Jefferson comenta escândalo que derrubou a cúpula dos Transportes

PTB Notícias 4/07/2011, 16:05


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta segunda-feira (04/07/2011): Camisa-de-força O colunista Melchiades Filho expôs o dilema de Dilma acerca dos Transportes: “Ou aproveita o escândalo para lipoaspirar a coalizão, limpar de vez o ministério e assumir a microgerência das estradas federais e outras obras, ou recua, contemporiza com o PR e empurra o jogo com a barriga”.

Tenho cá minhas dúvidas de que ela conseguirá tirar o ministro Alfredo Nascimento.

No presidencialismo de coalizão, não é fácil tirar peças do tabuleiro.

Vá lá que o Rondeau rodou, o Pagot pagou, mas o Nascimento deve renascer das cinzas, tal qual fênix.

É do jogo.

Fome de fériasA penúltima semana antes do recesso se inicia com deputados e senadores divididos entre a análise de medidas provisórias complicadas (como a 527, que estabelece novas regras para licitações de obras da Copa do Mundo, e a 528, que corrige a tabela do Imposto de Renda), a votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, LDO (com emendas para impedir o contingenciamento de emendas parlamentares) e, agora, a pressão pela abertura de uma CPI do Dnit, além de pedidos de investigação sobre denúncias contra integrantes do PR por conta de denúncia de corrupção no Ministério dos Transportes.

Até as carpas do Palácio do Planalto devem estar torcendo para o pessoal do Congresso tirar férias logo.

É certo que o refresco será pequeno, mas 15 dias sem crise já é motivo de comemoração.

Difícil de sairA oposição quer aprovar esta semana, na Câmara e Senado, requerimentos de convocação do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, para falar sobre as denúncias de superfaturamento de obras no Ministério, veiculada por “Veja”.

Em outra frente, os líderes dos partidos de oposição pretendem também criar uma CPI Mista do Dnit, que, aliás, há tempos é motivo de requerimentos de deputados e senadores.

O problema, entretanto, é aritmético: enquanto o PMDB estiver do lado do governo (pelo menos oficialmente), dificilmente qualquer CPI irá prosperar no Congresso.

Não é nada?, é muita coisa.

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Apesar de o Palácio do Planalto ainda precisar aprovar 11 medidas provisórias, a única que irá mobilizar de fato a articulação política do governo é a de nº 527, que cria o regime diferenciado de contratações para as licitações de obras para a Copa do Mundo.

Para a MP 528, que corrige a tabela do Imposto de Renda em 4,5%, a estratégia a ser tomada é a do corpo mole.

O governo quer aprovar, mas se a oposição insistir com emendas e obstruções para elevar o valor da correção, os líderes vão retirar o quórum e deixar a medida para agosto (ela perde o prazo em 07/8).

Se a MP não for votada, o governo não precisará perder cerca de R$ 2 bilhões em receitas.

Não é nada não é nada, é meio “Carrepão”.

As mulheres arrasaram, já os homens.

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Enquanto os homens da seleção brasileira de futebol fizeram um jogo morno, sem ousadia, na contramão do que se esperava, demonstrando desentrosamento e pouca criatividade, as mulheres fizeram bonito, derrotando a forte seleção da Noruega.

Marta e companhia jogaram com graça, arte, leveza, além de força e virilidade, quando necessário, premiando os torcedores com belas jogadas e lindos gols.

O momento é mesmo das mulheres, os homens estão perdendo de goleada.

Tal qual na política.

Movimento dos Sem-Gabinete (MSG)O Movimento dos Sem-Terra ameaça aumentar o tom dos protestos, e já prepara invasões e outras manifestações para pressionar o Palácio do Planalto.

O que torna curiosa a revolta do MST é a origem das queixas: o problema não se concentra mais no fato de a reforma agrária estar andando a passos lentos.

A questão que move os dirigentes sem-terra hoje é a demora na nomeação de superintendentes regionais do Incra.

Levantamento feito pelos líderes do movimento indica que, de um total de 30 superintendências do órgão da reforma agrária, só seis contam com novos diretores; as indicações para as outras 24 cadeiras estão paralisadas em virtude de disputas que envolvem tanto o PT quanto o MST e partidos da base aliada.

O MST agora não quer terra, mas gabinetes refrigerados, com mesa, computador e cafezinho (e quente).

Balaio de 29É capa da “Folha de S.

Paulo” de hoje, que saiu de próprio governo federal: quase R$ 12 bilhões, entre 2004 e 2008, deixaram de ir para a Saúde quando os estados descumpriram a Emenda 29 da Constituição.

