Graciela Nienov: Carta aberta para todas as mulheres do Brasil

Agência Trabalhista de Notícias - 8/03/2019, 10:48

Crédito: Mário Agra/Divulgação

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São muitas vitórias em anos de luta, mas ainda com sentimento que precisamos avançar muito mais. O Dia Internacional da Mulher foi criado para nunca esquecermos das marcas da desigualdade que carregamos, pelas mortes em defesa da nossa liberdade, para nós lembrarmos que, acima de tudo, merecemos o respeito ímpar. Somos seres humanos que pensamos, agimos e, principalmente, sonhamos com um lugar melhor para viver com nossas famílias.

Quando nos dispomos a entrar para política, é porque acreditamos que vamos contribuir com a transformação de nossa sociedade. Hoje muitas são mães, pais, chefes de família e fazem jornada dupla para levar sustento para suas casas. Não queremos ser mais nem melhor que o sexo oposto; queremos, sim, parar de ver notícias nos jornais em que o índice de violência contra a mulher vem aumentando absurdamente. Queremos ocupar cargos e receber pelo nosso esforço e trabalho igualmente aos homens. E quando falamos em cotas, não nos orgulhamos disso, mas sim, sabemos que para que possamos entrar nesse meio com igualdade, precisamos disso. E quero hoje focar nisso: a importância da mulher na política. Quero focar na garantia dos nossos direitos já conquistados e que juntos, homens e mulheres, continuaremos a lutar contra qualquer tipo de retrocesso. Não vamos aceitar que diminuam uma vírgula das nossas conquistas. Um exemplo é o projeto de lei da autoria do senador Ângelo Coronel (PSD-BA) que quer acabar com os 30% das candidatas mulheres na eleições para cargos proporcionais.

Nós, mulheres, conseguimos ter a permissão para votarmos e sermos votadas em 1932, graças a um decreto do então presidente Getúlio Vargas. Em 1933, Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira deputada federal brasileira eleita, no caso, pelo Estado de São Paulo. Vejam só: são 85 anos desde a eleição da primeira mulher, e mesmo assim, depois de tantas eleições com a participação de mulheres, ainda ouvimos falar que lugar de mulher não é na política. Pois lugar de mulher é na política, sim, senhor!

Infelizmente ainda somos minoria, apesar de termos tido uma das melhores votações da história nas eleições para o Congresso Nacional. Graças, principalmente, à mudança recente na legislação político-eleitoral, que obrigou que 30% dos candidatos fossem mulheres, e exigiu que esta proporcionalidade fosse estabelecida também no tempo de propaganda na TV e na distribuição dos recursos de campanha. Foi só darem voz às mulheres que nós conseguimos aumentar a quantidade de candidatas vitoriosas. Mas ainda é pouco. Se temos 30% de candidatas mulheres e só conseguimos conquistar 15% das vagas nos parlamentos, alguma coisa ainda está errada em nossa sociedade.

E cabe a nós reverter esta distorção. Cabe a nós participar, falar, gritar se for o caso, mas só teremos o respeito e a igualdade que almejamos se participarmos ativamente da vida política do nosso país. E essa participação se dá nos partidos políticos, nos movimentos sociais, nos coletivos femininos, nos diretórios acadêmicos, qualquer lugar, enfim, onde pudermos mostrar que a verdadeira mudança no Brasil só acontecerá quando as mulheres se unirem e mostrarem a sua força.

Precisamos falar com a nossa voz. Portanto, neste Dia Internacional da Mulher, faço um apelo: venha participar da política. Venha construir conosco um país mais justo e com mais oportunidades para as mulheres. Para obtermos o respeito que esperamos, precisamos lutar por isso. Vamos calar aqueles que dizem que não nascemos para a política. Vem com a gente mudar o presente e construir um novo futuro.

Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher!

* Graciela Nienov é presidente nacional do PTB Mulher