Jornal O Imparcial publica entrevista com deputado Pedro Fernandes

PTB Notícias 10/03/2008, 14:31


O Jornal O Imparcial divulgou, nesta segunda-feira (10/03), uma entrevista com o deputado federal e presidente regional do PTB no Maranhão, Pedro Fernandes, que garante que o partido terá candidato próprio na eleição em São Luís e revela: não se sente mais um aliado do grupo da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), derrotada em 2006.

Fernandes diz, na entrevista que é nome certo para concorrer ao pleito e descarta desistir da candidatura para apoiar algum dos partidos que se opõem ao governo atual.

“A oposição a Jackson [Lago] não me quer como candidato.

Não posso sentar numa mesa onde eu já estou descartado”, disse.

Confira o texto na íntegra:Em entrevista a O IMPARCIAL concedida na última quinta-feira, na Câmara, Fernandes fala dos problemas de São Luís e do desejo de ser prefeito.

No terceiro mandato como deputado federal, ele diz ser um homem mais do Executivo que do Legislativo e resgata sua atuação como secretário de Obras e Transporte da capital e como presidente da Coliseu para justificar sua indicação.

Hoje, diz, o PTB busca aliados.

Não descarta apoio de ninguém, inclusive do governador Jackson Lago.

O IMPARCIAL – Por que o senhor quer ser candidato a prefeito?Pedro FERNANDES – Sou engenheiro e sempre atuei na área executiva.

Por muito tempo fui do Banco de Desenvolvimento Social, fui presidente da Coliseu e secretário de Obras e Transporte de São Luís.

Acho que fizemos um bom trabalho.

Fizemos muitas obras.

Com essa atuação, quando eu era secretário, surgiram rumores que eu estava trabalhando para uma possível candidatura a prefeito.

O que não era verdade.

Mas na época eu era vereador e isso me despertou o interesse.

Como eu fui retirado da secretaria por esse suposto interesse, eu comecei a me interessar pela administração.

Sempre me comparava aos prefeitos e técnicos e reconhecia em mim uma capacidade de tocar São Luís.

Além disso, a Coliseu, Secretaria de Obras e de Transporte me deram um amplo conhecimento da cidade.

Hoje, conheço bem a ilha de São Luís.

Sua candidatura é certa ou ainda depende de alianças?A minha candidatura não é de agora.

Nasceu de um sentimento antigo.

Fui candidato em 1996, busquei ser candidato em 2000 e 2004, mas não consegui.

Nós do PTB, temos conversado com a direção nacional, que nos incentiva e no diretório regional incentivamos o partido a crescer.

E só se cresce participando.

Em São Luís, nós temos que dar esse exemplo.

Além do mais, temos um candidato que tem um interesse enorme pela prefeitura.

O PTB já discute possíveis alianças?Estamos conversando com todos.

O importante é mostrar para as pessoas que temos interesse pela prefeitura, temos um programa para São Luís e podemos dar conta dessas propostas.

Aliás, eu só tenho isso: o meu interesse de ser um bom prefeito, o programa e condições de cumpri-lo.

Uma coligação com o PSL é boa, com o PP é boa, com o PV também.

Tenho que me firmar sempre reivindicando a cabeça de chapa.

Mas estou abrindo essas conversações.

Acho que está cedo para decidir sobre apoios.

Estamos construindo essa candidatura.

O partido costuma ajudar o governo Jackson Lago, mas na eleição passada fez campanha para a hoje senadora Roseana Sarney, derrotada no pleito.

De que lado o PTB está?O PTB é um partido do Maranhão.

Aquilo que for bom para o Maranhão, vamos colaborar.

Na última eleição, recebi um convite do [ex-presidente [José] Sarney, referendado por Roseana, para compor uma chapa como vice.

Passei apenas alguns dias e isso teve um malefício enorme para minha candidatura, porque fui bombardeado com pessoas querendo pegar os meus apoios.

E disse que estava rompendo com ela porque não concordava com uma série de coisas que haviam acontecido.

Na ocasião, recebi um convite para ir para outro lado, até com possibilidade de ser vice do Jackson.