Essa emenda, já antiga, obriga que os estados gastem 12% de suas receitas com saúde, contudo, a fim de dar um jeitinho, tudo e mais um pouco entra na rubrica – despesas com previdência, polícia, saneamento, ensino superior etc.

Os anos de 2009/2010 ainda não foram analisados pelo Ministério da Saúde, mas é bom lembrar que esses números já passaram pelos Tribunais de Contas Estaduais, que deveriam tê-los reprovado.

Afinal de contas, a regulamentação da emenda ainda é objeto de briga no Congresso, mas a lógica não deveria ter deixado de existir.

Esquizofrenia governamentalE por falar em lógica, difícil mesmo é entender o objetivo do governo ao dar, de mão beijada, essa capa para a “Folha”.

A matéria na certa vai animar os defensores da imediata regulamentação da emenda, mas nem o jornal que conta a história explica a mixórdia.

De um lado, parte da culpa pelo balaio em que se transformou a Emenda 29 é sua falta de regulamentação, usada como desculpa por todos os estados que incluíram alhos e bugalhos nos 12% que obrigatoriamente têm que gastar com saúde.

De outro, deputados da própria base governista se mobilizaram nas últimas semanas para enfim pôr em votação na Câmara o projeto de lei sobre o tema.

No meio, o mesmo (?) governo que fez e divulgou o levantamento de gastos estaduais é contra a imediata votação do tema, temeroso que o fim da bagunça o obrigue a aumentar os repasses aos estados.

E olha que nessa nota só tem governo, a oposição nem sequer aparece.

Cenas do próximo capítuloAgora é esperar para ver qual é o jabuti que sairá do mato da Emenda 29.

Porque, não podemos esquecer, que quando não é enchente, é um monte de gente, porque jabuti não sobe em árvore.

Lá, a fila não andaNão é só a Emenda 29 que aguarda regulamentação, por meio de lei, no Congresso.

Também o teto salarial está na fila.

De acordo com a Constituição, o teto para todo o funcionalismo público equivale ao salário recebido mensalmente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, hoje de R$ 26,7 mil.

Mas pergunta-se, da mesma forma que os estados questionam o que é e o que não é saúde, o que é e deixa de ser salário.

Daí que, uma hora extra aqui, um grupo de trabalho ali, uma bonificação acolá são colocados fora da definição e explodem o teto.

Só que, com uma média de quatro medidas provisórias por mês, a fila no Congresso quebra a regra e não anda.

Censura privatizadaO porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, esteve no Brasil e deu entrevista ao “Estadão”.

Todas as ações promovidas contra o site que fez sucesso no ano passado vazando informações constrangedoras, para dizer o mínimo, principalmente do governo americano, foram descritas pelo porta-voz como uma “privatização da censura”.

Dentre essas ações, e que melhor se encaixam na denominação, estão o Mastercard e o Visa, que bloquearam os canais de doação ao site.

A Amazom, depois de aberta pressão do governo americano, decidiu não mais hospedar o material do WikiLeaks.

Impossibilitado de agir diretamente contra a divulgação de informações, pois isso seria inadmissível censura, o governo americano tenta, desde o grande vazamento, sufocar economicamente o site, tática já usada na guerra contra as drogas, com a exportação da Lei de Lavagem de Dinheiro, sem sucesso até agora (em ambos os casos).

O termo cunhado pelo WikiLeaks, ainda mais diante da importância que a liberdade de expressão tem nos EUA e em razão de sua exatidão, tem tudo para pegar.

Dois milhõesJá o clima no Brasil deve piorar com o retorno do Congresso à guerra contra a internet livre em razão dos recentes ataques de hackers, apesar de que nenhum dos piratas cibernéticos tupiniquins serem um Julian Assange.

No entanto, a entrevista do porta-voz do WikiLeaks mostra que os EUA não são mais grande exemplo em vários temas.

Daí que a mobilização em defesa da liberdade deve vir de nós mesmos.

Mais do que isso, as campanhas do programa “Pânico na TV”, da “Rede TV!”, mostram que ela é possível e pode ser feita sem violência virtual.

É impressionante que o programa tenha conseguido nada menos que dois milhões de adeptos à campanha para que um de seus humoristas conhecesse o comediante Jim Carrey, e tudo isso em menos de uma semana.

É mais assinatura, em sua versão virtual, do que conseguiu o partido de Kassab, e sem mortos na lista!