Landim apela à Casa para a aprovação do projeto de criação de Gurgueia

PTB Notícias 6/05/2011, 16:07


O deputado federal Paes Landim, do PTB do Piauí, em discurso no Plenário da Câmara nesta sexta-feira (06/05/2011), após parabenizar o também deputado Giovanni Queiroz, do PDT do Pará, por ter aprovado, com o consenso da Casa, a autorização para plebiscito para a criação dos Estados de Tapajós e Carajás, no Pará, apelou à Presidência da Casa para colocar em pauta o projeto de criação do Estado de Gurgueia.

A região seria fruto do desmembramento de parte do sul do Piauí.

A propositura, que é de autoria do petebista desde 1984, irá transformar, de acordo com ele, “a região do sul ao extremo sul do Piauí, enfim, o seu cerrado, em um novo Tocantins”.

E embora ter ressaltado que sabe que o Governo Federal se preocupa de que novos Estados trazem ônus para a União, Paes Landim afirmou que “no nosso caso, não”.

“Porque não há nenhum empréstimo internacional ligado a essa região do Piauí que deseja construir um novo Estado, cujo nome no projeto está em princípio como Estado do Gurgueia, embora o rio Piauí nasça exatamente no sul do Piauí, onde esse novo Estado também nasceria.

“Para o petebista, o país precisa de uma “redivisão territorial”.

Ele citou que na Constituinte de 1988, por iniciativa do deputado Bonifácio de Andrada, foi colocado um dispositivo no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que segundo o qual, dentro de três anos, seria formada a comissão entre o Executivo e o Legislativo para discutir a redivisão territorial do Brasil.

Isso, na avaliação de Landim, é urgente.

“Tenho certeza de que o nosso cerrado será um novo Tocantins”, disse.

“O Piauí foi criado a partir do sertão.

A nossa capital inicial era Oeiras, em pleno sertão.

Depois que o Conselheiro Saraiva transferiu a capital para Teresina, no século XIX, precisava de uma comunicação fluvial para evitar o isolamento da Capital, e o Governo ficou muito distante do sul, das origens sertanejas do Piauí.

Razão por que é importante esta presença do Estado”, justificou.

“E não só o cerrado”, alegou Landim.

Ele prevê que vai transformar um grande deserto se tiver um governo local próximo para vigiá-lo, pois, como frisou, os rios estão morrendo por falta de uma política de manejo, e as matas ciliares estão destruídas.

Landim, no entanto, lembrou que sabe que há custos, porque, infelizmente, como argumentou, a Constituição Federal tem uma cláusula pétrea que exige o mínimo de oito parlamentares federais para cada Estado “e etc.

“”Acho que o Brasil realmente precisa fazer uma nova configuração na sua representação eleitoral, representativa, sobretudo”, sugeriu Paes Landim, que acrescentou como exemplo o Estado da Flórida (EUA).

“Eles têm apenas quatro parlamentares na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

Mas são aspectos previstos constitucionalmente, cláusulas pétreas que não podem ser modificadas.

O certo é que esse novo Estado iria trazer realmente um desabrochar fantástico para uma região ainda sofrida do meu Estado”, destacou.

DiscriminaçãoAinda em seu discurso, Paes Landim mostrou a discriminação do Piauí em relação ao Cerrado, principalmente, como afirmou, enquanto Tocantins levantou 500 milhões de dólares do Programa PRODECER, financiado pelo governo japonês.

Segundo o deputado, entre todos os Estados que têm cerrado, o Piauí foi o único que não tomou esse empréstimo.

“Exatamente porque o Governo de Teresina, de costas para o cerrado, não teve o menor interesse ou não percebeu o impacto que o empréstimo teria na transformação do nosso Estado: teria transformado essa região do cerrado na nova Tocantins”, reclamou.

O parlamentar petebista contou ainda que conheceu Palmas há cerca de um ou dois anos após a sua construção.

Ele relatou que a capital tocantinense era modesta, e hoje é uma cidade exponencialmente desenvolvida, fruto de um Estado que progride, cresce, enriquece, que está gerando renda e bem-estar para a sua população com grandes plantações para dar maior impacto à expressão.

“O exemplo de Tocantins desperta nos nossos conterrâneos sofridos, abandonados e esquecidos do extremo sul a sensação de que só um novo Estado poderá realmente proporcionar-lhes oportunidades de bem-estar e de progresso”, destacou Paes Landim.

“Apelo à Presidência da Câmara e às Lideranças no sentido de que o nosso projeto, um dos mais antigos da Casa, seja colocado em pauta em oportunidade mais conveniente.

” Agência Trabalhista de Notícias (Felipe Menezes)