Fernando Collor recebe título de cidadão paraibano e fala sobre eleições

PTB Notícias 10/06/2007, 19:31


O senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello negou na última sexta-feira, 08, que tenha intenção de disputar novamente a sucessão presidencial e defendeu a realização de uma reforma política ampla, com a adoção do sistema parlamentarista no País.

Collor, que foi homenageado pela Assembléia Legislativa com o título de Cidadão Paraibano, disse que o presidencialismo é a “carroça do sistema político brasileiro”.

“Não sou candidato.

Quero apenas fazer com que o meu mandato esteja à altura da expectativa da população de Alagoas e do Brasil.

Pretendo também divulgar a tese do parlamentarismo.

Entendo que o sistema presidencialista tem um potencial de criação de crises muito grande e essas crises são criadas exatamente em função da sua pouca atualização.

O presidencialismo é um sistema político anacrônico, ultrapassado”, afirmou o ex-presidente.

Collor acha que o parlamentarismo, ao contrário do presidencialismo, é um sistema que evita crises por ser moderno, atual e contemporâneo.

Ele citou como exemplos as chamadas “democracias européias”, que reúnem as grandes potências do velho continente, onde o parlamentarismo foi adotado com sucesso.

Sobre a reforma política, Fernando Collor disse que considera “necessária e indispensável” para dar suporte ao parlamentarismo e entende que não adianta mudar o sistema sem aprovar mudanças na legislação eleitoral.

“Temos a questão do financiamento público de campanha, da fidelidade partidária, do voto distrital misto e agora a discussão do voto em lista”, lembrou.

O ex-presidente entende que a reforma política é a “mãe das reformas” e prevê que na segunda quinzena de junho a Câmara dos Deputados comece a apreciar alguns pontos que já estão sendo discutidos em Brasília.

Responsabilidade e prudênciaSobre as denúncias enfrentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente disse não acreditar em processo de desestabilização do governo federal porque as instituições permanecem em pleno funcionamento e o país convive com esses fatos de forma madura, com responsabilidade e prudência.

“O Congresso funciona normalmente, da mesma forma que o Judiciário e o Executivo.

Agora mesmo, o presidente (Lula) está participando de uma reunião muito importante na Alemanha, com o G-8.

Enfim, acho que a sociedade brasileira está suficientemente amadurecida para saber lidar com esses exemplos que são desagradáveis, mas fazem parte do processo democrático”, justificou Collor de Mello.

O ex-presidente falou ainda que “o tempo se encarrega de mudar as pessoas” , lembrando a evolução do mundo a partir da queda do Muro de Berlim que desestimulou outras ideologias além daquelas que compactuam com a democracia, as regras de mercado, o direito de propriedade e à livre informação.

fonte: Jornal Correio da Paraíba