Folha de S.Paulo publica artigo de Armando Monteiro sobre “Sistema S”

PTB Notícias 5/12/2007, 8:07


O jornal Folha de S.

Paulo, em sua edição desta terça-feira, 04 de dezembro, publicou artigo do deputado federal Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da indústria, em que o petebista defende um novo marco para o chamado “Sistema S”, que engloba o Sesi e o Senai.

Leia abaixo o artigo de Armando Monteiro, presidente do Diretório Estadual do PTB de Pernambuco.

Novo marco para o debate dos “S” Por Armando Monteiro NetoÉ hora de dar à sociedade argumentos corretos para que forme opinião sobre o Sistema S.

Há mitos que precisam ser destruídosA MÍDIA tem sido veículo de debate intenso sobre o Sistema S.

O tema é recorrente e ressurge estimulado por razões políticas e fatos conjunturais.

São diferentes os ângulos de abordagem.

Ora se questionam a eficiência da gestão privada e a liderança empresarial na formação de recursos humanos, ora se aponta, de forma equivocada, a ausência de controle externo sobre as instituições, forçando a imagem de que somos “caixa preta”.

Fomos para a berlinda, recentemente, pois, como industriais, defendemos a redução da CPMF.

Em troca, pediram o corte da arrecadação que mantém o sistema.

Quem ganha com debate tão enviesado? Certamente não os trabalhadores que formamos e que -em sua grande maioria – saem empregados dos cursos mantidos pelo sistema.

Julgamos que está na hora de dar à sociedade argumentos corretos para que forme opinião sobre os “S”.

Há mitos que precisam ser destruídos.

Um deles é o de que não há controle externo sobre o sistema.

Na melhor das hipóteses, essa afirmação revela desconhecimento dos articulistas; na pior, má-fé.

O controle existe, é abrangente e rigoroso.

As entidades são e sempre foram auditadas pela Controladoria Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.

O Sistema Indústria, ao qual pertencem Senai e Sesi e que integra os “S”, tem suas contas na internet, permitindo livre acesso aos dados de gestão.

Tampouco nos furtamos a discutir o modelo de financiamento do Sistema S, cuja compulsoriedade é questionada.

Somos a favor de sua continuidade -e por razão relevante: a capacitação é essencial para o desenvolvimento industrial e não pode ficar à mercê de decisões individuais e do humor dos ciclos econômicos ou políticos.

O sistema privado de formação profissional deve ser avaliado, mas de forma rigorosa, à luz da realidade da rede pública e do papel do Estado, responsável pelas políticas na área da educação.

Esse modelo não é singularidade brasileira.

Na Europa, apóia-se em contribuições compulsórias das empresas, semelhante ao nosso formato.

No modelo ultraliberal americano, a formação é feita basicamente por empresas de grande porte.

Na malograda experiência latino-americana, o sistema é estatizado e sofre descontinuidades geradas por instabilidades.

Quanto à falta de trabalhadores qualificados em alguns setores da economia, esse, sim, é um argumento real e decorre da aceleração do crescimento nos últimos dois anos.

Mas é totalmente incorreto atribuir ao Sistema S a responsabilidade pelo descompasso.

O Senai tem 65 anos de história e contabilizou no período 43,2 milhões de matrículas.

Respondeu, em 2006, por quase 50% das matrículas da educação profissional técnica de nível médio para a indústria e, no ensino superior, predominantemente pela formação de tecnólogos.

Há que considerar, ainda, que o percurso de evolução da indústria é dinâmico e se altera no tempo.

Em seis décadas, os ciclos de expansão do setor foram colocando novos desafios à medida que se ampliou a complexidade da matriz industrial e houve crescente incorporação de tecnologias que modificaram o perfil requerido para a força de trabalho.

A mobilidade do capital produtivo é outro fator e cria demanda por escolaridade onde o sistema público exibe infra-estrutura mais frágil.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) já diagnosticou que o baixo nível educacional é fator limitador do crescimento sustentável.

Em resposta, lançou o programa Educação para a Nova Indústria, 2007-2010, arrojada iniciativa que ampliará em 30% as matrículas dos cursos do Senai e do Sesi, com recursos de R$ 10,5 bilhões nesse quadriênio.

A meta é atingir 16,2 milhões de matrículas, 7,1 milhões em educação básica e continuada (Sesi) e 9,1 milhões em educação profissional (Senai).

Docentes serão formados, e os laboratórios, modernizados, como requer a nova indústria.

O Senai tem áreas de excelência reconhecidas internacionalmente e, como diz o economista Claudio de Moura Castro, sem a entidade, “a revolução industrial do Brasil não teria sido possível”.

Na 39ª edição do WorldSkills Competition -maior competição mundial de educação profissional-, que acaba de ocorrer no Japão, nossos alunos ficaram com o segundo lugar entre 48 países, superados apenas pela Coréia do Sul.

É um marco.

Esses argumentos certamente não esgotam o assunto.

Mas são elementos para a construção de um debate mais substantivo sobre o Sistema S.

Temos a certeza de que a sociedade precisa ser bem informada.

* Armando Monteiro Neto, deputado federal pelo PTB de Pernambuco, é presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)