Indústria não fará acordo para redução da jornada, diz Armando Monteiro

PTB Notícias 17/02/2010, 15:19


Monteiro Neto diz que a PEC da jornada é inoportunaNão faremos concessões nessa área, declarou na última semana o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado federal Armando Monteiro Neto, do PTB de Pernambuco, ao anunciar que o empresariado se nega a fazer acordo para votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de redução da jornada de trabalho.

A declaração foi feita na saída do gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), após reunião com Monteiro Neto e outros seis líderes empresariais para discutir a votação da PEC.

“Com esse marco impositivo, não negociamos.

Temos absoluta convicção de que a proposta de redução da jornada de trabalho não está na agenda do trabalhador.

Trata-se de proposta essencialmente de dirigentes sindicais colada no ano eleitoral”, assinalou o presidente da CNI.

Segundo ele, a PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e eleva de 50 para 75% o adicional da hora extra sobre a hora trabalhada é “absolutamente inoportuna”.

Monteiro Neto argumentou que o emprego na indústria ainda não se recuperou da crise econômica e existe uma perda de competitividade que seria profundamente agravada com o aumento dos custos das empresas pela diminuição da jornada e aumento do valor da hora extra.

Voltou a defender a redução da jornada pela livre negociação entre empresário e trabalhador e não por força de lei, que não leva em conta de acordo com ele, as peculiaridades regionais e das diversas atividades econômicas e o tamanho das empresas.

O presidente da Câmara revelou, após o encontro com os líderes empresariais, que irá propor ao colégio de líderes – reunião semanal das líderes partidários que decide a pauta de votação do plenário – a redução gradual da jornada, de uma hora por ano, até o máximo de 42 horas, a manutenção do atual valor das horas extras e uma compensação tributária às empresas pela jornada menor.

Os empresários recusaram a proposta.

“Não vamos flexibilizar”, assegurou Monteiro Neto.

Participaram da reunião com Temer, além do presidente da CNI, os presidentes das Federações das Indústrias de Minas Gerais, Robson Andrade; do Ceará, Roberto Macedo; da Paraíba, Francisco Gadelha, os presidentes em exercício das Federações das Indústrias do Rio Grande do Sul, Oscar Raabe, e de Santa Catarina, Glauco Corte, além do diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Roberto Della Mana.

fonte: Agência CNI