Jefferson comenta em seu blog sobre volta de Lula em 2014

PTB Notícias 17/08/2011, 17:51


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta quarta-feira (17/08/2011): Queremismo lulista Mais do que sebastianismo, porque o “rei” não está morto, mas vivíssimo, a torcida pela volta de Lula em 2014, passados apenas oito meses de governo, defendida por integrantes da base e centrais, segundo a “Folha”, poderia parecer uma questão fora de ordem e lugar.

Todavia, não, como todos sabem, é a confissão que Dilma lá foi colocada para não manchar o currículo de democrata de Lula caso cedesse ao golpe branco do 3º mandato.

Queremismo lulista nesta altura é, no mínimo, uma indelicadeza com Dilma.

Presidente, tá na hora de pôr ordem na casa.

Falta dizer que não é candidataDilma, que não é boba nem nada, sabe muito bem que viverá sob a sombra avassaladora do terceiro mandato.

Eu começo a apostar que a presidente tem apenas três projetos reais para os próximos quatro anos: a Comissão da Verdade, seu projeto xodó, segurar a economia, essencial para que Lula possa voltar, e quiçá comprar a briga com a PF e acabar com o estado policialesco criado no qual vivemos (vide tudo o que a PF está fazendo agora que perdeu poder e holofote).

Tudo isso é possível, mas nada disso é pouca coisa.

Mas, como já disse aqui, defendo que ela diga já que não é candidata em 2014, que vai se dedicar a governar o Brasil apenas.

Acredito que ela fará um bom trabalho, ganhando apoios à reeleição.

“Capoeira que caí, caí bem?”Em entrevista à “Folha” e ao UOL, um dos ministros mais fiéis a Lula no governo Dilma, Paulo Bernardo (Comunicações), afirmou que 2014 será decidido por Lula e Dilma quando a hora chegar.

De acordo com ele, se Dilma “estiver bem e se tiver desejo de concorrer, muito dificilmente ele [Lula] vai se colocar como postulante”.

É bom frisar: se (e é um se bem grande) Dilma estiver bem.

O sonho de muito petista é fazer Dilma chegar em 2014, mas chegar mal, apedrejada por seguidos escândalos.

Chega 2014, mas não chega 2012É unânime a opinião de que Dilma sonha com uma reforma ministerial na marca de um ano de governo.

Enquanto o aniversário não chega, ela vai rebolando com o que tem, administrando as sucessivas crises que lhe toma os ministros.

A cada dia fica mais claro que colocar Gleise e Ideli, dependente do agora ocupado com a PF José Eduardo Cardozo, na articulação política foi um erro, mas, quando muito, Dilma as trocará apenas na sonhada reforma.

Pelo visto, está mais fácil chegar 2014 e a volta de Lula do que 2012 e a reforma de Dilma.

Fora das quatro paredesQuando do governo Lula, toda vez que aparecia algum escândalo o roteiro seguido pelo ex-presidente incluía discursos contra a imprensa e uma entrevista, dele ou de seu ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciando uma investigação da Polícia Federal.

Nesse começo de governo Dilma a PF recebeu tratamento secundário e que – a Voucher assim indica – não necessariamente estava errado.

De estrela em todas as denúncias de malfeitos a PF simplesmente virou coadjuvante, substituída pela Controladoria-Geral da União nas ações contra os malfeitores.

Foi assim com o milagre econômico do Palocci, com os Transportes e com a Agricultura.

A PF, pelo visto, cansou de ficar no quarto, quer mostrar a intimidade dos outros na praça, para todo mundo ver.

A guerra continuaSaindo do lugar (quiçá por demais discreto) até agora lhe reservado por Dilma, a Polícia Federal resolveu abrir inquérito para investigar as denúncias que saíram na imprensa sobre o Ministério da Agricultura.

Começou ouvindo Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação da pasta.

Foi ele quem contou à “Veja” que o lobista Julio Fróes circulava pelo ministério e pagava propina a servidores, com direito à mesa de trabalho na comissão de licitação garantida pelo número dois da pasta, Milton Ortolan (a maior baixa da Agricultura, até agora).

No depoimento, de acordo com “O Globo”, Batista ainda teria dito que escutou uma conversa entre o lobista e Ortolan no telefone, na qual este fazia referencia a um tal de “chefão 1”, que tanto pode como não pode ser o ministro Wagner Rossi.

Lista de chamadaO mais óbvio é que, a continuar a investigação, a PF chame Oscar Jucá Neto, o Juquinha, que começou a confusão na Agricultura depois que foi pego fazendo pagamento que não devia na Conab, sendo por isso demitido.

Outros entrevistados podem entrar na lista, até que apareça a notícia de que a PF quer ouvir o ministro Wagner Rossi.

A abertura desse inquérito é indicação de que a PF costura a saia justa que quer colocar no governo, a fim de obrigar Dilma, pela força, a sentar e negociar o poder, os holofotes e a manutenção do estado policialesco.

Aliado ou circunstância?E quem liga para o PR, quando na cadeira elétrica da PF está o PMDB, maior aliado de Dilma? A investigação agora iniciada de forma bombástica, com referências a um tal de “chefão 1”, não só vai dar o que falar, como vai produzir bastante gritaria.

Não dá para acreditar que a PF não saiba, e não use, o poder político que esse seu novo inquérito tem.

Aí sobram duas opções à Dilma: ou ela se dobra perante o monstro criado pelo governo anterior (e esse monstro, sem controle, tem tudo para virar contra o feiticeiro, como há tempos esse blog alerta), ou sai de vez para a briga.

