“Goiânia precisa de alguém que bata a mão na mesa por ela”, diz Jovair

PTB Notícias 22/07/2012, 13:40


Leia abaixo entrevista do Líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes, ao Jornal Opção, de Goiás:”Goiânia precisa de alguém que bata a mão na mesa por ela”Petebista assume postura oposicionista, busca expor projetos bastante alternativos e diz que prefeito ainda não é conhecido pela população da capitalJovair Arantes está afiado e apostando tudo em duas frentes: a campanha eleitoral nos meios de comunicação e nas propostas que tem para a cidade.

Depois de três eleições em que abriu mão da candidatura ao Paço em prol de outro nome da base de Marconi Perillo, ele ganhou a vez, embora em um cenário bastante adverso, com o caso Cachoeira influenciando bastante na tomada de decisões.

Atrás nas pesquisas, o deputado federal luta para recuperar terreno e adota discurso agudo como opositor à administração municipal.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, não são poucas as críticas, diretas e indiretas, endereçadas ao atual prefeito e candidato à reeleição, Paulo Garcia.

“Goiânia está infartada”, “Goiânia parou”, “o prefeito está ausente”, “o prefeito não termina as coisas” — frases que ele pontua durante a sabatina e que demonstram que ele quer algo oposto ao que está aí.

“Além da arrecadação própria, tenho muitos caminhos em Brasília e podemos buscar recursos até no exterior”, argumenta.

O petebista nega ter qualquer maior proximidade com Carlinhos Cachoeira e acredita que a crise trouxe para Goiás um estigma semelhante ao da época do césio 137.

“Estamos sofrendo um bullying nacional”, arremata.

Euler de França Belém — O sr.

faz parte da base aliada do governo estadual, que passa uma imagem de que está meio paralisado com as denúncias sobre o governador.

Com quase dois anos, parece que ainda não deslanchou.

Como o sr.

avalia o governo Marconi Perillo?Marconi praticamente zerou o déficit que ele herdou.

Começa agora a investir muito na recuperação das rodovias no Estado inteiro.

Já está construindo asfalto urbano.

Está acelerando os programas sociais que tinham sido desacelerados, como o Renda Cidadã, o Bolsa Universitária e agora o Bolsa Fu­turo, uma grande sacada, muito importante para a juventude.

O Vapt Vupt voltou à sua plenitude.

Nosso Estado está sofrendo um bullying nacional por causa do problema do contraventor [Carlos Cachoeira].

Isso mexe na economia regional.

Algo que lembra o césio 137, que deu um prejuízo muito grande para Goiás.

O problema Cachoeira trouxe um grande estrago para nós.

Euler de França Belém — O governador não está se empenhando no processo eleitoral?Não é que ele não esteja empenhado.

Ele suspira e respira política 24 horas por dia.

Ele está empenhado é na administração pública e em concretizar o governo que ele se propôs a fazer.

Ele tem de se preocupar muito mais com os rumos do mandato dele do que com a eleição dos outros.

Não significa que ele tirou a mão, que não está torcendo, que não está ajudando.

Pelo contrário.

Elder Dias — Ele se envolveu na pré-campanha?De jeito nenhum, nem poderia.

Naquele momento ele tinha aliados de todos os partidos.

Do partido dele, havia uns três ou quatro, mais do PTB, do PSD, do PP.

Como ele poderia se envolver? E o governador estava jogando muito na recuperação financeira do Estado, nas contas.

E ele conseguiu, o Estado já está apto a investir, e está investindo.

Campanha municipal é diferente, cada um toma o seu partido.

Cezar Santos — O sr.

é candidato da base aliada marconista?Não sou candidato da base aliada nem do governador.

Minha coligação tem partidos, o PV por exemplo, que não pertencem à base aliada governista.

Eu recebo como honra o apoio do governador e de todos os partidos que ele ajudou a trazer para nos apoiar, mas a minha campanha tem nove partidos em outro entendimento político.

Nós não podemos deixar partir para essa polarização, de que fica tudo restrito à “base”.

Minha candidatura é de oposição ao prefeito Paulo Garcia.

Eu sou oposição a Paulo Garcia com muito honra.

Vou fazer isso até o final da campanha, com nossa vitória, se Deus quiser, mostrando os erros, as incoerências, os equívocos e o distanciamento que existe entre a Pre­feitura e o povo de Goiânia no que se refere à administração pública.

Cezar Santos — Então sua campanha vai além da base aliada marconista?Vai além, até porque há partidos da base marconista que estão do outro lado na campanha à Pre­feitura.

Qual o problema? Cada e­leição é uma realidade, sempre falei isso.

Na base, são partidos que mantêm certa hegemonia, mas agora quebrou.

Era para ser candidato do PSDB ou do PP, que têm mais história, no entanto eu quebrei essa continuidade.

O PTB ajuntou um novo grupo de partidos e aliados e vamos para o embate eleitoral como oposição a Paulo Garcia.

Euler de França Belém — Por que o DEM não aceitou compor?O DEM tem seu perfil de fazer campanha, nós o respeitamos.

E o partido vive um momento difícil, perdeu seu astro principal (De­móstenes Torres), que foi abatido em pleno voo.

O DEM tem suas razões para tentar uma eleição como a que está tentando.

