Jefferson apresenta defesa e põe Lula como testemunha número 1

PTB Notícias 20/02/2008, 15:27


Leia abaixo matéria publicada no site da revista Época, nesta quarta-feira (20/2), assinada pelo repórter Rodrigo Rangel:Roberto Jefferson apresenta defesa e põe Lula como testemunha número 1O ex-deputado e Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, ajuizou nesta terça-feira (19/2), por intermédio de seu advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, sua defesa prévia no processo do mensalão e indicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sua testemunha número um.

Jefferson apresentou um rol de testemunhas com 33 nomes.

A lista, encabeçada por Lula, inclui o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de nomes de candidatos à sucessão presidencial de 2010: o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes.

Por lei, pessoas indicadas como testemunhas em processos judiciais são obrigadas a comparecer à Justiça – nesse caso, ao Supremo Tribunal Federal, onde corre a ação penal contra os acusados de participação no mensalão.

O presidente Lula, por ter foro privilegiado, poderá marcar data e hora do depoimento.

Na defesa prévia, Roberto Jefferson nega ter recebido propina do PT.

Sustenta que os R$ 20 milhões repassados pela cúpula petista ao partido eram parte de um acordo para as eleições municipais de 2004 – e não pagamento pelo apoio aos projetos do governo no Congresso.

Ao longo das dez páginas da defesa, o ex-deputado dá seguimento à estratégia de envolver o presidente no processo do mensalão.

Além de arrolá-lo como testemunha, ele volta a questionar a participação de Lula no escândalo, seguindo o raciocínio de que, se o Supremo decidiu processar integrantes do primeiro escalão do governo sob a acusação de comprar apoio político no Congresso, a co-participação do presidente da República seria “óbvia”.

O advogado de Roberto Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, já haviam feito esse questionamento ao STF antes, num embargo de declaração ainda não apreciado pela Corte.

Na defesa prévia, o ex-deputado repete que, antes de estourar o escândalo, avisou o presidente sobre o mensalão.

Agora, ele anexou ao processo o que diz ser a comprovação de que, mesmo alertado, Lula nada fez.

Trata-se de certidões do Palácio do Planalto atestando que, após o aviso ao presidente, não foram abertos processos internos para investigar a denúncia.

As certidões foram solicitadas ao palácio pelos advogados de Jefferson.

“Com surpresa, como evidenciam os documentos anexos, informa-se por certidão que nada foi localizado a respeito”, diz a defesa prévia.

Sem maiores explicações, Jefferson também inclui no rol de testemunhas o nome de Waldomiro Diniz, pivô do primeiro grande escândalo do governo Lula.

O estratagema está lançado.