Jefferson comenta sobre política nacional e lamenta morte de Paulo Renato

PTB Notícias 27/06/2011, 15:22


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta segunda-feira (27/06/2011): Contraveneno Lula não vai disputar cargo algum em 2014.

Quem garante é o ministro Gilberto Carvalho.

E disse mais: que não há “nenhuma hipótese” de Lula concorrer à Presidência em 2014 (G1).

Não se deve levar a declaração muito a sério, até porque foi emitida durante o São João.

Como se sabe, nas festas, a melhor parte da quadrilha é aquela em que o puxador grita: “Olha a cobra!”, no que todos respondem: “É mentira!”.

Seja como for, a afirmação tem um porquê: atenuar a sensação de abreviamento do governo Dilma depois que Lula voltou com tudo ao proscênio.

No fio da navalhaA 1ª semana das três que restam para o recesso no Congresso promete momentos de tensão, disputas, negociações à luz do dia e queixas no escurinho dos corredores.

Na agenda oficial, a votação de MPs polêmicas, como a 527, que flexibiliza a Lei de Licitações; na extraoficial, atenção máxima ao Diário Oficial e à decisão de Dilma de prorrogar (ou não) o decreto que cancela emendas parlamentares ao Orçamento de 2009, que vence dia 30.

Os ânimos estão como barril de pólvora, só esperando uma pequena fagulha para pegar fogo.

Quem vai acender o fósforo?Vai fazer faltaDepois de sofrer um infarto fulminante no hotel onde estava hospedado, na cidade de São Roque (66 km de São Paulo), morreu na noite de sábado (25), aos 65 anos, o ex-ministro Paulo Renato Souza.

Ele foi ministro da Educação durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (entre janeiro de 1995 e dezembro de 2002).

Cercado de técnicos de alto nível, entre eles o próprio, Paulo Renato mexeu nas estruturas da educação brasileira ao criar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o Fundef (hoje Fundeb), o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, e de tirar da gaveta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, além de ter conseguido universalizar o ensino fundamental.

Ministro vitorioso de uma área em que o País vem pecando ano após ano, com certeza Paulo Renato vai fazer falta ao Brasil.

Refresco nas MPsPor falar em medidas provisórias, não se sabe se foi a crise política por conta das denúncias que levaram o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a deixar o governo, ou se foi por conta da instabilidade da articulação política do governo, mas fato é que já faz quase um mês que o Palácio do Planalto não edita uma nova MP.

Desde que assumiu o lugar de Lula, Dilma já editou 14 medidas, e até o dia em que assinou a última, a 535 (3 de junho), vinha mantendo uma média de quase três MPs por mês, o que, entretanto, ainda estava longe do ritmo de Lula, de 4,4 medidas/mês.

Dilma faz bem em não abusar deste importante dispositivo da governabilidade, mas que vem sendo utilizado de forma abusiva e flagrantemente inconstitucional.

Muito além de 2012Dando continuidade ao seu novo escândalo dos aloprados, “Veja” publicou este fim de semana acusações que envolveriam a nova ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, acusada de participar de uma reunião com o núcleo de “inteligência” da campanha de 2006 e que causou todo esse alvoroço.

Mercadante, disposto a lidar com sua crise de forma diferente do que fez o agora ex-ministro Antonio Palocci, confirmou sua presença no Senado, mas desde já nega qualquer participação sua ou da nova ministra naquele rebuliço eleitoral.

Que a história veio do fogo amigo petista, isso todo mundo sabe ou desconfia, mas vai ficando cada vez mais claro que o alvo vai além das eleições municipais de 2012.

Big Brother em nova versãoA “Folha de S.

Paulo” de hoje, em seu editorial, defende, de um lado, a criação da Comissão da Verdade, bandeira de Dilma desde que era ministra de Lula, mas ataca a previsão de reuniões fechadas para “resguardar a vida privada, a honra e ou a imagem” e a não divulgação de “dados, documentos e informações sigilosos”.

Não se sabe que pessoas serão resguardadas, incluindo-se na genérica previsão legal, por óbvio, as vítimas dos abusos estatais, nem que documentos restarão protegidos, mas sem esquecer que pela lei e pela Constituição há dados que são obrigatoriamente sigilosos, como, por exemplo, os sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Toda lei deve ser genérica, a fim de ser aplicada aos mais variados casos concretos, e toda lei deve respeitar a Constituição.

Não é a lei que deve ser criticada, mas sua aplicação, que ainda está longe de acontecer.

A Comissão nem começou a virar lei e já vira alvo de críticas sob a bandeira dos tempos de Big Brother.

Calma com o andor, gente, porque os direitos fundamentais são de barro.

Papo vai, papo vem.

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Empresa de ministro com contratos confidenciais, documentos eternamente ultrassecretos, segredos para orçamentos e, agora, Comissão da Verdade com verdades sigilosas, criticada pelo editorial da “Folha”.

Há no noticiário do governo Dilma um tema persistente que toma as mais variadas formas: o segredo.

Mais do que isso, a regra é criticar e atacar o segredo, exigindo publicidade a torto e a direito, custe o que custar.

A presidente precisa, urgentemente, mudar essa agenda que não lhe rende votos, posto que para lá de negativa em tempos de curiosidade desenfreada e com os brasileiros já acostumados a viver em um imenso Big Brother, onde tudo o que é gravado pelo Guardião vai ao ar, e parar de pular de um sigilo para outro.