Euler de França Belém — Seria um recado para 2014, algo como “nós estamos querendo sair da base aliada”?Mas só uma parte do DEM esteve com Marconi na eleição passada.

O presidente do partido [Ronaldo Caiado] não esteve.

Volto a repetir, cada eleição é uma situação.

Não podemos partir do princípio de que essa eleição norteia a próxima e de que a passada está norteando esta.

Evidente que os iguais se aproximam muito, mas os divergentes vão sempre fazer divergência.

É natural.

Cezar Santos — O sr.

procurou Ronaldo Caiado?Sim, eu o respeito.

Desde o início, conversamos com ele, com o então senador Demóstenes e eles já falavam de um projeto nacional, de lançar candidaturas em quase todas as capitais, por conta do revés que sofreram com a criação do PSD.

Eles queriam se firmar.

Con­versamos muito e nunca foi fechada a porta.

Tenho boa interlocução com Caiado.

Mas eles têm a razão deles, é democrático.

Em política, você não tem de ficar se queixando, tem de trabalhar.

Trabalhei, consegui trazer outros partidos que me deram o tempo que preciso para fazer campanha.

Euler de França Belém — Quanto tempo no horário eleitoral? Já está com a equipe arrumada? Quem é o marqueteiro?São cerca de nove minutos.

O marqueteiro é o Mário Lúcio e a produtora é a Ideia, do Ronaldo Araújo, velho amigo de muitos anos.

Euler de França Belém — Vamos esclarecer um questão: o sr.

tem ligação ou não com Carlos Cachoeira?A ligação que tenho com ele é como tenho com você com qualquer um de vocês.

Sou seu amigo e não sou amigo dele.

Sou muito mais ligado a você, Euler, do que a ele.

Conheci Cachoeira como conheci qualquer cidadão, em ambientes sociais que todos frequentam.

Já o vi várias vezes, conversei com ele e não havia nenhum impedimento de conversar.

É uma pessoa da sociedade, agora afastado, mas nunca tive nenhum negócio com ele.

Mais do que isso, quando seu jornal colocou que eu pedi dinheiro para ele, não é verdade.

Não há nenhum diálogo meu com ele falando em dinheiro.

Euler de França Belém — A revista “Época” diz que o sr.

procurou Cachoeira.

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Vou repetir a frase, eu o procurei em novembro do ano passado, quando estava organizando minha pré-campanha, precisava de partidos políticos para chegar ao ponto que cheguei hoje, com tempo de televisão.

Procurei todas as pessoas que de alguma forma tinham proximidade com partidos políticos.

Estava procurando para somar partidos.

Assim foi com o PV e o PHS, que já tinham vindo comigo.

Eu estava atrás do PTdoB, que era de alguém íntimo do Cachoeira, o Edivaldo Cardoso, presidente do partido naquela época, hoje não mais.

O PTdoB depois veio comigo.

Então liguei para Cachoeira para pedir apoio político nesta eleição.

Ele estava sendo gravado, então gravaram isso.

Mas a minha inserção nesse processo é a mesma da presidente Dilma Rousseff, dos ministros do STJ, dos ministros do STF.

Ou seja, todos esses e mais “n” pessoas de Goiás, como Iris Rezende, Maguito Vilela, o prefeito Paulo Garcia, assessores do prefeito, é a mesma ligação: citações.

Citação não significa envolvimento, que é coisa mais séria.

Euler de França Belém — Cida Garcêz e Edivaldo Cardoso estão em sua campanha? São coordenadores ou não?Primeiramente, Cida Garcêz é vereadora e candidata à reeleição pelo PV, um dos partidos que me apoiam.

Ela está por sua conta e risco, vamos dizer assim, na campanha.

E o fato de ter um irmão [Wladmir Garcêz, braço operacional de Carlos Cachoeira] envolvido não significa que ela tenha de ser penalizada também.

Qual o problema em ela ser candidata? Quem tem de impedir, se for o caso, é a Justiça.

Se não tem impedimento, qual o problema?Elder Dias — Ela não cuida de sua agenda?Zero disso.

Agora, em reunião de vereadores ela está presente.

É importante dizer: o PR está na campanha de Paulo Garcia.

Todos sabem o que aconteceu com o PR nacionalmente e aqui em Goiânia.

Pois alguém disse na imprensa que Juquinha [José Francisco das Ne­ves, ex-presidente da Valec e recentemente preso, acusado de corrupção] está apoiando Paulo Garcia? Então são dois pesos e duas medidas.

Euler de França Belém — Mas o sr.

estava disputando o apoio do Juquinha.

Eu estava disputando o apoio do PR, que apoiaria Sandes Júnior por um acordo nacional.

E todos disputaram o apoio do PTdoB, que tem uns dez segundos de televisão.

Por isso, temos de separar as pessoas da instituição.

Não estou acusando o PR de nada, longe disso.

Se o partido quiser me apoiar no segundo turno, se tiver segundo tur­no, estarei pronto para recebê-lo.

Por isso, temos de separar as pessoas da instituição.

A Cida Garcêz tem ser presa também? Tem de ser condenada? Ela não é chefe, não coordena minha campanha.

É candidata a vereadora.

Euler de França Belém — E Edivaldo?Ele não está na campanha.

Se ele votar em mim, eu fico agradecido.

Edivaldo nem é mais do PTdoB, se afastou.

