Governadora do RN chama Petebista para Secretaria de Desenvolvimento

PTB Notícias 26/12/2010, 12:25


Entre os nove primeiros nomes anunciados para secretário da governadora eleita do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, um chamou mais atenção.

A gestora foi buscar no PTB da Bahia o titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico.

Deputado federal por quatro mandatos, com outras três reeleições frustradas para Câmara Federal, ex-diretor da Sudene no Governo Lula, Benito Gama chega ao Rio Grande do Norte para gerir uma das principais secretarias.

É na pasta dele que estão depositadas as maiores expectativas de gerar novas riquezas para o Estado e, com isso, aumentar a arrecadação e geração de emprego.

Mas para quem imagina que a chegada de Benito Gama em Natal é um “exílio político” pelo projeto de voltar a ser deputado federal naufragado, ele logo responde: “Não estou exilado.

Estou fazendo o meu trabalho e não nego o meu passado e nem nego o meu presente.

Sou político, faço parte da executiva nacional do meu partido (PTB)”.

Benito Gama enaltece que as “quatro jóias da coroa do Nordeste” são Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Pernambuco.

Admite que a concorrência maior do Estado potiguar é com os vizinhos cearense e pernambucano, no entanto, se mostra otimista.

Ele não mostra os projetos que serão implantados, mas garante que já há novos investidores para aportarem no Estado.

Leia a entrevista que Benito Gama concedeu ao jornal TRIBUNA DO NORTE, publicada neste domingo, 26/12: TN – Muitos estranham um baiano vindo participar de uma gestão no Rio Grande do Norte.

O que há de comum na gestão feita pelo senhor na Bahia (onde ele foi secretário de Indústria) e o Rio Grande do Norte?Benito Gama – Primeiro eu sou brasileiro.

A relação é de brasileiro dentro do Brasil.

No Rio Grande do Norte tenho uma relação pessoal muito boa com os políticos daqui, inclusive com a governadora Rosalba desde o tempo em que ela foi prefeita de Mossoró.

Tenho também com Betinho Rosado (deputado federal reeleito pelo DEM), que foi meu colega deputado federal.

Mas essa relação aqui com o Nordeste para mim eu tenho isso com muita naturalidade.

Fui diretor da Sudene durante dois anos e meio.

Eu convivi muito aqui na região, conheço um pouco dos problemas.

Essa luta minha com a região é muito antiga, desde o tempo da constituinte.

E agora eu fui convidado pela governadora e aceitei o desafio da governadora.

É um doce problema vir trabalhar aqui.

TN – Sua indicação está sendo credenciada a proximidade com o deputado federal Betinho Rosado.

Na negociação do senhor vir para o Estado, o deputado Betinho intermediou?Benito Gama = A governadora que me convidou pessoalmente.

Sou amigo do deputado Betinho.

Eu me encontrei com ela no aeroporto em Brasília, quando ela (Rosalba Ciarlini) me chamou para uma conversa.

TN – O senhor esteve na Sudene durante dois anos e meio.

Mas esse é um órgão alvo de muitas críticas, por não conseguir prospectar os negócios prometidos para o Nordeste.

É possível pensar em reerguer a Sudene?Benito Gama – Dá sim (para reerguer).

Tem dois fatores, um é a velha Sudene, que felizmente teve muita coisa boa, mas teve alguns pecados, como tudo na vida.

Mas a nova Sudene é voltada só para financiar a iniciativa privada, projetos estruturantes e estruturadores.

A Sudene não financia mais governo, nem município e nem Estado.

Só financia empresas privadas.

O maior projeto de financiamento é a Transnordestina.

Um projeto de R$ 5,6 bilhões que a Sudene financia.

Nessa nova Sudene os critérios são bem claros, bem definidos.

É uma Sudene dinâmica, nova, o que faltou até agora foram projetos.

Projetos privados de magnitude do nosso orçamento.

O caso do parque eólico do Nordeste é onde a Sudene pode ajudar muito.

A Sudene tem financiamento de mais de R$ 1 bilhão na região, sobretudo no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Mas temos mais de R$ 1 bilhão para o Nordeste de parques eólicos.

Financiamos portos, estaleiros, a Transnordestina.

Vamos financiar aeroportos e uma futura malha aeroviária para o Nordeste que o Rio Grande do Norte também será beneficiado.

A nova Sudene é diferente.

