Jefferson comenta sobre acordo nos EUA e problemas do governo no Congresso

PTB Notícias 1/08/2011, 16:29


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta segunda-feira (08/08/2011): Mundo respira aliviado Enfim Obama foi à TV, não pra fazer apelos, mas pra anunciar um acordo que eleva o teto da dívida pública dos EUA em até US$ 2,8 tri, exorcizando o calote que levaria as finanças ao caos global.

O pacto será votado pelo Congresso ainda hoje, mas parece claro que os democratas, premidos pelo calendário eleitoral, entregaram os anéis aos republicanos pra não perder os dedos: haverá corte de US$ 1 tri no orçamento, atingindo gastos sociais, ante os US$ 3 tri reivindicados inicialmente, mas nada de aumento de impostos.

Obama saiu menor do episódio.

Obama perde outraA recusa do establishment americano em rever seus conceitos de governo, estado e mercado tem imobilizado a administração democrata, levando Barack Obama às cordas.

O próprio Obama se acovardou diante da pressão feita pela elite dominante na crise financeira de 2008-2009, preferindo entregar bilhões de dólares aos capitalistas em detrimento dos trabalhadores.

O carismático Obama chegará à eleição, em novembro de 2012, com um leque de realizações muito aquém das esperanças contidas no vitorioso slogan “Yes, we can”, que encheu de esperança o povo americano, tirando milhões deles de casa para votar (o voto não é obrigatório nos EUA).

E culmina hoje com a elevação da dívida pública dos EUA, que redundará num corte de US$ 1 trilhão no orçamento, atingindo principalmente programas de saúde e previdência, como exige o radical Tea Party.

A área de defesa também deve perder alguns bilhões (uma concessão republicana), mas, como todos sabemos, o setor já conta com recursos em excesso.

Será o mês do desgosto?O segundo semestre começa hoje nos poderes Legislativo e Judiciário, e as indicações são de que teremos turbulência pela frente.

Se alguém imaginava que a crise na área dos transportes fosse arrefecer com o período de recesso, os fatos recentes não só desmentem a calmaria como produzem um clima de total incerteza no ambiente da política.

Além das denúncias e das demissões no Ministério dos Transportes e no Dnit, o efeito dominó da faxina promovida por Dilma pode atingir outros órgãos da Esplanada, como os ministérios das Cidades, Agricultura, Minas e Energia, Desenvolvimento Agrário, e também autarquias como Incra, Codevasf, Conab, Funasa, e até a Agência Nacional de Petróleo.

O problema maior é que tem gente que, depois de algumas “vassouradas”, está a exigir que a mesma chegue ao quintal vizinho.

Dilma deveria gastar os primeiros dias do mês tentando “discutir a relação” com os aliados, de forma a reverter desconfianças que povoam os corações e mentes dos membros do amplo arco da aliança governista.

Só colocar a Ideli para se reunir com parlamentares não vai desanuviar o céu.

Complicações na casernaA vida do Comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, deve ficar ainda mais complicada neste começo de semana, com a notícia de que o Tribunal de Contas da União determinou a suspensão do pregão eletrônico realizado pela Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) para aquisição de medicamentos e material de saúde.

A medida do TCU foi tomada após constatar diversos indícios de irregularidades na licitação, entre eles a inclusão de preços superfaturados na lista dos materiais que seriam adquiridos, além de restrição à competição entre empresas.

O general Peri, que vem sendo investigado por suspeitas de fraudes em obras do Exército, feitas por meio de convênios com o Dnit, agora tem mais esse imbróglio para explicar.

PMDB, o fiel da balançaO Palácio do Planalto ainda tem gordura para queimar caso precise estender a faxina para outras áreas da administração pública.

E não apenas porque sua base é numerosa, mas principalmente porque a oposição tem se preocupado apenas em tentar criar CPIs que, mesmo instaladas, não são capazes de produzir fatos que desestabilizem o governo.

