José Múcio defende uma Assembléia Constituinte sobre reforma política

PTB Notícias 30/05/2008, 15:33


O ministro das Relações Institucionais do Governo Lula, deputado federal José Múcio Monteiro, sugeriu, ontem, em Fortaleza, ao participar do encontro nacional dos deputados estaduais, a criação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para tratar da reforma política brasileira.

Para ele, a sociedade está cansada de tanto esperar por uma atitude positiva do Congresso Nacional.

“Estamos em uma grande batalha para fazermos as reformas de base, cuja base principal é a reforma política, institucional´.

Ele foi o segundo palestrante da programação de ontem da XII Conferência Nacional dos Legislativos que acontece em Fortaleza.

O primeiro foi o deputado federal cearense Ciro Ferreira Gomes.

José Múcio destacou que o projeto da reforma política foi o primeiro a ser enviado ao Congresso.

´O grande problema é que quando começaram as discussões, cada deputado queria uma emenda para satisfazer o próprio interesse.

E os partidos começaram a fazer chantagem para aprovar aquilo que era do interesse de cada um.

Assim é humanamente impossível haver progresso na proposta´, lamentou.

InteressesO ministro defende a idéia de que se pense um projeto de Reforma Política a longo prazo.

´Só assim será feita uma discussão sem olhar interesses particulares.

É uma reforma para nossos filhos e netos´, brincou o ministro.

Múcio destacou também, em sua palestra, a crise de representatividade dos partidos políticos brasileiros.

Múcioe defende a aprovação da votação em lista fechada.

´Esse tipo de escolha fortalece as instituições, as idéias e o sistema democrático.

A cada avanço conseguido em Brasília por um deputado federal, essa será uma vitória de todos do partido, pois o que valerá é a legenda, a instituição partidária´, argumentou.

Outro propósito desse tipo de votação, segundo ele, é o fortalecimento da democracia interna da agremiação.

´Hoje é comum vermos partidos com ´donos´.

No novo sistema isso deixará de existir ao passo que os integrantes da agremiação passarão a cobrar eleições internas e posições políticas firmes´, defendeu.

Dentro da reforma, o ministro deu um certo enfoque ao problema dos gastos de campanha e a questão do financiamento público das eleições.

´Hoje a lei (eleitoral) incentiva a hipocrisia.

Se uma empresa patrocina minha candidatura, e, quando eleito, eu for fazer um pronunciamento em favor do setor dessa empresa, as pessoas vão me repreender dizendo que estou defendendo interesses dessa empresa.

Isso precisa acabar´, disse o ministro da articuçaõ política.

José Múcio Monteiro apontou também para a questão da burocracia nas discussões de matérias não decididas pelo Congresso Nacional que estão ocasionando a interferência do Poder Judiciário, como foi o caso da fidelidade partidária.

O resgate da imagem da classe política e a reestruturação dos partidos políticos são os pontos mais importantes nessa discussão, para o ministro.

fonte: Jornal Diário do Nordeste