José Múcio descarta envio ao Congresso de nova proposta sobre CPMF

PTB Notícias 14/12/2007, 11:05


O ministro José Múcio Monteiro descartou que o Governo pretenda aumentar impostos e criar novos tributos para compensar o fim da CPMF.

Múcio reiterou que não está sendo examinada uma alternativa para recriar a contribuição.

Segundo o ministro, o “imposto do cheque” foi “democraticamente” derrotado pelo Senado.

“Não é pensamento do Governo reeditar a CPMF.

Por decisão democrática, a CPMF será encerrada no dia 31 de dezembro”, afirmou o Múcio.

Na manhã de ontem, Múcio participou de uma reunião de emergência comandada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) com a equipe econômica para avaliarem os efeitos do fim da CPMF e os cortes na proposta orçamentária.

José Múcio defendeu ainda que o Governo e seus aliados façam uma revisão sobre eventuais equívocos cometidos ao longo das negociações com o Congresso.

Para ele, houve erros de avaliação que devem ser corrigidos a tempo de aprovar o Orçamento Geral da União para 2008.

“O Governo talvez tenha errado porque subestimou [a discussão política] e nós nos deparamos com a briga de poder”, afirmou Múcio.

“Nós perdemos para nós mesmos porque os votos que faltaram, nós considerávamos dos nossos aliados”, disse ele.

O comentário do ministro foi uma referência à votação da prorrogação da CPMF, rejeitada com 45 votos favoráveis e 34 contrários.

Para ser aprovada, precisava de ao menos 49 votos favoráveis.

Sem citar o DEM e PSDB, Múcio atacou a oposição.

Segundo ele, a derrota do Governo será pedagógica.

Mas criticou os que dificultaram as negociações sem pensar nas conseqüências do fim da cobrança do imposto.

“Existe uma minoria que não pensa nas próximas gerações, mas nas próximas eleições”, afirmou ele.

Indiretamente, o ministro elogiou a atuação dos governadores do PSDB principalmente José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais).

Porém, evitou mencioná-los claramente, referiu-se a ambos como “nomes mais expressivos da oposição” que trabalharam pela aprovação do “imposto do cheque”.

Segundo Múcio, apesar do esforço dos governistas, há um grupo de parlamentares que não se sensibiliza com argumentos nem necessidades.

“Existem dois grupos de brasileiros, aqueles que trabalham pelo quanto melhor, melhor.

E, aqueles que preferem o quanto pior, melhor”, afirmou ele, referindo-se à oposição.

Para o ministro, a idéia de convocação extraordinária do Congresso para votar o Orçamento deve ser descartada.

Segundo ele, o período do recesso parlamentar -parte de dezembro e janeiro inteiro- deve ser utilizado para reflexão.

“Acho que a convocação será sem efeito.

Dezembro e janeiro servirão para cada um fazer sua reflexão”, afirmou.

Agência Trabalhista de Notícias (com agências)