O PTdoB está comigo, qual o problema?Euler de França Belém — Uma pergunta para o atleticano Jovair: dizem que o Atlético está em situação difícil por que a Delta não coloca mais dinheiro lá.

Qual a ligação do clube com a Delta?(risos) Vai ter de perguntar para o Valdivino [Oliveira, presidente do Atlético].

Eu sou atleticano apaixonado, nunca neguei minha ligação com o clube, assisto aos jogos, torço, sofro, tenho as alegrias.

Mas não sou diretor, sou conselheiro apenas.

Quem administra é o Valdivino e o Adson Batista.

O Val­divino tem vários patrocínios e um deles era da Delta, patrocínio pequenininho.

É importante seu jornal noticiar que o clube vive do dinheiro da televisão [cota da Rede Globo por direito de arena aos times participantes do Campeonato Brasileiro].

Só, exclusivamente.

O Atlético tem um contrato cujo valor eu nem sei.

Eu ajudo o time, sou deputado federal, tenho chances de abrir portas para o Atlético e faço isso na CBF [Confederação Bra­sileira de Futebol], no governo, onde for preciso.

E tenho ajudado o Vila Nova, o Goiânia e até o Goiás, nunca neguei ajuda a nenhum desses clubes.

Sou apaixonado pelo futebol e torço pelo futebol goiano.

Claro que do ponto de vista da paixão sou Atlético, mas gosto de todos.

E fico triste quando vejo nossos times mal, como está o Goiânia agora.

E, respondendo à pergunta, o Atlético está mal porque está mal dirigido, está igual à Prefeitura de Goiânia, mal dirigida.

Elder Dias — Valdivino está dirigindo mal o Atlético?O diretor técnico [Adson Ba­tista] dirigiu mal este ano.

Er­ramos com a demora da saída do Hélio dos Anjos, depois erramos com a contratação do Adil­son Batista, depois erramos com a volta do Hélio.

Agora acho que vai dar certo, porque trocamos de novo.

O prefeito do time é o treinador.

O Valdivino é o cidadão.

(risos)Elder Dias — O sr.

integra a chamada “bancada da bola” e conhece bem os problemas do futebol.

Estourou na Fifa um escândalo envolvendo o Ricardo Teixeira e o João Havelange.

O sr.

acha que eles receberam propina mesmo?Só falta me perguntar se fui eu quem botou fogo em Joana d”Arc (risos).

Todos os problemas do Brasil eu tenho de saber? Então, para esclarecer, não fui eu quem atirei fogo na fogueira de Joana d”Arc.

(ironia e risos)Euler de França Belém — O sr.

falou agora há pouco, “se” tiver segundo turno.

Por que falou dessa forma?Porque vou ganhar no primeiro turno.

Euler de França Belém — Por que essa certeza? O sr.

tem 7,8% nas pesquisas, Paulo Garcia tem mais de 30 pontos.

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Mais de 30 pontos, mas es­tando sozinho em campanha, com Eliakim Araújo [apresentador de TV, que já chegou a co­mandar o “Jornal Nacional”] fazendo propaganda extemporânea maciça por três meses, em horário nobre na televisão, no rádio, nos jornais.

Se eu fosse prefeito estaria com 40, com 50 pontos.

E quando se vai para a espontânea, Paulo cai para 9, ou 11 pontos.

São 4 pontos de perspectiva de erro.

A situação dele não é boa, está batendo no teto e não sobe mais.

Faço um desafio: parem quantos cidadãos quiserem na rua e peçam para descrever o prefeito fisicamente.

Não sabem se o prefeito é alto, se é magro, se é gordo.

Pouca gente o conhece, porque é um prefeito ausente da população.

Paulo não se apresenta, não discute com a comunidade, faz obras sem debater com a sociedade goianiense.

Paulo pegou um Plano Diretor muito bem constituído — aliás, feito pelo meu vice, Francisco Júnior (PSD) —, aprovado pela Câmara Municipal, e botou na gaveta, fez obras pela cabeça dele.

Esse prefeito não é do conhecimento da comunidade.

Euler de França Belém — O sr.

diz que Paulo Garcia não está crescendo, mas de junho para julho ele cresceu mais de 7 pontos no Serpes.

Como, 7 pontos? Tenho pesquisas qualitativas e quantitativas do mês de dezembro do ano passado em que ele estava com 26 pontos.

Agora tem 32, isso é crescimento? E 74% da população de Goiânia — estou dizendo 74% — não sabem em quem votar, quando é pesquisa espontânea.

Isso significa que o processo está totalmente aberto.

Qual a credibilidade que esse prefeito tem com a comunidade? Um prefeito candidato à reeleição com esse índice está ferrado, está morto.

Cezar Santos — O sr.

aposta tudo na propaganda eleitoral gratuita para alavancar sua campanha?Nós vamos apresentar três projetos que realmente vão mexer com as pessoas.

Vamos mostrar a necessidade de se ter um prefeito diferente, que faz, que bate na mesa, que tem presença na cidade.

A própria cidade vai vislumbrar que o prefeito Jovair é quem pode fazer o que a cidade precisa.

Goiânia está infartada, está morrendo, a cidade querida, que amamos está ficando inviável, insustentável.

Eu não quero essa cidade para a minha neta, para os meus filhos.

Um exemplo é o transporte coletivo, setor no qual são as próprias empresas que o exploram que tomam conta.

