João Lyra se reúne com pescadores do complexo lagunar de Maceió

PTB Notícias 8/08/2011, 8:30


Depender das lagoas Mundaú e Manguaba para tirar o sustento da família já não é mais como antigamente.

Essa foi uma das declarações mais recorrentes durante encontro do deputado federal João Lyra (PTB-AL) com centenas de pescadores do complexo lagunar, neste sábado (6/8).

A reunião aconteceu na sede da Federação dos Pescadores de Alagoas (FEPEAL), às margens da Lagoa Mundaú, no Vergel do Lago, em Maceió.

Com 40 mil profissionais cadastrados e cerca de 400 mil pessoas que sobrevivem da atividade pesqueira nas lagoas, a presidente da entidade, Eliane Moraes, disse que o momento é de grande dificuldade.

O assoreamento e a queda natural da produção no período de chuva têm feito com que muitos fiquem sem renda e precisem buscar fontes alternativas para sobreviver.

Segundo ela, os meses de junho, julho e agosto são críticos.

“Além do assoreamento das lagoas, as chuvas atrapalham demais nossa produção e rendimento.

Muitos pescadores estão desempregados”, relatou.

O problema não é novo.

De acordo com a presidente da FEPEAL, a última dragagem nas lagoas foi feita há mais de 25 anos.

Ao longo desse período, Eliane contou que muitas pessoas foram procuradas no intuito de conseguir auxílio para as colônias, mas obteve poucas respostas.

Sensibilizado com a situação, o deputado João Lyra conversou com os pescadores e levantou suas principais reivindicações: o fim do assoreamento e o benefício do seguro-desemprego.

“Conversei com muitos deles e a reclamação é a mesma.

Basta olhar as lagoas para perceber a quantidade de lixo e o assoreamento.

Sobreviver da pesca aqui está praticamente impossível”, observou.

Durante o encontro no Vergel, o deputado ouviu atentamente o pedido dos pescadores.

Petrúcio Ferreira da Silva foi um deles.

Com mais de 20 anos de profissão, o pescador, que está desempregado, não recebe auxílio e vive de “bicos”.

“Já trabalhei de garçom em um hotel da orla e vejo que os turistas adoram o nosso sururu.

Muitos deles não sabem que o sururu alagoano está acabando e para satisfazer o turismo ele precisa vir de outros estados”, reclamou.

Levando em consideração os apelos da categoria, João Lyra esteve, esta semana, no Ministério da Pesca e Aquicultura, em Brasília, onde, em audiência com o ministro Luiz Sérgio, solicitou a liberação de verba orçamentária para viabilizar a dragagem do complexo lagunar.

Na ocasião, o ministro disse que o pedido mostra a preocupação do parlamentar com um setor econômico importante em Alagoas e no Brasil.

“Esse é um problema que inquieta o nosso mandato, mas senti a boa vontade do ministro e tenho certeza que ele vai estudar o nosso pedido”, declarou o deputado.

Independente da decisão do Ministério, João Lyra garantiu que vai dedicar parte das emendas parlamentares a que tem direito no Orçamento Geral da União para ajudar a solucionar a questão.

Outro pleito do deputado se refere ao pagamento de seguro-desemprego durante o Período de Defeso para os pescadores das lagoas.

Benefício semelhante já é garantido aos profissionais que atuam nos rios e no mar – trata-se de um auxílio especial pago com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) do governo federal.

O ofício com o pedido já foi encaminhado ao Ministério do Trabalho e Emprego e o deputado aguarda audiência com o ministro Carlos Lupi, que deve acontecer nos próximos dias.

João Lyra defende ainda uma parceria com a prefeitura de Maceió para a criação de um programa em que os pescadores ajudariam na limpeza das lagoas recolhendo o lixo, e seriam remunerados em parceria com a Slum (Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió).

“O importante desse projeto é que à medida que os pescadores lutam por sua sobrevivência, também estarão fazendo um trabalho de conscientização ambiental”, ressaltou.

Ao final do encontro foram distribuídas 1.

500 cestas básicas conseguidas pelo deputado com o apoio de empresários, fornecedores e colaboradores.

“Essas famílias precisam de uma ação emergencial, por isso as doações são importantes neste momento.

Necessitam também da atenção do governo federal, através do programa Brasil Sem Miséria, lançado pela presidenta Dilma há poucos dias em Alagoas.

Mas o mais importante é o emprego, para que possam tirar do trabalho o próprio sustento”, finalizou João Lyra.

As cestas foram repartidas pela Federação para os pescadores das colônias Z4 (Bebedouro), Z2 (Pontal da Barra), Z5 (Vergel do Lago) e Z16 (Trapiche da Barra).

Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações do Portal O Jornal