Gama: ‘Opinião pública é mais forte contra Dilma do que foi contra Collor’

PTB Notícias 4/04/2016, 12:11


Confira abaixo a entrevista do deputado Benito Gama (BA), vice-presidente nacional do PTB, ao jornal O Estado de S.

Paulo na edição desta segunda-feira (4/4/2016).

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados “Opinião pública é mais forte contra Dilma do que foi contra Collor”, diz Benito Gama LUIZ MAKLOUF CARVALHO Presidente de CPI em 92 e hoje na comissão do impeachment, deputado avalia que governo petista “chegou no limite” Na falta de “eleição geral agora, que seria o ideal para zerar a política do Brasil”, o deputado Benito Gama (PTB-BA) vai votar a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Integrante da comissão que avalia o pedido, Gama foi, em 1992, o presidente da CPI que investigou o presidente Fernando Collor – depois alvo de impeachment e hoje senador recém-saído do PTB, do qual o deputado é vice-presidente.

“A presidente Dilma e o PT conseguiram envolver o País numa tempestade perfeita, como nunca se viu”, disse o deputado.

“Sou a favor de que ela deixe o comando do País, para realmente buscarmos dias melhores.

” Gama voltou à Câmara na eleição de 2014, com 71 mil votos, e receita de R$ 5,9 milhões declarada ao TSE.

É um dos 40 deputados da comissão que integra a lista de doações de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato – “doações perfeitamente legais”, disse, em defesa dos R$ 211 mil relacionados.

A Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE-BA) denunciou Gama por abuso de poder econômico e irregularidades na campanha – processo que tramita no TRE baiano.

“Minhas contas foram aprovadas por 6 a 0, e os erros são formais.

” Como está o placar na comissão do impeachment? No começo parecia de igual para igual.

Hoje há uma posição claramente majoritária a favor do pedido de impeachment.

Há um isolamento de PT e PC do B.

Isso se confirmando, vai contaminar o plenário.

Os depoimentos da semana – dois a favor do pedido e dois pró-governo – podem mudar algo? No meu caso, só confirmou a posição favorável.

Mas os quatro são altamente qualificados, e podem ter acrescentado informações que cada deputado pode usar para formar sua opinião.

Por que o sr.

é a favor do impeachment? Vejo um agravamento grande da situação política, econômica, moral e social do Brasil.

Os responsáveis devem ser afastados.

Os 342 votos a favor do pedido vão se materializar ou o governo tem como obstar o processo? Faltam só duas semanas para a votação final.

É um tempo muito curto para um convencimento, diante da situação crítica que estamos atravessando.

Se em 12 meses o governo não conseguiu convencer alguém, só agravar, não seria agora que iria conseguir votos suficientes.

A ministra Kátia Abreu disse que não pode haver impeachment por má gestão ou por antipatia.

O que o sr.

acha? Se fosse por má gestão ou antipatia, o impeachment teria acontecido muito antes.

O que há agora é uma investigação profunda nos órgãos do governo Dilma, embora não diretamente contra ela, ainda.

Mas ela é a líder do governo, é a responsável.

De que forma? A Petrobrás, o BNDES, a máquina administrativa estão totalmente dilacerados ética e moralmente.

Se isso não serve para o impedimento, só se for um tiro à queima-roupa da presidente em alguém.

Em democracias mais modernas há o voto de desconfiança, no parlamentarismo, como o voto desconstituinte nas pessoas que foram eleitas.

No Brasil há o impeachment, com sobejas razões, políticas sim, para se poder fazer realmente o repensar do Brasil.

O que importa, tecnicamente falando, é se houve ou não crime de responsabilidade.

Há crime de responsabilidade no pedido apresentado, ou o voto será político? O impeachment é um voto político.

No caso específico, há uma lei, clara, que diz que o governo que não cumpre o orçamento e pratica ações contra o orçamento está sujeito a crimes de responsabilidade.

É isso que está no pedido: o não cumprimento da lei orçamentária.

A presidente governou o orçamento sem o Congresso autorizar.

E está claro, na lei de impeachment, que isso é crime de responsabilidade.

Se 342 votos aceitarem o processo na Câmara, qual a expectativa em relação ao Senado? Câmara e Senado não são aliados automáticos, mas não são adversários.

O sentimento da Câmara será o da rua, como houve no Collor.

A Câmara aprovando, o Senado não terá condições de barrar o início do processo.

Até porque não é julgamento imediato de mérito.

É abrir o processo para fazer as investigações.

Que comparações o sr.

faz com o período Collor? Ali começou, realmente, com a entrevista do irmão, Pedro Collor.

Por ser irmão, deixou mais claro o que ocorria dentro do Palácio.

Abriu-se o processo – e depois algumas coisas foram se comprovando.

O que há hoje não é a família de sangue, mas a família política do partido, o PT.

O ex-presidente e o ex-tesoureiros estão envolvidos na Lava Jato.

A diferença é que a opinião pública está muito mais forte contra a presidente Dilma do que esteve contra Collor.

E as manifestações pró-Dilma? São movimentos articulados com o governo, como sindicatos, entidades e movimentos sociais alinhados ao governo.

Não vejo como mobilização nacional, e sim como máquina do PT.

A atuação de Lula como ministro ou assessor faz diferença? Acabou, só no dia da votação.

Mas penso que o capital político e de credibilidade do governo se esvaiu totalmente.

Mesmo com a habilidade política do Lula, vis a vis à inabilidade da presidente, esse capital se exauriu.

Como o sr.

vê a hipótese de Michel Temer assumir o poder? O vice-presidente tem um projeto de País, uma agenda nacional que é palatável, com quatro ou cinco pontos em que o Congresso tem obrigação de apoiá-lo.

Quem deu 342 votos para o impeachment dará os 308 necessários para aprovar emendas.

E se não houver os 342 votos? É muito, muito voto.

Qualquer resultado deve ser respeitado.

O governo ganhando, a transição será com ela, que terá que mostrar o que quer fazer.

Transição terá, com ou sem ela.