É a única cidade do mundo em que a própria moeda nacional não vale para pagar uma passagem.

Se você não tiver um sitpass, você não viaja.

Isso é inclusive inconstitucional, vou acabar com isso, não pode ser assim.

É má gestão total.

Euler de França Belém — O que o sr.

apresenta para mudar o trânsito?Minha proposta não separa trânsito de transporte.

Nós nunca tivemos prefeitos desastrosos, nem esse que está aí é desastroso.

Sempre tivemos bons prefeitos, mas a maioria nunca botou o dedo na ferida.

Os únicos prefeitos que “abriram” Goiânia foram Iris Rezende, quando fez as avenidas Anhanguera e Castelo Branco; Joaquim Roriz, com a Avenida Goiás Norte; e Nion Albernaz, que idealizou as marginais e prolongou a T-63.

Goiânia não tem intervenções do poder público nesse sentido.

Vou citar a Avenida Leste-Oeste, no mandato de Darci Ac­corsi [gestão de 1993 a 1996], em que eu fui vice-prefeito.

Quando me tornei deputado federal, uma das demandas era colocar dinheiro nessa obra.

Todo ano botamos dinheiro para a Leste-Oeste, que era para ser uma via rápida, o que toda cidade do mundo tem, ligando Senador Canedo ao Conjunto Vera Cruz.

Só que, ao contrário, introduziram um sinaleiro em cada esquina.

Vou mudar isso, fazer trincheiras, para passar por baixo ou por cima.

A Leste-Oeste tem de deixar de ser uma rua comum.

Outra questão é a falta de pontes ligando os bairros, em uma cidade que tem 80 cursos d’água.

Do Centro para a Vila Nova, só há duas passagens; do Centro para Campinas, apenas três; do Centro para a Fama ou de Campinas para a região do Dergo, só uma.

É uma loucura a falta de senso e de visão de futuro.

Mas por que não há? Porque todo fundo de vale está ocupado indevidamente! (enfático) Em relação ao transporte, vamos fazer efetivamente os corredores exclusivos de ônibus e exigir o cumprimento dos horários.

A frota é boa, mas, para os empresários conseguirem maior lucro, colocam os coletivos para andar sempre cheios.

Outra coisa errada é juntar todo mundo de uma determinada região e jogar em um terminal, ou um “curral”, sem o mínimo respeito com a mulher, com a criança, com o idoso.

É preciso encontrar alternativas! (enfático) Goiânia funciona em meio expediente: se o jornal contratar dois repórteres para trabalhar das 2 da tarde às 2 da manhã, ou eles terão de dormir no sofá ou ir a pé ou de outra forma para casa, porque, a partir da meia-noite, Goiânia não tem transporte coletivo.

Toda linha tem de ter pelo menos um ônibus rodando.

Vou jogar pesado em relação a isso e exigir das empresas de transporte.

Ou elas se adequam ou vou abrir nova licitação.

Euler de França Belém — E o VLT [veículo leve sobre trilhos] da Avenida Anhanguera, sai ou não?Sai, sim, o governador Marconi Perillo está empenhado nisso e vai ser lançado em breve.

É um equipamento que vai adicionar muito ao transporte coletivo, será muito importante para a cidade.

Euler de França Belém — Só que o transporte coletivo não é somente de Goiânia, é da região metropolitana.

A reclamação é da falta de entrosamento dos prefeitos em relação a esse tema.

Assim que passar as eleições, vou chamar os prefeitos vizinhos para um grande acordo sobre a questão.

Já existem câmaras deliberativas e vamos, então, nos reunir.

Mas, se eles não quiserem, Goiânia não vai ficar a reboque dos demais municípios.

A capital tem de puxar essas mudanças, não podemos parar para esperar os demais municípios.

Não estou fazendo um desafio a ninguém, pelo contrário, é um chamamento.

Mas a locomotiva tem de ser Goiânia.

Euler de França Belém — E o anel viário, como o sr.

avalia uma obra dessas, que nunca foi concluída?Já não dá mais para fazer o anel viário em Goiânia.

Hoje é preciso fazer um cinturão por fora da região metropolitana.

Em Brasília existe um projeto feito pelo Dnit [Departamento Na­cional de Infraestrutura de Trans­portes], do qual participam os deputados Sandro Mabel (PMDB), Pedro Chaves (PMDB), Leandro Vilela (PMDB) e eu.

A previsão é que es­sa nova via passe por fora de Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e chegue ao posto da Po­lícia Rodoviária Federal na saída para Anápolis.

Euler de França Belém — Um exemplo de problema é a Avenida 136 e sua sequência, a Jamel Cecílio.

Depois das 18 horas, é um local que fica intransitável.

Mas é claro, não há pontes para fazer outras ligações, não há alternativas para ligar os bairros.

É preciso mostrar serviço.

O prefeito atual pegou um Plano Diretor já elaborado, na gestão de Iris Rezende, que foi um grande prefeito e fez tudo o que propôs, à exceção da questão do transporte coletivo.

Iris asfaltou mais de 300 bairros e deixou 27 para Paulo Garcia terminar e este não concluiu ainda.

Vou dar outro exemplo sobre má gestão das vias: a Avenida Nerópolis se origina em uma rodovia no trevo da Escola de Agronomia da UFG, passa pelo Balneário Meia Ponte e chega larga até a Perimetral Norte.