O que está faltando agora é projeto que infelizmente a economia da região agora é que está se estruturando para isso.

TN – Qual o conhecimento que o senhor tem do desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte?Benito Gama – Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte são as quatro jóias da coroa do Nordeste, sem desprezar outros Estados.

O Maranhão por exemplo tem um grande potencial e espero que seja ainda mais complexa a gestão econômica de lá.

As quatro jóias da coroa do Nordeste são Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará são a bola da vez.

Se tem o BRIC, Brasil, Rússia, Índia e China, no Nordeste nós temos essas quatro jóias do Nordeste.

O Rio Grande do Norte tem uma matriz econômica interessante porque não tem monocultura.

Ela (a governadora Rosalba Ciarlini) tem um projeto de economia e um desenho da sua economia que pode e deve ser induzida.

O propósito da governadora Rosalba quando ela me convidou é esse, ela quer induzir alguns segmentos da economia para poder realmente fazer a geração de emprego e renda.

O Nordeste tem um problema, está entre Manaus e São Paulo.

E o Rio Grande do Norte está entre Ceará, Bahia e Pernambuco.

Essa luta, é esse jogo que nós temos que jogar.

Se você ficar passível nesse momento é o pior negócio que pode existir para um Estado que quer ter um futuro brilhante como deve ter e seguramente terá.

Então como a economia é diversificada nós temos que trabalhar na indústria, do petróleo, do gás, na área de energia eólica, energia elétrica.

Tem a parte da fruticultura.

A parte da mineração seguramente, posso adiantar, que a mineração no Rio Grande do Norte terá um grande impacto.

Temos que trabalhar na parte de infraestrutura, temos que cuidar de porto e essa conexão com a ferrovia Transnordestina.

Esse é um problema que temos que enfrentar.

Acho que o governo precisa lutar muito para fazer a incorporação do Rio Grande do Norte com a malha ferroviária para escoar sal e outros projetos.

TN – Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará foram citados pelo senhor como as quatro jóias da coroa do Nordeste.

O Rio Grande do Norte está em desvantagem perante os demais Estados?Benito Gama – Não é desvantagem.

Os Estados estão no mesmo nível.

TN – Mas há uma grande competição entre Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, onde muitos produtos potiguares são escoados pelos portos cearense e pernambucano.

Benito Gama – Essa é uma preocupação muito grande da governadora Rosalba.

Nós somos doadores de produtos para saírem pelo porto do Ceará e Pernambuco.

A grande preocupação dela (Rosalba) é criarmos produto de valor agregado.

Com valor agregado você gera emprego e renda.

Esse é o nosso objetivo.

A questão de ser fornecedor só de matéria-prima é muito complicado.

É o grande problema do Brasil hoje com as commodities.

TN – Como será a política industrial do Governo Rosalba Ciarlini? Os incentivos fiscais serão mantidos?Benito Gama – A região Nordeste tem uma legislação praticamente igual em todos os Estados, o diferencial agora é a capacidade de gestão.

A gestão será um grande diferencial e a estabilidade institucional.

O investidor quer uma estabilidade institucional.

Ele não quer ficar dependendo de contrato com pessoas, ele tem que ter uma regra, onde chegue com o seu capital gere emprego e renda.

Acho que o objetivo é esse: primeiro uma estabilidade institucional.

A governadora foi bem clara nisso, ela não deixará o investidor na insegurança jurídica.

Você pode ser pobre com a segurança do Estado, você pode ser rico e com insegurança não sai nada.

Além disso, aqui tem um detalhe, os empresários que eu tenho conversado falam que os diretores e gerentes gostam muito de vir morar aqui e isso é um fator importante, você ter um diretor, um funcionário graduado que queira vir morar aqui.

Agora a guerra fiscal, felizmente ou infelizmente, ela existe.

Mas ela deve existir com relação a São Paulo, ao Sul e Sudeste, ela não pode ser uma guerra interna.

Internamente nós devemos usar a Sudene como instrumento de coordenação e fazer com que tenha uma união nossa contra o Sul e Sudeste.

TN – Eu tenho informações que o senhor está mantendo conversas com investidores internacionais.

Que empresas estão tendo interesse pelo Estado? É possível já anunciar agora?Benito Gama – É melhor esperar para janeiro.

Tenho conversado com algumas pessoas que me procuraram e procuraram a governadora.