Na segunda opção, são dois os problemas: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anda mais para coordenador político do que para chefe da PF e sem uma mão forte na pasta fica difícil ganhar a briga; com os aliados gritando e ameaçando deflexões ao invés de respaldar sua presidente, vai ficar difícil entrar no campo de batalha.

Será que sacrificam um ou dois nomes para um bem maior? O PMDB pode ser o maior aliado, ou pode mostrar que não passa de um PR inchado.

A inveja é uma.

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Depois que a ex-senadora e ex-candidata a presidente Marina Silva se desligou do partido, o PV nem esperou a cadeira esfriar e já está negociando com o Palácio do Planalto sua volta à base aliada.

De sua parte, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ex-DEM, ainda nem conseguiu obter o registro definitivo do TSE, mas já oferece de bandeja sua nova agremiação, o PSD, para engordar ainda mais as fileiras governistas.

Hugo Chávez deve morrer de inveja de Dilma Rousseff, que conseguiu reunir uma aliança maior do que a dele sem precisar de quarteladas, perseguir a imprensa ou mudar a Constituição.

Pança continua cheiaE a vida do governo não anda nada fácil.

Depois de faxinado e após muitas ameaças, o PR anunciou sua saída da coalizão de apoio ao governo e já votou com a oposição emenda ao projeto que trata do mercado de TV por assinatura.

O senador Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes e presidente nacional da sigla, tornou oficial, em discurso, a decisão do partido e prometeu devolver os cargos que ainda restam no governo, mesmo sem saber quantos são.

A quantidade de votos contrários do PR não foi suficiente, porém, para derrotar o governo.

Com a anunciada independência (que ainda é vista com desconfiança até pelo busto de Ruy Barbosa postado na parede atrás da Mesa Diretora), o Palácio do Planalto pode até ter perdido um pouco de gordura no Senado, mas ainda conserva a pança.

Por enquanto, tudo igualDepois do Vox Populi, Datafolha e Ibope, agora foi a vez de a CNT/Sensus apresentar pesquisa de avaliação do governo e de imagem da presidente.

E como as sondagens dos demais institutos, esta trouxe números quase idênticos: 49,2% de menções “ótimo” e “bom” de aprovação do governo (Datafolha registrou 49%, Vox Populi e Ibope, 48%).

O problema para o Palácio do Planalto é a comparação com a última sondagem realizada pelo instituto (dezembro de 2010), no apagar das luzes da Era Lula.

Naquela época, a CNT/Sensus apurou que as respostas de “ótimo” ficaram em 40% para o governo.

Oito meses depois, a avaliação despencou 30 pontos percentuais, caindo para 10% neste quesito.

Mas nada que deva desesperar a presidente, já que sua avaliação é melhor do que as de Lula e Fernando Henrique para o mesmo período de mandato (sete meses iniciais), sendo que os números do antecessor estavam inflados pela campanha eleitoral, o bom momento da economia e a gastança desenfreada (que agora complica a vida de Dilma).

Haddad em cenaFoi até que rápida a condenação de quatro dos cinco envolvidos no primeiro grande escândalo do Enem, o vazamento da prova em 2009, às vésperas de sua realização.

Bom para Fernando Haddad, ministro da Educação e agora projeto de ungido de Lula para a Prefeitura de São Paulo – uma condenação sempre agrada à horda mais sanguinária.

Ruim para Haddad, dono dessa caveira de burro chamada Enem, enterrada sob o Ministério da Educação, e que não para de dar problemas – o vazamento foi só o primeiro de dezenas de problemas que o potencial ungido quer esquecer.

Vitória de Pirro?O senador Aécio Neves obteve uma vitória maiúscula em sua cruzada para modificar o rito de tramitação das medidas provisórias no Congresso.

Mas ainda não pode soltar fogos.

Seu substitutivo à PEC do presidente José Sarney (que promove diversas alterações na forma como as MPs são encaminhadas e votadas no Congresso) foi aprovado por 60 votos a favor e nenhum contra, placar difícil de ser obtido tanto por governo quanto por oposição.

O problema é que a PEC, após nova votação em 2º turno, nesta quarta, enfrentará ainda longa tramitação na Câmara, e lá o senador tucano não terá o mesmo poder de persuasão para aprovar o projeto.

Para piorar, senadores petistas que votaram a favor da PEC, ontem, em conversas no escurinho do Plenário cochichavam: “Na Câmara, tudo pode mudar”.

Traduzindo: a PEC das MPs pode só será votada no final do ano, assim mesmo com alterações (e sabe-se lá quais), o que faria o projeto retornar ao Senado, jogando a aprovação final para 2012.

Já o governo aposta no “embromation” para deixar tudo como está.

E a grana, cadê?Primeiro foi a ministra Ideli que se reuniu com parlamentares e prometeu liberar emendas.

Depois a própria presidente Dilma promoveu uma rodada de conversas com líderes partidários e garantiu que recursos de emendas novas e também as da rubrica dos “restos a pagar” serão empenhadas nos próximos dias.

Apesar de todo o esforço do Palácio do Planalto para fumar o cachimbo da paz com os líderes partidários, muita gente ainda continua desconfiada.

Até porque ninguém viu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciarem “quando” as emendas se materializarão no caixa das prefeituras.

Pelo sim pelo não, nada foi votado na Câmara ontem, correndo o risco de a votação da MP 532, que atribui à ANP a fiscalização e a regulamentação do setor produtivo de etanol, ficar para a semana que vem, assim como a que amplia o raio de atuação da ECT.

A sessão de hoje vai dizer se as promessas do governo se traduzirão em votos antes de efetivamente cumpridas.

Imagem: Ivana Souza