A partir do Setor Urias Magalhães, ela começa a afunilar, até chegar a uma ponte do Ribeirão A­nicuns, que parece uma pinguela.

Naquela região ali, do antigo Leite Gó-Gó, o prefeito Paulo Garcia deixou construir prédios de ambos os lados, impedindo a abertura da avenida.

Vou abrir aquela avenida até encostá-la naqueles muros dos condomínios e ampliá-la até a altura da Avenida Independên-cia.

É preciso que o coletivo prevaleça sobre o individual.

Elder Dias — Como o sr.

pretende fazer isso, com desapropriação?Sim, vamos ter de desapropriar, não há problema.

Eu fiz isso no Parque Vaca Brava, quando tive a oportunidade de assumir a Prefeitura.

Frederico Vitor — E a Marginal Cascavel, o sr.

vai concluí-la?Claro, temos de dar se­quência.

O que temos de obra inacabada em Goiânia é uma coisa absurda: o Mutirama, o Zoológico, a obra da Rua 10 [Eixo Universitário], a Casa de Vidro, a ponte da Avenida T-8.

Tudo foi inaugurado com foguetório e tudo o mais, mas temos um prefeito que não termina as coisas.

Euler de França Belém — Mas o Zoológico está concluído.

Não considero assim.

Não houve a transferência dos bichos.

O proposto era levar os animais para a saída para Anápolis [Parque E­cológico], onde eles poderiam ter uma convivência harmônica, sem ficarem estressados.

Elder Dias — Para concluir a questão da mobilidade urbana, o sr.

poderia falar sobre ciclovias e pedestres.

O que o sr.

pensa sobre essas duas questões?A Prefeitura arrecada milhões de reais com multas.

Com esse dinheiro, em seis meses eu garanto que Goiânia vai servir de modelo na questão do respeito ao pedestre, assim como Brasília.

Os recursos das multas têm de ir para a educação no trânsito.

Em nossa cidade, o pedestre não é respeitado pela bicicleta, que é desrespeitada pela moto, que é ignorada pelo carro, que também é desrespeitado pelos veículos maiores.

Vivemos em um trânsito selvagem.

Dizem que não adianta fazer ciclovia aqui porque o goianiense não anda de bicicleta.

Mas como, se pedalar pela cidade é risco de ser morto?Elder Dias — Qual seria a saída para implantação de ciclovias?Em nossas avenidas, temos ilhas muito grandes, que servem para muitos fins.

Precisamos utilizá-las de forma melhor.

Tenho uma equipe grande trabalhando nesse tema.

Vamos fazer muitas ciclovias em Goiânia e vamos fazer com que o pedestre seja respeitado na faixa.

Frederico Vitor — Qual outra medida de impacto o sr.

pretende fazer na capital?Vamos fazer uma subdivisão da cidade.

Toda cidade moderna do mundo, desde Paris até Senador Canedo, tem divisões territoriais.

Attilio Correia Lima projetou Goiânia para 50 mil habitantes.

Hoje temos uma população de 1,3 milhão.

Vamos dividir a cidade em 10, com 130 mil pessoas para cada região.

Por que esse número? Porque é um contingente administrável, para cidades médias.

Rio Verde, Catalão e Itumbiara, por exemplo, têm um grau de satisfação alto da população com seus administradores.

Vamos ordenar o controle social, incentivando entidades como os conselhos — de segurança, de saúde, da criança e do adolescente —, as associações de moradores, as igrejas e os demais organismos.

Cada uma dessas regiões de Goiânia já é uma espécie de “cidade”: Pedro Lu­dovico, Jardim A­mérica, Novo Horizonte, Jardim Curitiba, Novo Mundo, Balneário Meia Ponte etc.

São cidades dentro da cidade.

Serão dez cidades de 130 mil habitantes.

Cada uma será como uma prefeitura à parte, com autonomia financeira e até política, com a ajuda dos vereadores.

E serão administradas por gestores, que podem até ser políticos, mas antes têm de ser competentes.

Para cada uma delas vamos exigir, por exemplo, uma unidade do Vapt Vupt.

Também haverá um banco e uma agência do INSS para cada uma.

Quero aproximar o serviço do cidadão, fazer essa descentralização.

Também quero implementar o sistema Vapt Vupt para a saúde.

Enfim, vamos colocar todos os serviços da Prefeitura ao alcance do cidadão.

Esses organismos de controle social vão receber também convênios e incentivos financeiros da administração.

São esses organismos, como as igrejas, que prestam socorro social imediato e não têm remuneração.

Só que 10 reais que a Prefeitura aplica no social viram 3 reais, por conta da burocracia; já 10 reais que essas entidades aplicam viram 30 reais.

Frederico Vitor — Haverá outra intervenção alternativa?Teremos também o que chamamos de “anjos do bairro”, que serão olhos adicionais da população em relação à segurança pública.

Eles serão contratados pelos organismos de controle social.

Serão profissionais vestidos a caráter, com pistola Taser [arma de choque, paralisante], spray de pimenta e outros instrumentos que possam ser usados.

Eles terão de conhecer a rotina do setor, quem mora ali etc.

, e serão comandados pela Guarda Municipal.

Se em determinada rua há um movimento estranho, eles estarão ali para observar e relatar a quem for competente.

Também vão acompanhar os alunos em comboio até deixá-los em casa, após as aulas, principalmente no período noturno.