TN – Mas qual o ramo que tem gerado maior interesse dos investidores?Benito Gama – O modelo, a economia, a matriz é muito diversificada.

Na parte de mineração, por exemplo, as pessoas estão começando a voltarem os olhos para cá.

Os preços internacionais começam a subir e melhorar muito.

Tem a questão da agricultura, fruticultura.

Mas melhor deixar isso para depois porque o governo não começou e essa negociação tem que esperar para hora certa.

TN – A governadora eleita Rosalba importou um secretário de Desenvolvimento Econômico.

O que leva a governadora optar por uma importação a buscar um nome local?Benito Gama – Fui deputado federal durante 16 anos, aprendi a conviver com esse Brasil, nesses Estados todos com seus problemas, suas dificuldades.

Claro que temos avançado muito, temos muito o que avançar.

Para mim, como cidadão brasileiro, é natural.

Fui diretor da Sudene, sou da Bahia, essa é uma mudança normal, natural.

Essa mobilidade depende muito das pessoas que querem trabalhar.

Eu vim para ter dedicação exclusiva e tempo integral como secretário de Desenvolvimento Econômico.

Não vim aqui para fazer bico.

Só aceitei porque foi um convite para ser com dedicação exclusiva e em tempo integral porque aí eu não estou me enganando e nem enganando ninguém.

É um jogo que nós temos que jogar.

E tenho certeza que esse jogo vai dar certo, é um bom campeonato para disputar.

Eu vou daqui para Bahia em 1 hora e 20 minutos, daqui para Mossoró são quatro horas.

A distância hoje está muito relativa.

Sou nordestino.

O FNE, que é o maior fundo de investimento do Nordeste, que o Banco do Nordeste opera, foi de autoria minha.

Eu sou autor desse projeto.

Na época eu via que faltava recurso para iniciativa privada.

Você tem que trabalhar com a iniciativa privada como sua aliada, parceiro.

O empresário não é adversário do governo e nem o governo deve ser adversário do empresário.

Temos que juntar nossos esforços e buscar o melhor.

O final é a geração de emprego e renda qualificada.

TN – A governadora Rosalba foi uma das únicas gestoras do nordeste eleitas como oposição ao Governo Federal.

Isso pode dificultar a relação com o Governo Federal e a liberação de recursos para obra de infraestrutura?Benito Gama – Em hipótese alguma.

Não se pode misturar política.

A governadora é dinâmica, proativa.

A governadora, o povo conhece, se elegeu três vezes prefeita de Mossoró e não está dando um cheque em branco.

Tenho certeza de que ela vai corresponder à expectativa.

TN – O Rio Grande do Norte carece de infraestrutura, como será a integração de melhor infraestutura e dar garantia aos investidores?Benito Gama – Isso vale para o Brasil, para o Nordeste como um todo.

O Brasil sofre uma crise grande de portos e aeroportos.

A nossa crise local é a crise nacional, falta de investimento em infraestrutura.

Há oito anos não foi feito nenhum investimento em infraestrutura.

A Transnordestina agora começa a acontecer, mas precisamos com ela ver os portos e a questão das rodovias e ferrovias.

O modal de transporte precisa ser enquadrado.

TN – O senhor foi candidato a deputado federal pela Bahia e não teve êxito.

A vinda para o Rio Grande do Norte simboliza o “segundo plano”?Benito Gama – Isso aqui não é exílio para mim.

Isso é uma função de trabalho tão dignificante quando qualquer outro.

Meu problema na Bahia é um problema político com os grupos que rompi.

Rompi com o senador Antônio Carlos Magalhães na época e a partir dali eu tive dificuldade política, não foi nem eleitoral, porque sempre fui bem votado na Bahia.

Não estou exilado.

Estou fazendo o meu trabalho e não nego o meu passado e nem nego o meu presente.

Sou político, faço parte da executiva nacional do meu partido (PTB).

TN – O fato do senhor estar no Rio Grande do Norte não deixa sua atuação política na Bahia “sepultada”?Benito Gama – Meu domicílio eleitoral é na Bahia.

Sou político.

Já disputei eleição já ganhei, já perdi.

Como na vida é igual na política, você ganha e perde, só não pode se curvar.

O homem e mulher só devem se curvar para agradecer.

Não há nenhum interesse político meu fora da Bahia.

* Agência Trabalhista de Notícias com informações do Portal Tribuna do Norte