No Congresso, Dilma ainda conta com o apoio dos presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente Marco Maia e José Sarney, que dominam a pauta e podem prorrogar a votação de temas mais indigestos para o Planalto, como a Emenda 29 (que reserva recursos obrigatórios para a saúde), a PEC 300 (que estabelece piso salarial nacional para os policiais e bombeiros), o novo Código Florestal (este no Senado), a divisão dos royalties do petróleo e o reajuste nos salários dos ministros do STF.

Por ora, apenas na votação das medidas provisórias (12 no total) o governo pode acabar sofrendo uma ou outra derrota.

Isso enquanto Dilma tiver o apoio firme do PMDB.

Do contrário, a coisa pode azedar.

Nova “força” à vista?Após pesquisa nos tribunais regionais eleitorais, o “Correio Braziliense” informou que o PSD pretendido por Kassab é apenas mais um em uma longa lista de novas legendas que tentam se viabilizar até as eleições municipais de 2012.

Segundo o “Correio”, além do PSD, outros 19 partidos tentam obter registro definitivo junto à Justiça Eleitoral.

Nesta lista figuram legendas como o Partido Ecológico Nacional (PEN), o Partido Geral do Trabalho (PGT), o Partido da Pátria Livre (PPL), o Partido da Transformação Social (PTS), o Partido Carismático Social (PCS), o Partido da Justiça Social (PJS) e até mesmo o Partido da Mulher Brasileira (PMB).

Diante de tantas legendas e de matizes ideológicos e programáticos tão díspares, ouviu-se dizer em Brasília que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já estaria interessado em chamar os representantes das novas agremiações para uma grande conversa, interessado em uni-las em um único e grande novo partido, que viria a se chamar Partido da União Nacional, mais conhecido como “PUN”.

Certamente o partido seria um “estouro”.

Cerco ao álcoolSegundo a Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU, aproximadamente 4% das mortes em todo o mundo são decorrentes do uso do álcool.

Aqui, os dados não são menos preocupantes.

Pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP concluiu que 15% da população brasileira é alcoólatra, fazendo o sistema de saúde gastar 7,3% do PIB de cerca de R$ 2,5 trilhões com problemas relacionados ao álcool (câncer, impotência, cirrose, danos ao cérebro e ao coração, riscos à gravidez, depressão, acidentes de trânsito e suicídio, sem mencionar os danos sociais a que o alcoólatra, familiares e empregadores são submetidos).

Mesmo assim, as políticas de prevenção são tímidas e pouco divulgadas, além de uma lei que vive sendo descumprida.

Mas o governador Geraldo Alckmin quer reverter o jogo em São Paulo, informa o “Estadão”, enviando à Assembleia projeto de lei que restringe o acesso de menores de 18 anos às bebidas alcoólicas (quase uma em cada dez mortes entre jovens com idade entre 15 e 29 anos está relacionada ao álcool), limita os locais de venda e fixa horários de funcionamento de bares e estabelecimentos que comercializam bebidas, como prevê a lei.

O proprietário será responsabilizado caso algum menor consuma bebida alcoólica no local, pagará multa em caso de descumprimento e terá o estabelecimento fechado em caso de reincidência.

A ideia é fazer com o álcool o que já vem sendo feito com o cigarro.

Que outros governadores sigam o exemplo de Alckmin.

Nem Ramadã segura AssadO regime assassino de Bashar Assad deflagrou uma nova onda de violência, desta vez na véspera do início do Ramadã, o mês sagrado do Islã.

Segundo informaram grupos locais de defesa dos direitos humanos à imprensa internacional, as forças do governo mataram pelo menos 80 civis, entre eles jovens que se lançam diante de armas clamando por liberdade apesar de saber do destino que os aguardam.

Os emergentes Brasil, Índia e África do Sul pretendem enviar, em até 15 dias, uma missão a Damasco para consultar o governo sobre a reforma política prometida como última tentativa de evitar uma resolução da ONU impondo sanções efetivas contra a Síria (Rússia e China são contra, assim como os três países emergentes, mas que acreditam no diálogo para chegar a um entendimento).

Enquanto espera pela missão dos emergentes, Assadi prossegue com a matança.

Imagem: Ivana Souza