Não foi possível e tive de me reconciliar.

Votei com ela, todo Maranhão sabe disso.

Mas, comandando o PTB, tenho que dar rumo ao PTB.

Naturalmente, se ela for candidata a governadora e o PTB tiver condições políticas de apoiá-la, vai apoiá-la.

Mas isso não quer dizer que estamos decididamente.

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vamos sempre decidir para o que é melhor para o Maranhão.

E o PTB fará aquilo que for interessante para o PTB.

E isso é um reflexo da sua postura como deputado ou sua postura como deputado é um reflexo do partido?Isso é um reflexo do Pedro Fernandes.

Eu não atrapalho o Maranhão.

Tenho ajudado todos os dirigentes do Maranhão.

O senhor apoiaria ou receberia o apoio do governador Jackson Lago?Ninguém renuncia voto e apoio.

E o que eu posso dar é essa vontade que tenho de ser um bom prefeito.

É a única moeda de troca que tenho.

O prefeito Tadeu Palácio faz uma boa gestão?Acho que ele tem avanços, como todas as gestões.

Aliás, São Luís, de 1988 para cá, teve muito avanços.

Talvez pudesse ter tido mais.

Acho, por exemplo, que a limpeza publica já deveria estar num grau de coletas seletivas.

São Luís tem desafios na questão de sua drenagem, urbanização para periferia e ter uma postura muito firme nas novas construções.

Ser exigente com qualquer edificação, para obedecer aos padrões.

De modo geral, no entanto, acho que sua administração tem uma boa aprovação e é merecida.

Quais os problemas o senhor enxerga na cidade hoje?Em 1996, quando fui candidato, eu já dizia que nós precisamos analisar os resultados: uma violência que cada dia cresce, uma educação sem qualidade, uma saúde que não está universalizada, uma urbanização precária, um saneamento que precisa avançar, um transporte que precisa cada vez ser mais acessível.

Enfim, todas as cidades têm esses problemas.

Isso tudo gera exclusão social, violência.

Nós convivemos com isso.

Portanto, acho que precisamos de um grande mutirão para que nós recuperemos o ego da população.

A população precisa participar de um esforço.

Temos que dizer para os mais ricos que precisamos ajudar as classes menos favorecidas, porque senão a pressão sobre eles vai aumentar.

Acho que um prefeito deve ter uma administração espartana.

Deve analisar suas receitas, despesas e definir suas prioridades.

Nunca um administrador terá uma receita que cubra todas as demandas, mas temos que fazer um planejamento estratégico.

Hoje, a população reclama muito do transporte, sobretudo de engarrafamentos em São Luís.

Esse é um problema crônico?O transporte tem de nos ajudar a planejar São Luís.

É através do transporte de qualidade e barato que você indica o crescimento da cidade.

Se não tem isso, as pessoas começam a ocupar a periferia do centro, porque elas não têm nem emprego e nem transporte.

Como vai morar longe? Então, começa a ocupar o mangue e formar palafitas.

Hoje São Luís tem que se atentar que seu crescimento deve estar voltado para o continente.

Nos já temos vantagens: do continente vem energia, água e nós temos a estrada de ferro.

Então precisamos casar num projeto o transporte coletivo de ônibus e também o transporte leve sobre trilho.

Integrar tudo.

E integrar também com projetos de urbanização e habitação.

Em um futuro próximo, precisamos tirar os estudantes de dentro do ônibus, colocando boas escolas próximas de suas casas.

Não se justifica fazer escola sem planejamento para se buscar crianças que moram há 20 quilômetros para estudar ali.

Algumas avenidas precisam ser interligas e outras criadas.

Caso a oposição resolver se unir para lançar um candidato, o PTB cederia?Não.

Primeiro porque a oposição a Jackson não me quer como candidato.

Ela não me querendo candidato eu não posso aceitar nenhuma reunião.

Eu não posso sentar numa mesa onde eu já estou descartado.

Como sabe disso?Eu sinto.

Agência Trabalhista de Notícias (com informações do jornal O Imparcial)