Jefferson fala sobre economia e posição de Delfim contra aumento de juros

PTB Notícias 25/03/2013, 17:33


Leia os comentários do líder petebista Roberto Jefferson, publicados nesta segunda-feira (25/3/2013) em seu blog (www.

blogdojefferson.

com).

Conversa insensível Debate sobre como frear a inflação, que se beneficia do apagão na educação, vai além da ortodoxia: “A saída é frear a economia.

É demitir mesmo”, diz ex-diretor do BC que prega o aumento dos juros.

O contraponto vem do outrora inimigo das esquerdas, Delfim Netto: “A empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center.

Agora, ela toma banho com sabonete Dove.

A proposta desses ‘gênios’ é fazer com que ela volte a usar sabão de coco aumentando os juros”.

É a voz do bom senso contra a insensibilidade do que seria um governo de técnicos.

É preciso foco O ex-ministro Delfim Netto não se resume a explicar o que para ele é um “processo civilizatório” de inclusão social com um exemplo feliz.

Ele vai além, aponta caminhos: o governo precisa fazer reformas estruturais que passem pelo aumento da educação do trabalhador (hoje, as empresas disputam a escassa mão de obra qualificada por meio de maiores salários, repassando os custos para os preços, o que alimenta a inflação).

A proposta do professor Delfim não só é exequível como pertinente.

Afinal, para que o governo Dilma tem uma base aliada tão grande que não seja promover as reformas – cantadas em prosa e verso – de que o Brasil tanto precisa? A discussão do Pacto Federativo em voga no Congresso – onde União, estados e municípios repactuem deveres e direitos que atendam aos interesses e evolução da sociedade – é a chance que temos de contextualizar, e resolver, desafios como esse.

Temo, porém, que, com a campanha eleitoral de 2014 nas ruas, o País perca mais essa oportunidade.

A grande incógnita Em audiência no Senado, na semana passada, o ministro Guido Mantega tentou escapar das previsões sobre o crescimento do PIB em 2013, e até aquiesceu que sua bola de cristal não anda lá essas coisas, mas, por fim, arriscou que a economia brasileira deve crescer entre 3,5 e 4% este ano.

A previsão do ministro vai na contramão do que pensam os economistas e analistas de mercado ouvidos semanalmente pelo Banco Central.

De acordo com o Boletim Focus divulgado na manhã de hoje, eles estão mais pessimistas, e reduziram as projeções sobre o PIB de 3,03%, da semana passada, para 3%.

Ainda está na margem de erro de Mantega, mas a verdade é que, depois de dois anos na casa de 1,5%, crescer 3% será uma festa.

Ainda mais com o pleno emprego atual e o dragão da inflação ainda sob controle.

Se o cenário persistir ao longo do ano, vai ser duro derrubar a hoje líder das pesquisas de intenção de voto para 2014.

Curta, mas quente Curta devido ao feriado da Páscoa, a semana, porém, começa quente.

Em Serra Talhada, Dilma e Eduardo Campos vão dividir o palanque, sorrisos e popularidade na inauguração de um açude e entrega de máquinas retroescavadeiras.

Em São Paulo, Aécio Neves participa de seminário em meio à nata do tucanato paulistano com sua “Agenda para o desenvolvimento do Brasil”.

É mais uma tentativa do mineiro para buscar o consenso necessário em torno de sua candidatura à presidência da República pelo PSDB.

Será que o espírito franciscano da Semana Santa estará em alta, com Dilma, Eduardo e Aécio “perdoando para serem perdoados”?Nada de novo Os presidentes das duas Casas que formam o Congresso marcaram sessões de votação para terça e quarta, como forma de não dar margem aos que criticam o Parlamento por “cabular” trabalho em semana de feriado.

O problema é que a pauta tanto da Câmara quanto do Senado está trancada por medidas provisórias.

Ou seja, há a chance de muito debate sobre os temas que hoje galvanizam as atenções no Congresso, como a nova partilha do FPE, unificação da alíquota do ICMS, repactuação da dívida dos municípios, mas votação que é bom, só das medidas do Executivo.

E assim, de MP em MP, o Congresso vai desperdiçando mais um semestre.

