagnóstico foi apresentado nesta terça-feira, 23/08/2011, pelo diretor do Departamento da América do Sul-I do Ministério das Relações Exteriores, João Luiz Pereira Pinto, durante audiência pública sobre o tema promovida pela Subcomissão Permanente da Amazônia e da Faixa de Fronteira, ligada à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Na audiência, que integra um ciclo de debates a respeito do “Desenvolvimento econômico e social na faixa de fronteira”, o diplomata revelou que, para contornar o problema da falta de profissionais de saúde, alguns municípios estão recorrendo à “criatividade brasileira”.

Ele citou o caso do município de Jaguarão (RS), que, por não poder contratar diretamente estrangeiros, celebrou um convênio com a Santa Casa local, que, por sua vez, contratou médicos uruguaios para atender à população brasileira.

A ausência de médicos nas fronteiras daqui a pouco vai virar uma crise – alertou Pereira Pinto, após admitir que ainda existe “muita descoordenação” dentro do Poder Executivo a respeito de ações nas áreas fronteiriças.

O governo já realizou um diagnóstico da situação de saúde em 121 municípios incluídos nas faixas de fronteira, segundo informou na reunião o coordenador geral de Urgência e Emergência da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Paulo de Tarso.

E uma das principais conclusões foi a presença de profissionais de saúde de países vizinhos trabalhando no Brasil de forma ilegal.

Ele também revelou existirem “problemas graves” de cooperação em ações de combate à malária e ao dengue.

Mas elogiou a qualidade e a abrangência do Sistema Único de Saúde (SUS).

– Nosso sistema de saúde é universal e prevê a garantia de atendimento a todo ser vivo, independentemente de ser ou não brasileiro.

Precisamos discutir juntos como podemos construir um bom atendimento para os brasileiros e os vizinhos – disse Tarso.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), presidente da subcomissão, disse que o Brasil tem mais médicos do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Esses médicos, porém, estão principalmente nas grandes cidades e longe das áreas de fronteira.

Por sua vez, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) informou que cinco, dos seis médicos que trabalhavam em Costa Marques (RO), na fronteira com a Bolívia, foram demitidos por serem bolivianos e não contarem com o registro profissional no Brasil.

Agência Trabalhista de Notícias, (IS) com informações da Assessoria de Imprensa do senador Mozarildo CavalcantiImagem: Ivana Souza