Conectados com os anjos do bairro, teremos também os taxistas, que andam a cidade toda e podem denunciar qualquer coisa anormal.

Já conversei com duas cooperativas de táxi e o pessoal topou, adorou a ideia.

As cidades que aplicaram isso reduziram em até 75% a incidência da criminalidade.

Contratados pela co­munidade, os anjos do bairro vão ganhar um salário fixo e, de acordo com a queda da criminalidade, ganharão um bônus, para motivar seu trabalho.

Caso algum deles não corresponda ao esperado pela comunidade, esta pode demiti-lo a qualquer momento.

São ações de gestão que quero implementar, com criatividade e proximidade, porque vou estar em cada uma dessas regionais.

Não tem mais cabimento o prefeito ficar no Paço e tratar o Setor Marista como se fosse o Jardim Primavera.

E quem vai diferenciar o tratamento é a regional, que vai decidir tudo por meio da comunidade.

Euler de França Belém — E de onde virá o dinheiro para tudo isso?Tenho experiência de cinco mandatos de deputado federal.

Além da arrecadação da Prefeitura, sei os caminhos para buscar verbas em Brasília.

Conheço globalmente as questões dos partidos políticos e tenho representado a presidente Dilma Rousseff lá e também aqui em Goiás.

O que não dá é para ver, como cidadão, o que está acontecendo e deixar isso continuar.

Goiânia é como um carro que está estragando e que ninguém toma a iniciativa de consertá-lo.

Uma hora não vai ter mais como nem fazer manutenção.

Goiânia está caminhando para o abismo: tem 78 anos e já tem problemas de uma cidade como Vitória (ES), que tem 370 anos.

Não podemos concordar com isso, Goiânia foi idealizada para ser uma cidade moderna.

Euler de França Belém — O sr.

tocou na questão da segurança pública, mas é o Estado o principal responsável pelo setor.

E a capital é um dos principais problemas atuais da capital.

Não concordo com essa visão.

Constitucionalmente, a responsabilidade se divide entre o Estado e a União.

Aí, os prefeitos lavam as mãos.

A Prefeitura não faz nada para ajudar.

Só que, na casa de cada um, o responsável pela segurança da família é quem cuida dela.

Na minha casa, também.

Como prefeito, Goiânia é minha casa e tenho de ser responsável por ela.

Então, vou fazer tudo pa­ra isso: convênio com a PM, com a Polícia Civil, até pagando horas extras para os policiais.

Vou comprar carros para colocar à disposição da polícia e providenciar alojamento em cada regional também.

Esses policiais serão bem remunerados, porque vou dar um adicional ao que o Estado paga.

Da mesma forma, vou tratar a Guarda Municipal com muito carinho.

Cada regional terá um comando.

Hoje a Guarda Mu­nicipal está jogada às traças, sem nenhum incentivo, tratam o guarda como um joão-ninguém.

Te­nho um projeto em Brasília, que até altera a Constituição e dá au­tonomia às polícias municipais, como há nos Estados Unidos, na Itália.

É ela que está mais próxima da população, que tem vínculo com a comunidade.

Cezar Santos — Qual será a primeira medida a ser tomada pelo sr.

, caso eleito?Será a reforma administrativa total, com a criação das regionais.

Ao contrário da maioria dos candidatos, que trazem professores de universidades e cientistas para elaborar seus programas — nada contra —, estou ouvindo a comunidade há muitos anos, mais intensamente de um ano e meio para cá.

Conversei com quem sofre o problema do transporte coletivo, que perde três horas por dia com ônibus por causa da insanidade dos donos das empresas.

Conversei com quem procura as unidades de saúde à noite e as encontra fechadas.

Em Goiânia você tem de escolher o horário certo para adoecer.

Sou profissional da saúde e, em nosso governo, todas essas unidades vão funcionar 24 horas, sem exceção.

Nesse setor, vamos apresentar também programas como o Cárie Zero, para acabar com esse problema em nossas crianças.

O que falta, para as administrações, é buscar recursos, não só no Brasil, mas também no exterior.

Elder Dias — Esse é um problema entre os prefeitos no País, que não buscam saídas criativas?Sim, ganham e se acomodam, continuam na mesmice.

Eu fui o segundo secretário de Saúde de Goiânia, nomeado em 1989, de­pois de eleito vereador, por Nion Albernaz.

Desde então, o que há é uma sequência: o prefeito nomeia o secretário, que nomeia os diretores, que nomeiam seus subordinados e todos fazem de conta que atendem às pessoas.

Naquela época isso ainda era possível, com uma população bem menor, mas hoje não dá mais para continuar com esse modelo, que faz as pessoas so­frerem nas unidades.

Uma das prioridades que tenho para o começo do governo é reformar todas elas e colocar em formato de alto padrão.

Pelo menos três tipos de profissionais terão de estar 24 horas na unidade: clínico geral, pediatra e ginecologista.

Quem vai controlar isso? Os organismos de controle social.

O cidadão precisa receber o carinho do poder público.

Cezar Santos — O que o sr.

está propondo é uma revolução na administração de Goiânia.

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Exatamente.

Não podemos brincar com uma cidade como essa.

Hoje, por exemplo, estão fazendo nossas crianças de cobaia no Mutirama e ninguém fala nada.