Enfim ganhamos umaO engenheiro José Graziano foi eleito ontem diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), numa disputa apertada que derrotou o ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos, por 92 votos a 88.

Para alguns, foi uma vitória dos países em desenvolvimento contra desenvolvidos.

Agora é arregaçar as mangas e reformar a instituição, reforçando a produção agrícola e a segurança alimentar globais.

Boa sorte ao novo diretor-geral da FAO.

Independência ou corteDe acordo com o “Correio Braziliense”, há uma corrente na equipe econômica que tenta convencer a presidente Dilma Rousseff de que não há mais necessidade de o Banco Central continuar elevando a taxa básica de juros, a Selic, atualmente no patamar de 12,25%.

A presidente vem recebendo relatórios que mostram que a atividade industrial foi reduzida, a escalada inflacionária contida, e até mesmo a enxurrada de dólares que vinha entrando no País perdeu o ritmo.

Para esse grupo, se o BC continuar elevando a Selic, mesmo que em doses homeopáticas, pode provocar a paralisia da atividade econômica, tudo que Dilma não quer.

Se ela der ouvidos ao grupo, que tem em Guido Mantega seu mais vistoso líder, será interessante observar de qual estratégia vai usar: enquadrará o presidente do BC, Alexandre Tombini, ou deixará a independência do órgão falar mais alto?Só pensam naquiloFalando em taxa Selic, já existe forte pressão do chamado mercado para que o Copom, em sua próxima reunião, em 19 de julho, eleve ainda mais os juros.

Já pipocam nos espaços dedicados à área econômica dos grandes sites de notícias relatórios e estudos que justificam uma nova alta.

Um deles, produzido pelo Bradesco, defende que o Copom aumente em 0,25% a Selic, por acreditar que o mercado de trabalho segue aquecido, assim como a atividade econômica como um todo.

“O Copom não pode simplesmente endossar as apostas de bancos e corretoras e lhes garantir lucros fáceis”, disse um assessor do Ministério da Fazenda ao “Correio Braziliense”, ao defender que o governo interrompa o ciclo de alta da Selic.

O técnico está certo.

O pior já passou, aumentar juros agora pode significar, exclusivamente, a garantia de lucros fáceis a bancos e corretoras.

Nada mais que isso.

Lá, como aqui.

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Que papelão fez a torcida do River Plate ao final da partida na qual o famoso time argentino foi rebaixado para a segunda divisão.

Uma quebradeira muito parecida com a promovida pela torcida do Coritiba, há dois anos, quando o time também foi rebaixado no Brasileirão.

Já na cidade de Fukushima, no Japão, centenas de pessoas fizeram passeatas e manifestos (absolutamente pacíficos) para exigir proteção contra a radiação que vem atingindo as crianças japonesas, mais de três meses depois de um terremoto e um tsunami terem desencadeado o pior desastre nuclear em 25 anos.

Como seria bom (e o continente outro) se os sul-americanos protestassem contra os muitos problemas que assolam os países do Cone Sul com a mesma disposição e revolta (mas no patamar de civilidade dos japoneses) com que gritam e choram após derrotas de seus times de futebol.

Não quero nem pensar.

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Por falar nas vergonhosas cenas protagonizadas pelos torcedores do River, nada diferentes das verificadas no Paraná quando da queda do Coritiba, é de pensar: diante da atual escalada de intolerância no futebol, como será que reagiriam os torcedores brasileiros diante de uma eventual derrota na Copa do Mundo de 2014, em pleno Maracanã, para uma Argentina, por exemplo?Obra bem-vindaCausou boa expectativa a apresentação do projeto do novo terminal de passageiros do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Se o aeroporto já era o maior do País, quase duplicará sua condição, pois da atual capacidade de receber 20 milhões de passageiros/ano, passará a operar com um total de 39 milhões, ultrapassando até mesmo o aeroporto de Heathrow, em Londres.

A obra será feita em etapas, e a primeira estará pronta no fim de 2013, quando 40% do novo terminal estará concluído para receber turistas, jornalistas e atletas da Copa do Mundo de 2014.

Ainda não é o ideal, mas já é um bom começo para um país que tem nos defasados aeroportos um de seus maiores gargalos.

Cinza cheio de coresO feriado em São Paulo foi marcado por dois imensos eventos que, apesar de todas as diferenças, têm em comum a prática de colorir as ruas da metrópole: primeiro houve a Marcha por Jesus e, ontem, a Parada Gay.

Em cada uma das manifestações, milhões de pessoas ocuparam avenidas.

A existência quase que simultânea de ambas as festas mostra o quanto é variado e diferente nosso povo.

São Paulo, mais uma vez, deu um belíssimo feriado para calar quem não consegue ainda aceitar diferenças e conviver em harmonia e produziu lindas imagens de milhões de brasileiros nas ruas, colocando duas tão diferentes celebrações, com poucos dias de diferença, em suas ruas.

Agora falta que as pessoas sigam o exemplo da cidade e aceitem a mera existência do diferente, como fez o Supremo Tribunal Federal ao reconhecer a união homoafetiva como núcleo familiar.

Afinal, São Paulo, uma cidade mais civilizada, humana e compreensiva que muitas das pessoas que por ali marcharam, mostrou que todos podem conviver e dividir as mesmas ruas em paz.