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O salvador dos insatisfeitos No “Estadão”, João Bosco Rabello conta que uma comitiva formada por deputados do baixo clero insatisfeitos com o governo deve se encontrar com Eduardo Campos logo após a Semana Santa.

Liderados pelo deputado Genecias Noronha (PMDB-CE), informalmente avaliam que um nome da própria base aliada tem mais chances contra Dilma do que a oposição, que não teria voto diante da alta aprovação da presidente, confirmada nas últimas pesquisas.

Oficialmente, dizem que “Campos é mais político, mais atencioso.

Sabe ouvir”.

Assim, eles querem ouvir de Campos se ele será mesmo candidato.

Enquanto isso, passam recados para Dilma.

Cócegas no governo Contudo, 20 ou 30 deputados não fazem nem cócegas no governo, cuja base aliada tem maioria arrebatadora na Câmara.

Ademais, Dilma, guiada por Lula, sabe que precisa manter a base unida para as eleições de 2014, deixando brigas mais fratricidas pelo poder para a eleição de 2018, quando serão inevitáveis.

Nesse diapasão, sua reforma ministerial vem lotada de afagos aos líderes partidários.

Na fila, já há ministério para o PMDB e a devolução da pasta do Trabalho ao PDT.

O PR, antes faxinado, é o próximo.

Mar calmo Os tais insatisfeitos do baixo clero, portanto, conseguirão, quando muito, surfar na onda da pré-candidatura de Eduardo Campos.

E nem será uma onda assim tão grande, já que não será por eles que finalmente Campos assumirá, de forma oficial, o racha com o governo.

O que os candidatos querem não é um punhado de simpatizantes, eles querem os partidos, donos de preciosos minutos na TV e no rádio em 2014.

O resto é figuração.

Um cargo abaixo O Painel da “Folha” conta hoje que o PT de São Paulo deve apresentar hoje à direção nacional do partido quatro nomes possíveis para concorrer ao governo do Estado em 2014, todos ministros de Dilma: Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Educação), Guido Mantega (Fazenda) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

Este último, um dia, foi cotado para ocupar uma vaga no STF, aberta com as várias aposentadorias recentes.

Depois dos escorregões com Dilma, que resultaram de sua distância com a Polícia Federal, órgão do qual deveria ter o comando, e que incluíram o desconhecimento total e absoluto de duas operações que bateram nas portas ao lado da presidente, Cardozo já não é tão cotado assim para a Corte.

O governo de São Paulo é, portanto, um cargo abaixo do sonhado pelo ministro da Justiça, mas não deixa de ser um grande cargo.

Solução de paz Dar a candidatura ao governo de São Paulo para José Eduardo Cardozo é, no fundo, um afago de Dilma.

Ele sai do Ministério da Justiça, onde não tem feito um trabalho tão forte, sem ter que ser demitido e tendo para onde ir.

Falta combinar com os russos, no caso, com Lula, a quem caberá, como coube em 2012, abençoar a candidatura que bem lhe entender e melhor lhe aprouver.

Ausência de guerra Entre os nomes apresentados pelo PT paulista, uma ausência chama a atenção: Marta Suplicy, hoje na Cultura depois de ter, por livre e espontânea pressão, desistido de se lançar pré-candidata à prefeitura de São Paulo.

Marta quer o Poder Executivo e não ficará satisfeita como ministra de uma pasta que sequer tem tanta visibilidade assim para o eleitor.

É difícil que ela saia da briga por 2014 sem nenhum protesto, e Marta não tem papas na língua quando é para protestar contra o absolutismo lulista dentro do partido em São Paulo.

Liberté, Egalité, Fraternité Em uma cena triste e que anda na contramão da história francesa, cerca de 300 mil pessoas lotaram as ruas do centro de Paris ontem em uma manifestação contra o plano do presidente francês, François Hollande, de legalizar o casamento e a adoção de crianças por homossexuais.

A proposta deve ser analisada em abril pelo Senado e Hollande já prometeu a aprovação da lei até junho.

Mas o tema tem deixado em polvorosa alguns franceses e, este ano, esta é a segunda manifestação do tipo, dessa vez com direito até a conflito com a polícia, que usou gás lacrimogêneo.

Liberdade, igualdade e fraternidade estão em baixa no país da Revolução Francesa.