Onde está o Corpo de Bombeiros, o Ministério Público, o Crea? Botar para funcionar equipamentos com 50 anos de idade, dando problemas um atrás do outro? (enfático)Elder Dias — Mas muitos dos problemas foram causados pela falta de energia elétrica, fornecida pela Celg.

Decerto foi Deus quem mandou comprar equipamentos de 40 anos, foi Ele que mandou colocar geradores antigos, que não ligam automaticamente, de acordo com a queda de energia.

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(irônico) É um perigo e um desrespeito com a população de Goiânia, é fazer as crianças de cobaia! (enfático) Só poderiam pôr esses equipamentos para funcionar depois de terem certeza de que está tudo bem.

Não dá para falar que é culpa da energia elétrica.

Euler de França Belém — Ainda sobre a saúde, um dos grandes problemas em Goiânia está nas unidades do Estado, que funcionam mal.

Se não fosse assim, não as estariam repassam para as OS [organizações sociais].

Como o sr.

analisa essa questão?Passar para as OS é uma solução que encontraram.

Deu certo no Crer, no Huana e em outros hospitais em que esse sistema foi implantado.

Mas a verdade é que as últimas intervenções efetivas que tivemos em Goiânia foram feitas por Henrique Santillo, em 1987.

Muito pouca coisa foi feita na capital desde então — a Maternidade Nascer Cidadão e o Hospital Dona Iris, que não funciona.

Euler de França Belém — Mas vocês estão no poder há 13 anos e meio.

Vocês, quem?Euler de França Belém — O sr.

, Marconi Perillo e os demais.

Não, quem está no poder é Marconi Perillo.

Eu sou deputado federal e tenho enviado recursos significativos para a Prefeitura e para o Estado.

Não sou gestor, não sou administrador.

Euler de França Belém — Mas o sr.

pediu voto.

Chegou ao eleitor de Goiânia e pediu três vezes para votar em Marconi e uma vez para votar em Alcides Rodrigues.

O sr.

tem responsabilidade também.

Claro que tenho.

Tanto que tenho trazido recursos para Go­iânia.

Tanto que estão reformando o Hospital das Clínicas, na Praça Universitária, que será o mais moderno do Centro-Oeste, com dinheiro que eu consigo todo ano.

Euler de França Belém — Mas que, como o sr.

falou, não está funcionando.

A minha parte é trazer o dinheiro.

Agora, o que está faltando é gestão.

Não sou candidato a governador.

Se fosse, eu diria que talvez falte gestão em alguma parte.

Mas sou candidato é a prefeito de Goiânia e tenho de falar e discutir sobre Goiânia.

Por nossa proposta passa a questão do meio ambiente, de zerar o déficit de CMEIs, a permanência dos idosos durante o dia.

Quantas pessoas têm o pai em casa e não têm onde deixá-lo? Da mesma forma que há a creche para as crianças, é preciso estabelecer um local para abrigar os idosos durante o período de trabalho.

Euler de França Belém — Qual é sua proposta para a questão das drogas em Goiânia?Tenho uma convicção pessoal de que não é doutor quem cura dependente químico.

Eles podem até contribuir, mas quem cura isso é religião, é família.

Existe um organismo pouco usado pelo poder público e que em Goiânia é desprezado: a igreja.

É preciso fazer convênios para estabelecer uma espécie de brigada antidrogas que inclua as igrejas.

Em um caso de agressão de um filho viciado à mãe, esta pode ligar para o número da brigada de sua região.

Ela vai assinar um termo concordando com a ajuda do grupamento e este começará a relatar o que vai sendo feito naquele caso e fazendo a prestação de contas.

A igreja, que já faz esse trabalho gratuitamente, vai envolver a família na recuperação dos dependentes com a ajuda da Prefeitura.

É o que eu falei anteriormente, em que 10 reais vão virar 30.

Um ganho social intenso.

Frederico Vitor — Qual é o projeto do sr.

para a área da educação?Há uma discussão no município sobre o número de crianças que não são atendidas pela educação infantil em Goiânia, porque há um escamoteamento das estatísticas; uns dizem que são 10 mil, outros, que são 50 mil.

O que temos de fazer é zerar esse déficit.

Um CMEI é caro, mas temos de encontrar alternativas enquanto o governo não libera recursos.

É preciso procurar inclusive a iniciativa privada.

Elder Dias — O sr.

ainda tem na cabeça a ideia da Mãe Crecheira?Sim, em Curitiba há a Mãe Curitibana.

Lá deu certo e aqui vamos implementar a Mãe Go­ianiense.

Há muita gente do setor social que condena isso, mas eu acho um caminho fantástico.

Vamos começar a monitorar desde a barriguinha de gestante e acompanhar a criança desde aquele momento até os 3 anos de idade.

Elder Dias — Em Goiânia ainda temos o problema da ocupação dos fundos de vale, que o sr.

já citou.

Há desde o mais humilde barraco até indústrias nesses espaços, um desordenamento urbano total.

Há também dois documentos que precisam ser observados: além do Plano Diretor, a Carta de Risco de Goiânia.

Qual solução ambiental o sr.

tem para a cidade?Temos conosco o Partido Verde (PV), que tem uma expertise muito grande nessa questão, foi fundado com esses princípios.

Estamos entregando a eles a elaboração de um plano diferenciado com relação ao meio ambiente de Goiânia.

