Kelly Moraes anuncia que Prefeitura de Santa Cruz comprará pasteurizadora

PTB Notícias 2/06/2010, 8:44


A guerra de opiniões em torno da polêmica do leite in natura está dando lugar a uma ação concreta em Santa Cruz do Sul.

Em reunião realizada ontem, 1º de junho, a prefeita Kelly Moraes (PTB) anunciou que o município poderá adquirir o maquinário necessário para pasteurizar e embalar o produto, o que permitiria a legalização da venda realizada pelos leiteiros.

Mas em contrapartida, os produtores deverão se organizar em uma associação ou cooperativa.

As discussões – por vezes, muito ferrenhas – em torno da venda do leite in natura começaram no fim de abril.

Na ocasião, a promotora de Defesa Comunitária, Roberta Brenner de Moraes, convocou uma audiência pública para tratar da questão.

Ressaltou que a venda do leite cru é proibida por lei federal desde 1952, em vista dos riscos para a saúde do consumidor.

O assunto pegou fogo depois que barreiras da Secretaria Estadual da Agricultura apreenderam 333 litros de leite cru e derivados no município.

Ontem, 16 produtores se reuniram com a prefeita e ouviram o anúncio do interesse da administração em adquirir uma pasteurizadora e uma embaladora.

Kelly avalia que o investimento, incluindo a construção de um prédio destinado a abrigar o equipamento, deverá girar entre R$ 50 e 60 mil.

“Pretendemos encaminhar os procedimentos o quanto antes e tenho certeza que a Câmara de Vereadores irá aprovar a destinação dos recursos”, adiantou a prefeita.

Ela acredita que a iniciativa se tornará realidade em até 70 dias.

Conforme o secretário municipal da Agricultura, Ademir Santin, os agricultores presentes no encontro de ontem produzem quase 1,3 mil litros de leite por dia.

Para Santin, o volume a ser pasteurizado pela nova máquina deverá ser o dobro disso, pois haveria pelo menos mais 14 leiteiros que possivelmente terão interesse na iniciativa.

O secretário acredita que um equipamento capaz de preparar 300 litros por hora dará conta do recado.

“Caberá aos produtores se organizar em turnos”, ressaltou.

Segundo o vereador petista Wilson Rabuske, que acompanhou os produtores, a categoria aprovou a iniciativa e vai agora se organizar.

Para tanto, foi criada uma comissão.

A tendência é que a miniusina seja instalada junto ao pátio da Ceasa Regional.

Após a pasteurização, o leite deverá ser vendido de porta em porta ou nas feiras rurais, como ocorria com o produto na forma in natura.

A Prefeitura também não descarta adquirir parte da produção, para a merenda escolar.

Asan A prefeita Kelly Moraes disse ainda que está em estudo uma forma de amenizar a falta de leite na Associação de Auxílio aos Necessitados (Asan).

A entidade, que abriga 72 idosos, recebia 500 litros mensais de leite cru oriundo da Granja Municipal.

Entretanto, o fornecimento foi interrompido, visto a coibição ao consumo do produto.

Segundo Kelly, em um primeiro momento a Prefeitura poderá custear a compra de leite pasteurizado para os idosos.

Ela não descarta que, com a instalação da miniusina, o município utilize os equipamentos em determinado turno para preparar o leite destinado à Asan.

* Agência Trabalhista de Notícias com informações da Gazeta do Sul