Izar teme que Clodovil manche ainda mais a imagem da Câmara

PTB Notícias 11/06/2007, 9:33


Em meio aos escândalos de corrupção que atingem a imagem do Congresso, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB/SP), disse que o episódio envolvendo o colega deputado Clodovil Hernandez (PTC/SP) colabora para agravar a impressão negativa que pesa sobre o Parlamento.

Depois de se envolver em uma confusão no aeroporto de Brasília, Clodovil teve insônia e analisa a hipótese de processar a emprega aérea Gol, alegando ter sido insultado e humilhado.

“Você não imagina o que eu passei.

Qualquer coisa que você imaginar multiplica por dez.

Fui insultado com palavras de baixo calão e não consegui dormir um minuto à noite”, disse Clodovil, por meio de sua assessoria de imprensa.

Ao embarcar para São Paulo, no vôo 1847 da Gol, Clodovil não quis trocar de lugar com um passageiro a pedido do comissário de bordo.

A recusa veio acompanhada da explicação de que era parlamentar e tinha 70 anos.

Diante do argumento, foi vaiado e ouviu xingamentos de passageiros.

Com a confusão, o comandante do avião não quis levantar vôo e Clodovil prestou esclarecimentos à Polícia Federal.

Só às 20h14 o deputado embarcou em um vôo da TAM, depois de “exigir” que a Gol fretasse um jatinho para levá-lo a São Paulo.

“Ele [Clodovil] é um estilista e um artista.

Agora é um deputado e precisa tomar muito cuidado com suas atitudes.

Ninguém é superior a ninguém”, afirmou Izar.

“Isso não é bom para o Congresso”, completou.

Foi a terceira confusão em que Clodovil se envolveu desde que chegou à Câmara em fevereiro.

Na primeira vez, ele teria afirmado que as mulheres são “ordinárias, cheias de silicone, trabalham deitadas e descansam em pé”.

O comentário gerou críticas e acabou fazendo com que o parlamentar divulgasse uma nota se desculpando.

Pouco depois, Clodovil se desentendeu com a deputada Cida Diogo (PT-RJ).

Em maio, o deputado disse que Cida é “tão feia que nem para p.

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servia”.

Aos prantos, a deputada apelou aos colegas que havia sido humilhada.

Em decorrência dos casos, há duas representações contra Clodovil na Corregedoria da Câmara, que aguardam decisão do corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE).

Ao ser informada sobre o novo incidente envolvendo Clodovil, Cida disse que o colega ainda não percebeu que depois de eleito passou a representar e defender a sociedade.

“Ninguém é melhor do que ninguém.

O fato de ser deputado ou deputada não nos dá condições de ser melhor do que o outro.

É uma pena que ele tenha se envolvido em uma confusão como essa [o caso do avião].

É uma pena”, disse a petista.

Se o corregedor aceitar as representações contra Clodovil, o processo será remetido ao Conselho de Ética que poderá optar por uma das três punições: advertência verbal, advertência por escrito e até sugestão de cassação de mandato.

Agência Trabalhista de Notícias (com informações da Folha Press)