Hoje a questão ambiental está diretamente relacionada à saúde.

Se você sair na rua agora, vai encontrar dezenas de caminhões e ônibus com a bomba injetora desregulada, poluindo sem controle da fiscalização.

Não vamos sair multando todo mundo, mas uma brigada verde na rua pode parar um veículo desses e dar um prazo para o condutor corrigir o defeito.

Passou do prazo, aí sim, é multado.

Sobre a questão dos fundos de vale, a Prefeitura precisa tomar conta, ser responsável, para não deixar as pessoas invadirem.

É o que aconteceu na Rua 115, no Setor Sul.

Como fazer depois que já está tudo consolidado? Como desocupar tudo o que está em cima do Córrego dos Buritis (com leito subterrâneo desde sua nascente, no Clube dos Oficiais)? Temos de cuidar do que resta de nossos fundos de vale e disciplinar seu uso, salvar o que é possível, fazendo o controle.

Frederico Vitor — Brasília tem um dos maiores acervos da arquitetura moderna.

Goiânia também tem sua riqueza arquitetônica, com os prédios em art déco, hoje escondidos por banners e luminosos.

O sr.

tem algum projeto para reverter esse quadro?Vamos ter de chamar o pessoal do urbanismo e os empresários da região para ver o que pode ser feito, para botar uma regra nisso.

Há muitos interesses envolvidos, mas coragem nunca me faltou e vamos discutir isso na hora certa, sem açodamento.

Sou amigo de muita gente da área, mas isso não vai impedir a discussão de um avanço progressivo.

Euler de França Belém — O sr.

pensa mesmo em revitalizar o Centro? Talvez, a partir daí, os comerciantes aceitem a proposta.

Claro que pensamos.

A Vila Cultural, que deve ser concluída em breve, faz parte dessa recuperação.

Devemos pegar o exemplo de cidades como Fortaleza, com o projeto Dragão do Mar.

Temos de pensar alguma coisa, porque Goiânia tem só 78 anos, mas está com um corpinho de 400 anos (risos).

Podemos comparar também a um indivíduo que tinha de ter 70 quilos e está com 200.

Euler de França Belém — Mas todas as pessoas que vêm a Goiânia elogiam a cidade.

Isso porque é uma cidade nova, bonita, tem um traçado bom.

Mas coloque essa pessoa para ficar aqui por umas duas semanas.

Goiânia é querida por todos nós, não estou detonando a cidade.

O que digo é que não estão botando o dedo na ferida, para resolver as coisas.

Estão dando paliativos: a rua complicou, põe sinaleiro; complicou de novo, muda o trânsito; outra vez, coloca uma rotatória.

Não pode ser assim, é preciso resolver de forma definitiva.

Sou meio “analfabyte”, mas o prefeito parece que desconhece totalmente uma coisa chamada tecnologia.

É possível monitorar a cidade inteira de uma sala só.

É preciso usar a tecnologia para gerenciar a cidade.

Euler de França Belém — Há algum projeto para dar uma vocação para Goiânia?Segundo o setor de turismo, Goiânia regrediu 70% em seu turismo de negócios nos últimos 15 anos.

Na gestão de Nion Albernaz, era um setor fantástico, com congressos de medicina, administração e outros.

Depois tivemos um polo atacadista, que chegou a ser o 3º do País.

Hoje, a cidade já é o 8º ou o 9º, por falta de incentivo da Prefeitura.

Nem a desculpa do avanço dos chineses cola, porque pelo menos a posição no ranking poderia ter sido mantida.

Santa Cruz do Capiberibe, em Pernambuco, sozinha, ultrapassou todo o Estado de Goiás nesse setor.

O que nos falta? Incentivo.

É o que observei nas conversas com pessoas na Avenida Bernardo Sayão e na Rua 44 [locais de concentração de confecções], que querem um modelo parecido com o da cidade pernambucana, querem que a Prefeitura faça isso.

Coincidentemente, um dos candidatos a prefeito em Santa Cruz é o deputado federal José Augusto Maia (PTB).

Ele é um dos idealizadores desse polo na cidade.

É um assunto que vamos levar adiante, vamos incentivar, temos de expandir o setor.

Mas não quero agora colocar isso como proposta, porque pretendo discutir a cidade como um todo.

Euler de França Belém — É possível fazer com que Goiânia se torne também um polo na área de informática?Goiás ficou paralisado nos últimos meses, por razões óbvias, mas o governador já havia contatado uma série de empresas da área com interesse em vir para cá.

Goiânia precisa de indústria limpa, não de indústria suja.

É nosso dever motivar esse tipo de indústria a vir para cá.

Euler de França Belém — Qual é o lugar mais bonito de Goiânia?O Parque Vaca Brava, que fui eu quem fez (risos).

Ocorreu que o prefeito Darci Accorsi viajou para Genebra e entrei em contato com o saudoso promotor Sulivan Silvestre [morto em 1999 em acidente aéreo e notório defensor do meio ambiente] e disse a ele que havia um projeto de 18 torres de condomínio, de um empresário paulista, para serem erguidas na área do Vaca Brava.

Disse a ele que precisava de guarida para fazer a desapropriação.

Ele concordou e no outro dia assinamos o decreto de desapropriação.

Assumi em uma tarde e no outro dia fizemos isso.

Então, tenho muito amor por aquela região.